terça-feira, 19 de abril de 2011

A solução? Não pagamos!

Vamos lá a ver se percebemos como isto é simples.

1. Quem pede um juro de 10% por títulos soberanos do Estado Português (seja a que maturidade for) está a enviar 2 sinais ao mercado: o primeiro é o de que vislumbra risco significativo na entidade emitente; o segundo (como corolário do primeiro) é o de que só está disposto a assumir esse risco se daí obtiver um rendimento de 10% acima do montante nominal que empresta.

2. Fazendo jus na relação directa rendimento-risco (ensinamento tido como intocável na ciência económica), quem assume riscos tem de estar disposto a perder. Só aposta em riscos elevados quem espera obter grandes rentabilidades, e quem não se quer aventurar mete o dinheiro em certificados de aforro. Daqui, quem adquire títulos da dívida portuguesa e pede juros de 10%, está a incorporar o cenário possível de incumprimento parcial (por isso é que pede juro tão alto). Se mesmo assim entrou com o dinheiro e assumiu o risco, a responsabilidade pela assunção do risco é unicamente desse sujeito.

3. Em condições normais, o sector público está em patamares seguros e estáveis o suficiente para diluir os custos da dívida nos próximos anos em cenários de não-austeridade. Mas se há congeminações políticas, promiscuidades económicas e interesses partidários que beneficiam da espiral bola-de-neve e das profecias auto-anunciadas, actores internacionais que fazem de tudo para nos terem na mão e fazerem de nós o que bem lhes apetece, e indivíduos suspeitos que profeciam a vinda dos International Mother Fuckers porque com ela lucram, então o próprio povo tem de traçar os seus limites daquilo a que está disposto a sacrificar pelos outros. E o povo não tem de pagar pelas merdas que os outros fazem, especialmente quando isso causa aumento artificial dos juros para beneficiar as elites.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Share |