terça-feira, 29 de setembro de 2009

Entalado

Toda a gente estava à espera que o Presidente viesse dizer se Belém está sob escuta. E nessa medida, Cavaco não respondeu à questão essencial.

Mas, a confirmar-se a minha opinião acerca dos factos, nem podia fazê-lo. Penso que Cavaco, de facto, suspeitou de que informações confidenciais de Belém estivessem a ser obtidas pelo Governo, mas, como é natural, não tem provas de que tal tenha acontecido. Não tendo provas, não pode vir afirmar que estava a ser escutado ou vigiado. Mas também não pode afirmar categoricamente que isso não aconteceu, pois isso iria contra a suspeita que ele tem.

Quanto a tudo o resto, Cavaco Silva respondeu com clareza.

O grande erro de Cavaco Silva não foi esta declaração. Foi a falta de uma declaração sua em Agosto, quando o Público noticiou as suspeitas de Belém. Nessa altura devia logo ter arrumado esta questão. Não o tendo feito, pôs-se a jeito, e a publicação do e-mail no DN foi um tiro certeiro. Não é nada que ponha em causa a sua continuação no cargo, mas a sua autoridade sai fortemente afectada.

É a armadilha de liquidez, estúpido!


Ainda acham que não? See for yourself.

Onde andam agora os paranóicos que previam o crowding-out e a seca de crédito às empresas, e que não concordaram com o que eu havia dito mais do que uma vez há algum tempo? E ainda dizem que não é dogma!

Nem de propósito, vale a pena ler o post do Krugman de hoje. Pode ser pedagogicamente importante, se se derem ao trabalho. É rápido e intuitivo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Legislativas 2009 - Algumas considerações





Os 10%(ou mais) da direita portuguesa são um bom prenuncio , mas não chegam. A bem da normalidade democrática é preciso que continue a crescer. Ainda assim regista-se que:


  • O CDS elegeu deputados onde há muito não o fazia e onde nunca o tinha feito.

  • Elegeu jovens e fez-se eleger massivamente por jovens

  • Foi terceira maior força polítca

  • Alcançou os dois digitos que significam 20 ou mais deputados

  • Fez campanha com o mais baixo orçamento dos 5 maiores partidos

  • Teve o seu melhor resultado desde 1985

Novamente as sondagens não previram nada disto...


O PSD teve novamente uma das suas piores derrotas quando ainda há pouco as sondagens lhe davam empate técnico.


O Bloco não cresceu tanto quanto as sondagens diziam


A CDU foi relegada para 5a força política mas continua a reclamar vitória


O PS com Sócrates terá de aprender a governar em permanente negociação


Espera-nos agora a questão constitucional:


Art.187,n1 - O PR nomeia o PM de acordo com os resultados eleitorais. A tradição constitucional tem sido a nomeação do líder do partido mais votado. Muito provavelmente assim continuará ainda que o PS não tenha, quanto a mim, condições para governar em estabilidade. Mas o povo falou...






sábado, 26 de setembro de 2009

Contratação sonante do Tragédia!


É com grande satisfação que anuncio a novíssima contratação deste blog. António Miguel de Sousa vulgo Tonicha, como de resto é conhecido no meio académico coimbrão, é um liberal social e um grande apreciador de Francis Fukuyama. Estou certo que fará uma contribuição apreciável neste blog, acrescentando uma nova perspectiva a este blog, que se caracteriza por reunir um painel de comentadores com opiniões bastante diversas. Por iniciativa do José Nuno e a meu convite, António Sousa aceitou o desafio de debater ideias neste espaço e de nos presentear com a sua válida e única opinião.

Tenho ainda a acrescentar que António encontra-se prestes a embarcar para Londres, para trabalhar e, estou certo que também, cultivar o seu irremediavelmente complexo, espírito livre. Será, portanto, o nosso correspondente especial em Londres!

Para Reflectir

Uma novidade desta campanha, entre algumas outras, foi o tema das nacionalizações.

Nunca esperaria que, no séc. XXI, quase 20 anos depois da queda do muro de Berlim, cerca de 20% do eleitorado (vamos confirmar amanhã) vota em partidos que defendem abertamente nacionalizações. Nunca esperaria que pessoas informadas dissessem que esses não são partidos de esquerda radical.

Inquieta-me que, a caminho de uma revisão constitucional ordinária, cerca de 1/5 da AR (como iremos confirmar amanhã) vá defender ideias hoje claramente inconstitucionais, completamente avessas à nossa constituição económica.

Conforta-me, por outro lado, que estejamos integrados na UE, que nunca deixaria acontecer tais nacionalizações.

Mas não se pense que uma votação de tal grandeza na esquerda radical não vá ter consequências.

Dia de reflexão...


O Tragédia dos Comuns respeita o dia de reflexão e, por isso, nada melhor que a imagem do "Pensador" de Rodin, para nos iluminar na nossa árdua - ou talvez não - escolha que iremos tomar no próximo domingo.


Momento então, para reflectir....

Resultado da sondagem Tragédia dos Comuns

PPD/PSD - 41%
CDS - 21%
BE - 17%
PS - 10%
CDU - 5%

Podia ser melhor... mas não me importava que o resultado fosse parecido. Quem sabe.....ainda podemos ter a sondagem mais credível.
O que se nota aqui é sobretudo a abundância de "caciqueiros" para o lado Laranja neste blog, o João Correia e penso que...o Luís Araújo.
A votação do CDS/PP é mais ou menos genuína, os meus conhecimentos informáticos não dão para tanto...
O Eduardo trabalhou pouco neste cacique.
O Luís Oliveira não deve ter cacicado para nenhum destes porque parece estar mais virado para a coligação dos humanistas e ecologistas.
A grande novidade é que há finalmente uma sondagem que dá ao CDS mais votos do que porventura vai realmente ter!Domingo logo veremos...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A esta hora a dar voltas no túmulo...



Mesmo passadas quatro décadas da sua morte, o fantasma de Salazar continua por aí...
É presentemente a grande estratégia da recta final do Partido Socialista colar a figura de Ferreira Leite a Oliveira Salazar das formas mais absurdas.
Não sei neste momento quem deve estar mais incomodado, se Ferreira Leite ou se o Dr. Salazar... O que é certo é que pele menos ele lá foi ganhando umas eleições nos últimos quatro anos. E pasme-se! Era para um concurso de popularidade...

Melhor [do que ela] é possível

Reparei que a minha professora de Francês do 7º ano é a cabeça-de-lista do MEP por Viana do Castelo. Lembro-me bem dela: só deu aulas no 1º período e foi prontamente substituída, não aguentou. Em cada aula, tinha um problema diferente, fosse o estar afónica, uma dor de cabeça ou um calo nos pés.

É assim que o MEP quer dar esperança a Portugal, com hipocondríacos?

Desmistificar o Bloco


Como se sabe o Bloco de Esquerda nasce da fusão de três partidos da esquerda radical portuguesa, a União Democrática Portuguesa, o Partido Socialista Revolucionário e o Política XXI. Três movimentos ou partidos, iguais a tantos outros, que foram surgindo no momento pós revolucionário. Eram sobretudo agremiações de jovens recentemente politizados, que foram lendo as cartilhas dos pensadores revolucionários, diferenciando diversas experiências de socialismos e assumindo a facção dos socialismos com que, porventura, mais se identificavam. Era uma tendência de época que encontra fundamento na necessidade de oposição ás convicções do regime que fora recentemente extinto. Mas de facto, na maioria dos casos, não passou disso, uma tendência de época, uma moda, que foi esmorecendo com o tempo. Conhecemos entre nós hoje em dia, inúmeras pessoas que passaram por estes partidos, mas assumem hoje em dia uma posição mais moderada e atrevo-me a dizer em alguns casos, uma tendência mais amadurecida, que os próprios reconhecem. Durão Barroso, Pacheco Pereira, Maria José Morgado, Jorge Sampaio, Pina Moura e assim como muitos outros cidadãos anónimos, são alguns dos nomes que integraram muitos destes partidos radicais da esquerda no imediato após 25 de Abril, e que com o passar do tempo, foram amadurecendo e moderando as suas posições. Por isso mesmo muitos desses partidos se extinguiram, outros fundiram-se e outros ainda foram permanecendo com uma importância residual.

No caso do Bloco, tratou-se de uma fusão destes retalhos aos quais se foram acrescentando faseadamente alguns outros.

È o caso dos comunistas descontentes com a rigidez de forma e conteúdo que persistia no PCP. A organização interna obscura bem presente no órgão comité central, as incongruências entre o voto não secreto no seio dos órgãos do partido com os valores da democracia e a tendência de cristalização de ideias, fez afastar a juventude. Tudo isto significou para o Bloco uma conquista nas fronteiras do PCP.

O Bloco foi também crescendo, graças a um marketing bem esculpido, uma imagem moderna, uma linguagem simples, o soundbyte dos temas fracturantes que construíam uma imagem de tolerância sem limites. Mais do que um partido, o bloco era agora um produto do Marketing vendido como o partido Light que lhe valeu conquistas no eleitorado volátil mas sobretudo no eleitorado jovem. A imagem vanguardista e tolerante era atraente o suficiente para também as pessoas do mundo da arte e espectáculo se quererem colar a ela.

Era também o partido com uma função facilitada na oposição. Era apenas partido de contra-poder, á partida, não alcançaria o governo e por isso mesmo podia usar e abusar da demagogia e do discurso fácil e colher frutos do voto de descontentamento.

A sua pose moralista personificada em Francisco Louça, o seu discurso provocador sem qualquer pudor, a imagem imaculada de quem nunca pisou o poder, constituem mais alguns dos ingredientes de atracção.
A sua ultima grande oportunidade foi a cisão da ala esquerda do PS que deixou de se rever nas políticas do governo Sócrates e migrou, um pouco pela mão de Alegre, acabando por encontrar no bloco a sua nova casa política.

Desta história e deste percurso resulta o partido de hoje ao qual as sondagens atribuem a posição de terceiro maior partido português.
Quanto a mim o Bloco nunca deixou de ser um partido da esquerda radical com propostas mirabolantes mas é sem duvida um partido com um marketing bem construído e um líder hábil e instruído.
Mas não chega, porque não passa disto. Continua a ser programaticamente uma convergência de trotskismo, marxismo e maoísmo, uma “salada russa” de extremismo esquerdista absolutamente ultrapassado. Uma esquerda irresponsável, confusa e duvidosa. Espero sinceramente que o eleitorado português não se perca em insensatez e sobretudo que a juventude não se deixe enganar pelas bandeiras de facilitismo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Demonização (2)

No meu penúltimo post, ficou por denunciar a falsidade da acusação por parte dos partidos da esquerda de que o PSD pretende um Estado mínimo.
Dizem, e repetem, que o PSD quer privatizar saúde e segurança social.
Em primeiro lugar, coloca-se a questão do que se quer dizer com "privatizar". Vender aos privados? O PSD nunca propôs isso, nem na saúde nem na segurança social.
Entregar à gestão dos privados? Isto está proposto para a saúde, mas também não é nada que o PS não tenha feito. Desde que correctamente reguladas, as parcerias publico-privadas podem ser uma boa alternativa a uma gestão exclusivamente pública e têm claras vantagens quanto aos custos iniciais de construção dos equipamentos. O importante, isso sim, é que a sua regulação assente em previsões correctas, coisa que não tem acontecido.
Já quanto à segurança social, nunca se propôs entregar a gestão dos fundos da segurança social aos privados, nem isso faria qualquer sentido.
Será que queriam dizer que o PSD propõe a aplicação dos fundos de pensões no mercado de capitais? Mas isto já se faz...
Ou referiam-se à proposta que, aquando da reforma da segurança social, o PSD apresentou na AR, segundo a qual o contribuinte podia escolher dar parte das suas contribuições para um fundo de investimento gerido pelo Estado? Bem, mas não vejo em que é que isto é uma privatização. É a previsão de que uma parte da futura reforma será garantida, não pelos futuros contribuintes, mas pelas contribuições que o próprio pensionista fez. E acresce que o PSD, neste momento, nem propõe isso!
Propõe manter o regime da segurança social tal como ele está. Não esconde a sua posição face à questão, que é a de reforçar consciência de responsabilidade individual, e defende que se estudem medidas nesse sentido, mas está expresso que, na legislatura que se propõe agora cumprir, não quer alterar o regime da segurança social.
A esquerda utilizou aqui a técnica de aterrorizar as pessoas, como se o PSD viesse agora com a intenção escondida de acabar com todo o Estado social numa só legislatura. É uma técnica que, através da mentira, apela à ignorância do povo português e que aprofunda essa ignorância. É uma técnica que pretende fazer com que, incutindo medo nas pessoas, elas nem sequer se interessem por saber o que realmente está em causa e o que é proposto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um partido a considerar

Usualmente concentro o meu voto na CDU ou no BE. Mais no primeiro do que no segundo. Desta feita, julgo estar perto de votar na FEH - Frente Ecologista e Humanista, mais pelas prioridades que elegem do que pela diferença relativamente à esquerda mais proxima de mim.

Vale muito a pena ler o programa da coligação (Partido da Terra + Partido Humanista). Está lá muito do que carece de mudança por estes lados, à excepção de uma coisa ou outra em que não concordarei tanto.

Julgo que é importante dar voz aos pequenos partidos, não só por uma questão de frescura de ideias, mas também pela desconfiança e descrença na actual elite política. É também por isso mesmo que julgo ser sensato para a direita liberal votar no MMS - Movimento Mérito e Sociedade - que, apesar de não consubstanciar propriamente a minha cartilha de ideais (pelo contrário), é um partido/movimento que, ao contrário do PSD, consegue ser credível, coerente e interessante nas suas propostas.

Gostaria de ver ambos estes partidos/movimentos com, pelo menos, um deputado eleito cada na AR.

Comédia



Ri-me a bandeiras despregadas quando isto passou no Tempo de Antena da TV hoje.

sábado, 19 de setembro de 2009

O Peso da Idade


Pois é, o Bloco começa a deixar de ser aquele pequeno partido engraçadito a quem se deixa fazer tudo. Começa a ter de assumir responsabilidades. Começa a ter de fazer repercutir as suas ideias nos seus actos. E começa a ser escrutinado pela opinião pública como um partido adulto. Finalmente!

A Demonização

A acreditar em Sócrates, o PSD é um partido com ideologia xenófoba, retrógrada e que pretende reduzir o Estado aos níveis de inícios do séc. XIX.
Há que denunciar a falta de seriedade e de verdade desta ideia que o PS quer fazer passar.
Em primeiro lugar, diz-se Manuela Ferreira Leite é xenófoba e nacionalista por duas declarações suas: que o TGV ia dar emprego essencialmente a cabo-verdianos e ucranianos; e que Portugal não deve construir o TGV apenas por cedência aos interesses espanhóis.
A primeira declaração, como mandam as boas regras, tem de ser contextualizada. É uma resposta à afirmação de que o TGV viria diminuir o desemprego. Ora, Ferreita Leite respondeu, e bem, que isso não é bem assim, porque cria principalmente o tipo de empregos que hoje são ocupados por cabo-verdianos e ucranianos. Convenhamos que não é novidade nenhuma que a grande maioria dos empregos no sector da construção são ocupados por imigrantes, muitas vezes ilegais. A ditadura do "politicamente correcto" é que nos impede de reconhecer esta realidade publicamente. Mas Ferreira Leite nem criticou este facto, aliás natural num país em que os nacionais procuram empregos com qualificações superiores. O que Manuela Ferreira Leite disse, com base no tal facto já expresso, foi que, assim sendo, o TGV não responde ao problema do desemprego no país. O desemprego no nosso país tem a ver em grande parte com recém-licenciados e operários de fábricas de mão-de-obra intensiva que têm falido pelo país fora. A criação de empregos no sector da construção tem como um dos principais efeitos incentivar a imigração ilegal, e não o de resolver concretamente o nosso problema do desemprego.
A segunda declaração também nada tem de xenófobo ou nacionalista. Então agora não se pode dizer que o TGV interessa mais a Espanha do que a Portugal, e que Portugal não deve subjugar os seus próprios interesses aos interesses espanhóis? Dir-se-á que é discutível a questão sobre se o facto referido é verdadeiro, isto é, sobre se o TGV interessa mais a Espanha do que a Portugal, mas não deixa de ser uma opinião perfeitamente válida e eu também a subscrevo. A rede espanhola de alta velocidade destina-se a fazer de Madrid a cidade central da Península Ibérica, tornando as outras cidades tanto mais periféricas quanto mais dela se afastam. Este planeamento é perfeitamente legítimo de ser feito por parte dos espanhóis, mas não quer dizer que nós devamos sujeitar-nos a ele. Com efeito, o que este planeamento promoverá será a concentração dos centros de decisão e distribuição ibéricos em Madrid, deixando de fazer sentido para muitas empresas a manutenção ou criação desses centros em Lisboa, uma vez que a distância-tempo reduz-se substancialmente entre periferia e Madrid, mas não entre cidades da periferia entre si. Isto é nacionalismo? Ou pensamento estratégico? Não quero dizer que o TGV não tenha outras vantagens que porventura pudessem compensar esta desvantagem, mas mais uma vez o "politicamente correcto" impede que se fale publicamente de todos os pontos de vista admissíveis.
Quanto ao facto de o PSD ter um pensamento retrógrado... Baseiam-se em quê? Na questão do casamento entre homossexuais? Na posição face ao divórcio? Na consideração de que um dos motivos essenciais da existência do casamento é a procriação? Nas posições face ao consumo de drogas? Não posso deixar de dizer que a esquerda tem o grande defeito de achar que o caminho que propõe para a sociedade é o correcto e aquele que, inexoravelmente, vai ser seguido; e que portanto a direita é um impecilho que tem o único desígnio de atrasar a evolução natural das coisas. Se não estás de acordo com as nossas modernas ideias no campo dos costumes, és retrógrada! No que diz respeito aos costumes, a esquerda considera-se numa posição superior, a posição de um visionário que tem de ensinar qualquer coisa àqueles ignorantes imobilistas. É certo que Manuela Ferreira Leite tem posições menos libertárias que a esquerda postuguesa, mas isso agora significa que ela está ultrapassada? Que não tem direito a ter uma posição sobre a matéria? Que está desajustada do seu tempo? Parece-me de uma grande presunção esta arrogância de a qualificar de retrógrada. Acrescento, aliás, que tal qualificação tem origem num preconceito; é um preconceito baseado na idade da pessoa, nas roupas que veste, no penteado, no estilo consensual, não-revolucionário.
Por fim, resta denunciar a gravíssima falta de seriedade que é a de acusarem o PSD de querer reduzir o tamanho do Estado a níveis defendidos pelos radicais do neo-liberalismo. Como o texto já vai longo, deixo esta questão para um próximo post.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Thomas Jefferson



"Um governo grande o suficiente para te dar tudo o que quiseres, é forte o bastante para te tirar tudo que possuíres."
"A concentração de poder nas mesmas mãos é precisamente a definição de governo despótico. Não será nenhum alívio que estes poderes sejam exercidos por uma pluralidade de mãos e não por uma única?"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As Agências de Comunicação

Nos últimos anos assistiu-se a um crescimento inegável da actividade das agências de comunicação. Elas são cada vez mais, maiores e a sua acção é mais visível. É visível folheando um jornal, principalmente os económicos, em que há notícias (ou "notícias") cujo material foi notoriamente preparado por profissionais ao serviço de interessados na notícia. Mas também é visível, de uma forma mais geral, na evolução das estratégias e tácticas de comunicação, de políticos e de empresas.
Pacheco Pereira, apontando certeiramente os efeitos negativos que a actividade destas agências tem, acaba por repudiá-las, criticando a sua existência. Compreende-se tal posição. Afinal, em muitos casos, a gestão da informação feita pelas agências de comunicação entra no campo da manipulação dos factos. Também manipulam pessoas. E criam factos, causados artificialmente com vista à produção de certo efeito na estratégia de comunicação. Nesta perspectiva, as agências de comunicação são os maus da fita.


Mas, se concordo com a esmagadora maioria daquilo que Pacheco Pereira diz acerca de comunicação social, a minha perspectiva aqui não é a mesma que a dele. Desde logo porque encaro o recurso a uma agência de comunicação como um exercício da liberdade de expressão. Ora, o que significa a liberdade de expressão? Que cada um diz o que quer, quando quer, como quer e a quem quer. Há limites, claro, mas esta pode ser tomada como a definição genérica. O recurso a uma agência de comunicação significa que o seu cliente entrega a um grupo de profissionais a gestão do seu exercício da liberdade de expressão. A agência vai aconselhar o que ele deve dizer, quando dizer, como dizer e a quem dizer; e provavelmente vai também a própria agência divulgar o que o cliente diz, da forma que considerar adequada. É inconcebível uma proibição de se procurar aconselhamento acerca do exercício da liberdade de expressão.
Assim, parece-me perfeitamente legítimo que uma empresa recorra a uma agência de comunicação para procurar divulgar as qualidades dos seus produtos, mesmo que essa divulgação não seja assumida como publicidade da marca, como é o que acontece muitas vezes nos jornais económicos. Parece-me legítimo que uma pessoa individual, que por alguma razão é uma personalidade pública, recorra aos serviços de uma agência de comunicação. Parece-me legítimo que as agências de comunicação preparem dossiers que contêm todo o conteúdo de uma notícia de jornal. Parece-me legítimo que as agências de comunicação procurem ter boas relações com o meio jornalístico.
E também na política me parece legítimo o recurso a agências de comunicação. Lembro, no entanto, que na política a especificidade dos temas tratados e a importância do voto esclarecido exigem que os limites da ética na actuação destas agências sejam muito mais apertados.
Onde está então o problema das agências de comunicação? Não está na sua actuação, mas sim na dos jornalistas. Ou, se quisermos ser mais rigorosos, não propriamente na actuação dos jornalístas, mas na de quem manda neles.
O problema é que o jornalismo, o bom jornalismo, é caro e nenhuma empresa dos media que queira obter lucro está disposta a pagar esse preço, salvo raríssimas excepções. Com a venda de cada vez menos jornais, com a divulgação de notícias pela internet gratuitamente e com os jornais impressos gratuitos as receitas descem e os custos também têm de descer. O que acontece? As redacções são muito pequenas para a quantidade de trabalho a realizar, o essencial do trabalho do jornalista faz-se dentro das quatro paredes da redacção e, consequentemente, o jornalista perde o contacto com o real, com o material. O que o jornalista conhece é o que lhe chega ao e-mail, ao telemóvel, à sua secretária. O jornalista já não vai à procura dos factos, fica na redacção à espera que os factos cheguem a si, ou então, no mundo da televisão, cai de pára-quedas num directo só para fazer umas perguntas a A ou a B sobre um facto que lhe foi contado.
O jornalismo de hoje é essencialmente um "diz que disse", não se faz investigação dos factos. E os jornalistas, alimentando esta sua forma de trabalhar, acabam eles próprios por dar mais valor ao que C disse sobre D, e o que E disse sobre o que C disse, em vez de dar valor à descoberta de verdadeiros factos. Não digo que opiniões proferidas por pessoas importantes não são relevantes, mas assiste-se hoje a uma sobrevalorização, que é tipo bola de neve, porque depois há os ecos dos que comentam o comentário.
Por outro lado, como se costuma dizer, o trabalho enbrutece. A sobrecarga de trabalho sobre as redacções leva o jornalista a deixar de lado o seu espírito crítico. Ele é pago para escrever, não para pensar. Não questiona as informações que lhe chegam à secretária, apenas as passa de mão em mão.
Ora, junte-se este estado a que chegaram as redacções dos nossos meios de comunicação ao trabalho profissional e eficaz das agências de comunicação, e o resultado é uma fácil manipulação dos temas discutidos na sociedade, uma facil manipulação da opinião pública.
Resumindo, uma sociedade livre e esclarecida não se deve sentir ameaçada pelas agências de comunicação, mas por outro lado deve saber questionar a informação que lhe é dada e exigir qualidade no trabalho de quem informa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Dizem-me que não foi bem assim...




Na penultima edição da revista sábado é exibida uma das frases da semana dita por Francisco Louçã, que justifica as nacionalizações do periodo do PREC como uma necessidade decorrente do facto dos "Mellos" e dos "Champalimaud" terem fugido do país. Há aqui uma clara confusão entre causa e efeito...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Boas razões para não votar no Bloco de Esquerda...

As propostas mais inauditas do bloco de esquerda:

“• Portugal deve sair da NATO e pugnar pela extinção deste e de todos os blocos militares.”

“• Portugal deve bater-se pelo encerramento de todas as bases militares estrangeiras na Europa e pôr termo à

cedência da Base das Lajes, nos Açores, aos EUA.”

“• Portugal deve defender o desarmamento geral e universal, e opor-se, como membro da UE, à constituição

de uma força armada europeia.”

“• Regularização dos clandestinos e a legalização dos imigrantes, com todos os direitos e deveres”

“• Reconhecimento legal de todos os pais e mães homossexuais ou bissexuais que já existem e já formam

uma família;”

“• Interviremos na revisão constitucional no sentido de manter as virtualidades democráticas, sociais e pacíficas

da Constituição da República, rejeitando a descaracterização liberal e o atrofiamento democrático,

com defesa firme dos limites materiais da revisão, definidos no próprio corpo da CRP no seu artigo 288º.

O Bloco de Esquerda não tem uma visão imobilista do Estado constitucional mas rejeita e combate toda a

perspectiva regressiva. “

“• Instalação de câmaras de vídeo nas esquadras, para registar os depoimentos e interrogatórios a detidos,

assegurando o cumprimento da lei e dos direitos das pessoas(...)"

“• Regime de segurança pública preventiva e de base comunitária;”

“• Policiamento de proximidade com a intervenção activa das populações, através de conselhos municipais

e de freguesia em que estejam representadas todas as comunidades e em particular os mais jovens;”

“• A rejeição das patentes de software;”

“• Impedir posição dominante no mercado de jornais nacionais generalistas e na imprensa especializada

mais relevante (economia e desporto);”

“• Banco público de terras: todas as terras públicas e privadas com aptidão agrícola e em situação de abandono

devem ser integradas num banco de terras gerido pelo Estado, sendo arrendadas a projectos agrícolas,

com prioridade à instalação de jovens agricultores;”

“• Exclusão da agricultura das negociações da OMC e dos acordos bilaterais;”

“• Fim de rodeos, de touradas de morte ou à vara.”

“• Fim do uso de animais nos circos, promovendo a qualificação de profissionais do novo circo;”

“• Definição legal das regras de tratamento de animais de companhia.”

“• A parte da ENI e de Américo Amorim-Sonangol na Galp devem reverter para o Estado, e o capital público

deve voltar a ser maioritário na EDP;”

“• Os pagamentos em espécie devem ser tributados (como o usufruto de viaturas de serviço e o uso livre de

telemóveis).

“• Agravamento da tributação em IMI da situação de desocupação das casas.”

“• a constituição de turmas de nível (turmas de “bons” e de “maus” alunos);”

“• a prescrição médica de heroína no âmbito da assistência e tratamento dos toxicodependentes;”

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O meu resultado!














Um autêntico muro de Berlim separa-me do Luís Oliveira. Eu sou a RFA, ele, a RDA. Dizem que a história tende a repetir-se. Chegará alguma vez o dia em que Luís (o esquerdalho) tentará saltar o muro para comprar, quem sabe, um Renault ou um Macintosh? Eu cá saltava! Não queria andar toda a minha vida, a conduzir um Lada!

Uma excelente notícia

Japão assume, unilateral e espontaneamente, o compromisso de redução em 25% da emissão de gases de efeito de estufa em relação ao nível de 1990

Desde há uns tempos para cá que me tenho dedicado com extrema atenção à temática dos acordos da Conference of the Parties (que originou no famoso Protocolo de Quioto) e que tem governado o centro do debate em torno das emissões dos gases de efeito de estufa. A UE fez bem em assumir a dianteira, ao se comprometer numa redução até 2020 (conjunta, mas diferenciada) em 8% aos níveis de 1990. A sua clara concepção de dianteira estava patente nos valores anteriormente assumidos pelos EUA e pelo Japão: 7%.

Anteontem, o Japão (com um novo primeiro-ministro, este mais progressista) ultrapassou todas as expectativas ao se comprometer com uma redução de 25%. A UE terá agora de se esforçar para retomar a fronteira do combate às alterações climáticas, tal como tem feito até agora.

Esta disciplina induzida por esta decisão do Japão traz um precedente fantástico que antevê grandes debates e decisões por altura da COP15, em Copenhaga, em Dezembro próximo, onde se esperam mais avanços do que na edição do ano passado em Poznan (Polónia). Nessa altura, cá estarei para retomar o tema. Já não falta muito. (Site da UNFCCC)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A nova mandatária do PS

A nova mandatária do PS não gosta de caroços e afirma preferir fazer batota a correr o risco de perder.

Imagino que nas próximas almoçaradas-comício do partido socialista estarão delegados a retirar os caroços da fruta, ou então, será providenciada fruta enlatada do tipo “melocotón” para agradar à novíssima mandatária, Carolina Patrocínio.

Conta-me como foi...

A propósito de troca de bandeiras, desta feita em Espanha...

Um caso semelhante de troca de bandeiras passou-se em Espanha.

Um indivíduo subiu a um edifício público e trocou a bandeira monárquica pela republicana. Foi condenado a pagar uma multa pelo crime de ultraje a Espanha. Recusa-se agora a pagar arriscando-se assim, a cumprir pena de prisão subsidiária.

Como se vê, não é só em Portugal que se considera importante sancionar o crime de ultraje, também a nossa vizinha Espanha partilha do mesmo entendimento e assim já não se pode usar aquele argumento bacoco de que ainda existem resquícios de uma mentalidade salazarista, só porque se considera o crime tal como ele é.

Agora não me venham dizer que isto tem a ver com o Franco ou com a Inquisição espanhola…

*agradecimento especial ao Vasco Campilho que através do seu blog me informou acerca deste incidente.

domingo, 6 de setembro de 2009

Uma aluna com muito para aprender

Desde os seus tempos de estudante que Manuela Ferreira Leite não tinha uma lição de Economia.

Hoje Francisco Louçã matou-lhe as saudades.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mitos (2)

Alguns não perceberam o alcance completo daquilo que eu quis dizer aquando da minha colagem do programa e intenções do PSD ao dogmatismo ideológico. Por isso, vou colocar aqui um exemplo recente de como a ideologia se sobrepõe facilmente à ciência. Não preciso de ir muito longe; na verdade, vou usar um cavalo de batalha forte da direita: a ideia de que o investimento público previsto vai secar o crédito às empresas (e, mais especificamente, às PME) e que tal provocará um aumento das taxas de juro.

Ora, isso é uma mentira pegada. É preciso notar que, até há bem pouco tempo, grande parte do Mundo Ocidental esteve à beira de entrar numa situação que a Economia apelida de “armadilha de liquidez”. É uma situação que ocorre em crises financeiras profundas e que se caracteriza, entre outras coisas, pela coisa estranha de as pessoas serem indiferentes entre manter liquidez no bolso ou investir em títulos. Os factos não enganavam: a crise foi profunda, as taxas de juro eram baixíssimas e o consumo e o investimento estavam em queda abrupta. Pior do que tudo, os preços ameaçavam entrar em descida incontrolada.

Numa armadilha de liquidez, de nada vale às autoridades monetárias injectar moeda para relançar o consumo, na medida em que este é sucessivamente adiado (por força das expectativas deflaccionárias) e porque é uma situação de forte sensibilidade após um choque tremendo, o que causa repulsa a gastos não-correntes das famílias e a investimentos empresariais. Ou seja, é aquela situação anómala de haver tanta liquidez na economia mas sem que ninguém faça uso dela de modo produtivo. Foi uma situação que caracterizou o Japão nos últimos 17 anos (e ainda não está totalmente resolvida), mas que podemos evitar se tomarmos as medidas correctas.

Há bocado vagueava pelo site do Banco Central Europeu e constatei que tinham lançado hoje mesmo dados novos sobre as taxas de juro e os depósitos e empréstimos bancários (PDF). O que constatei foi o óbvio e o esperado – o que não falta nos bancos hoje é dinheiro:
- a poupança das famílias e das empresas tem vindo a aumentar significativamente desde há um ano, apesar do desemprego;
- as operações de mercado aberto (no caso, injecção massiva de liquidez) do BCE, da Fed e dos BC’s do Reino Unido e da Suíça acrescentaram ainda mais dinheiro ao sistema financeiro;
- o Estado Português, à semelhança de outros, deu um aval bancário que garante a sustentabilidade do sistema em período de crise.

Ou seja, os países ocidentais já andam a lançar projectos de despesa dita megalómana e de recuperação económica à custa do crédito há vários meses e as taxas de juro nem pestanejaram – na realidade, as taxas têm vindo a descer cada vez mais, atingindo níveis mínimos históricos aqui e ali, e a poupança está anomalamente elevada. Há tanta liquidez no sistema que vai ser preciso dois ou três anos para que os investimentos do Estado tenham efeito significativo sobre as taxas de juro.

Resumindo: a injecção monetária nada resolve, pois o que esta faz é apenas provocar maior pressão para a baixa das taxas de juro. E com a inutilidade de desvalorizar moedas (porque a recessão é global e aumentar competitividade neste momento não dá em muito), a única política eficaz nesta situação é (e sempre foi) a política orçamental expansionista. Não significa gastar "só porque sim"; significa apenas que se deve aproveitar a oportunidade para reestruturar a economia e para fazer o investimento público necessário agora que as taxas de juro estão baixas. Chamo a isto "política contra-cíclica com duplo dividendo". E o melhor de tudo é que nem é preciso ser-se keynesiano para perceber isto. É a Economia, estúpido!


(Para informações mais técnicas e detalhadas sobre a armadilha de liquidez, ver estes posts do Krugman e este magnífico do Brad DeLong)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Para Mais Tarde Recordar

"Passos contra “fantasia” de PSD repetir vitória à Cavaco" in Público

A História repete-se...
Passos Coelho vai querer recordar esta notícia se as coisas correrem mal para o PSD. Vai dizer: "eu avisei". Compreende-se: ele não vai ganhar nada, pessoalmente, com uma vitória do PSD; mais vale ir preparando para capitalizar com uma derrota.
Mas note-se, isto nao é um aviso sincero e honesto. Um aviso honesto, nesta altura de pré-campanha não devia ser feito publicamente e, mais, não devia ter o tom de crítica que é inegável. E isto o demonstra a qualificação como falaciosa da possibilidade de governar em maioria relativa.
Parece que Passos Coelho já se esqueceu da razão pela qual não foi incluído nas listas do PSD para a AR. Actua com os olhos postos no seu interesse pessoal, deixando de lado o interesse do partido num momento tão determinante. Resumindo, não demonstra a lealdade necessária para servir o partido.
As pessoas têm a liberdade de discordar das orientações do seu partido, mas as discordâncias devem ser expressas de forma construtiva e não para servir tácticas de aproveitamento pessoal.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Desigualdade de rendimentos, a prometida continuação…





Prosseguindo a linha de raciocínio do meu último post, acerca da desigualdade de rendimentos e das fórmulas estatais de combate á pobreza, ia precisamente no ponto em que se constatou que os rendimentos mínimos de subsistência, cuja criação tinha como propósito o combate á pobreza acabavam por manter as famílias que dele dependiam, na pobreza. Como disse, muitos dos sociólogos que vislumbraram este fenómeno da estagnação da pobreza explicavam que as famílias dependentes do subsidio não tinham estímulo para sair desta situação.

Nos EUA, esta questão foi para o centro de discussão a partir do mandato de Nixon. Os republicanos trouxeram a questão do combate á pobreza para o centro da discussão e fizeram o seguinte raciocínio: durante cerca de 40 anos os democratas mostram-nos os remédios para o combate á pobreza. Eles convenceram-nos que a melhor forma de a combater era subsidiando a subsistência dos mais pobres e criando condições de igualdade de oportunidades e depois disso, passando algum tempo, as novas gerações iriam saindo da pobreza. Durante todo este tempo nos fomos juntamente com eles impulsionadores dessas políticas. Mas passados 40 anos encontramos a pobreza estagnada e não vislumbramos quaisquer melhorias nesse sentido. Parece-nos que é altura de experimentar outros caminhos.
Cientes de que o fim imediato destes subsídios levaria também ao descalabro da sociedade americana, propuseram-se a eliminar faseadamente este ciclo de pobreza. O subsídio manteve-se mas os critérios apertaram. O governo lança um programa denominado Work act. A segurança social propunha aos subsidiados os empregos que iam vagando. Se estes recusassem sucessivamente cortava o subsídio.

Este programa teve efeitos positivos em vários sentidos. Como já disse, as famílias que viviam á gerações dependentes de subsídios, tinham diversos problemas sociais. Problemas que derivam da falta de ocupação produtiva. Os pais desempregados passavam demasiado tempo em casa, desanimados, deprimidos, sem a auto-estima adjacente ao facto de serem o sustento da família, entregavam-se aos vícios e violência doméstica. Assim que começaram a ser cidadãos activos que chegavam a casa tarde e cansados do trabalho, mas ao mesmo tempo animados por cumprirem a função devida, deixou de sobrar o tempo e a energia para a desestabilização do lar. O orgulho no trabalho curou-os, e serviram de exemplo e modelo às gerações descendentes.

Esta foi uma das soluções do partido republicano para o problema da pobreza e acredito sinceramente que o incentivo ao trabalho solucionará muitos dos problemas sociais. Acredito, com base na razão e não na fé. Á fé reservo outro espaço que não acção política. A minha razão baseia-se na ciência e não na religião. E julgo que está ao alcance das capacidades interpretativas de todos que isto é uma solução para a pobreza e não a apologia da pobreza.
Todas as interpretações que quiserem retirar daqui e que não se baseiem em nada do que aqui digo não são para mim bem-vindas, assim como todos os ataques pessoais despropositados e descontextualizados aos quais não responderei como até aqui tenho feito. Terei todo o prazer em discutir opiniões, opções e ideologias com a educação e boa-formação desejável para um debate saudável.
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