quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Demonização (2)

No meu penúltimo post, ficou por denunciar a falsidade da acusação por parte dos partidos da esquerda de que o PSD pretende um Estado mínimo.
Dizem, e repetem, que o PSD quer privatizar saúde e segurança social.
Em primeiro lugar, coloca-se a questão do que se quer dizer com "privatizar". Vender aos privados? O PSD nunca propôs isso, nem na saúde nem na segurança social.
Entregar à gestão dos privados? Isto está proposto para a saúde, mas também não é nada que o PS não tenha feito. Desde que correctamente reguladas, as parcerias publico-privadas podem ser uma boa alternativa a uma gestão exclusivamente pública e têm claras vantagens quanto aos custos iniciais de construção dos equipamentos. O importante, isso sim, é que a sua regulação assente em previsões correctas, coisa que não tem acontecido.
Já quanto à segurança social, nunca se propôs entregar a gestão dos fundos da segurança social aos privados, nem isso faria qualquer sentido.
Será que queriam dizer que o PSD propõe a aplicação dos fundos de pensões no mercado de capitais? Mas isto já se faz...
Ou referiam-se à proposta que, aquando da reforma da segurança social, o PSD apresentou na AR, segundo a qual o contribuinte podia escolher dar parte das suas contribuições para um fundo de investimento gerido pelo Estado? Bem, mas não vejo em que é que isto é uma privatização. É a previsão de que uma parte da futura reforma será garantida, não pelos futuros contribuintes, mas pelas contribuições que o próprio pensionista fez. E acresce que o PSD, neste momento, nem propõe isso!
Propõe manter o regime da segurança social tal como ele está. Não esconde a sua posição face à questão, que é a de reforçar consciência de responsabilidade individual, e defende que se estudem medidas nesse sentido, mas está expresso que, na legislatura que se propõe agora cumprir, não quer alterar o regime da segurança social.
A esquerda utilizou aqui a técnica de aterrorizar as pessoas, como se o PSD viesse agora com a intenção escondida de acabar com todo o Estado social numa só legislatura. É uma técnica que, através da mentira, apela à ignorância do povo português e que aprofunda essa ignorância. É uma técnica que pretende fazer com que, incutindo medo nas pessoas, elas nem sequer se interessem por saber o que realmente está em causa e o que é proposto.

6 comentários:

  1. Oh Louis tira a pala pá :p

    O programa do PSD diz na página 17 ponto 14 que a reforma dos portugueses deve ser crescentemente encarada como uma responsabilidade individual. E acrescenta a medida do "progressivo plafonamento do valor das contribuições e das pensões mais elevadas".

    Ora isto é claro como água: essa expressão só tem um sentido, o de definição de tectos contributivos. Pessoas com salários elevados passam a descontar só até certo valor, assegurando o Estado a pensão correspondente a esse desconto. O remanescente caberia a cada um, que poderia, por exemplo, usufruir de fundos de pensões públicos ou privados.

    Uma proposta semelhante àquela que é feita pelo CDS, defensável, capaz de ser tão criticada como outra qualquer, não deixando de ser uma proposta que legitimamente cabe apresentar ao eletorado em sede de campanha eleitoral.

    Fala-se em "privatização" aqui no sentido em que aquela parte acima do valor determinado deixa de entrar nos cofres da SS, o que representa, claro, menos receita para pagar as pensões actuais. É! uma alteração MUITO significativa ao sistema vigente, capaz de conduzir a profundas necessidades em termos de financiamento alternativo, pelo que deveria ser discutido com a coisa séria que é.

    Ora, aqui NÃO é legítimo é fazer o que o PSD fez: dizer alhos e bugalhos, pôr no programa que vai deixar a SS como está mas ao mesmo tempo falar em "plafonamento" quase que subrepticiamente, como quem espera que o uso do termo técnico sirva para esconder a proposta que lhe está subjacente.

    Eu até consigo respeitar esquerdalhos que defendam alarvidades como as nacionalizações, desde que o façam às claras, em campanha, convictos daquilo em que acreditam e transparentes nas suas intenções.

    Já não sou capaz de dizer o mesmo de certas senhoras que se dizem a encarnação da VERDADE na Terra, mas que nem numa matéria tão essencial como esta são capazes de ser totalmente claras nos objectivos a que se propõem ;p

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  2. Manuel,

    Não estás a fazer uso de todas as tuas capacidades interpretativas!
    A frase que tu citas começa com a seguinte e importantíssima palavra: "Estudaremos".
    Como disse, o PSD não esconde que defende esse caminho de reforço da responsabilidade individual. Mas afirma que não vai alterar o regime de SS nesta legislatura. Não me parece que haja aqui qualquer incoerência. O que há é uma acertada consciência de que agora não é momento para introduzir medidas nesse sentido.

    Outra questão é a de eventualmente poderes não acreditar que essas medidas vão apenas ser estudadas. Mas isso tem a ver com a tua confiança no cumprimento do programa.

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  3. O PSD "estudará" o TGV. O PSD "estudará" o novo aeroporto. O PSD "estudará" a privatização da segurança social. O PSD "estudará" um novo modelo de avaliação dos professores...

    Se formos a acreditar nisso, então é de concluir o quê? Que o PSD não tem opinião formada sobre várias questões estratégicas para o país e que ainda assim pede ao eleitor um cheque em branco? É suposto eu pôr lá a cruzinha na expectativa de que que a Manelita é uma qualquer iluminada que depois de muito estudar vai decidir o que é melhor pra todos nós? Dar o benefício da dúvida e depois logo se vê? Oh por amor de Deus...

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  4. Não há nada de cheque em branco nesta questão da segurança social. Sabemos que o regime da SS não será alterado e sabemos em que sentido vão as medidas cuja aplicação é de estudar, apesar de não serem de aplicar já esta legislatura.

    O TGV será suspenso e a concreta definição do futuro depende de negociações com a UE e Espanha.

    O aeroporto, já foi dito, deverá ser construído por módulos. Mas é óbvio que a possibilidade de isso ser feito depende de estudos a fazer. Até parece que não fazes ideia de todo o procedimento para se iniciar uma obra pública dessa grandeza.

    Quanto ao modelo de avaliação dos professores, sim, admito que é passar um cheque em branco. Mas, tendo em conta o que vem sendo dito sobre o assunto, não me preocupa muito passar esse cheque.

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  5. Então admites:

    1) que o sentido que o PSD aponta para a SS é efectivamente o da privatização parcial, pelo que as soluções que vão desenvolver/estudar nos próximos anos vão nesse sentido;

    2) que o PSD passados todos estes anos não tem postura definida sobre o futuro do TGV (é o "nim") e mais uma vez vai ter com os espanhóis sem saber bem o que quer, enquanto eles já têm tudo definido (sim no Governo Barroso esta postura de levar tudo em aberto deu excelentes resultados para o interesse nacional!);

    3) que a posição do PSD sobre o aeroporto é estudar a posição que vão tomar sobre o aeroporto LOL (como dizes, vamos lá ver se os módulos são exequíveis ou não, se não logo se vê...);

    4) que em matéria de relação Governo-docentes vamos dar um cheque em branco a alguém que quando ocupou a pasta da educação criou ali uma relação de amizade que toda a gente conhece...

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  6. 1) Sim

    2) A posição é definida. O TGV é uma obra com vantagens para o país, mas este não é o momento.

    3) Sim, mas o facto de se dizer que deve ser feito por módulos já demonstra que a indefinição não é tanta.

    4) Sim

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