
Prosseguindo a linha de raciocínio do meu último post, acerca da desigualdade de rendimentos e das fórmulas estatais de combate á pobreza, ia precisamente no ponto em que se constatou que os rendimentos mínimos de subsistência, cuja criação tinha como propósito o combate á pobreza acabavam por manter as famílias que dele dependiam, na pobreza. Como disse, muitos dos sociólogos que vislumbraram este fenómeno da estagnação da pobreza explicavam que as famílias dependentes do subsidio não tinham estímulo para sair desta situação.
Nos EUA, esta questão foi para o centro de discussão a partir do mandato de Nixon. Os republicanos trouxeram a questão do combate á pobreza para o centro da discussão e fizeram o seguinte raciocínio: durante cerca de 40 anos os democratas mostram-nos os remédios para o combate á pobreza. Eles convenceram-nos que a melhor forma de a combater era subsidiando a subsistência dos mais pobres e criando condições de igualdade de oportunidades e depois disso, passando algum tempo, as novas gerações iriam saindo da pobreza. Durante todo este tempo nos fomos juntamente com eles impulsionadores dessas políticas. Mas passados 40 anos encontramos a pobreza estagnada e não vislumbramos quaisquer melhorias nesse sentido. Parece-nos que é altura de experimentar outros caminhos.
Cientes de que o fim imediato destes subsídios levaria também ao descalabro da sociedade americana, propuseram-se a eliminar faseadamente este ciclo de pobreza. O subsídio manteve-se mas os critérios apertaram. O governo lança um programa denominado Work act. A segurança social propunha aos subsidiados os empregos que iam vagando. Se estes recusassem sucessivamente cortava o subsídio.
Este programa teve efeitos positivos em vários sentidos. Como já disse, as famílias que viviam á gerações dependentes de subsídios, tinham diversos problemas sociais. Problemas que derivam da falta de ocupação produtiva. Os pais desempregados passavam demasiado tempo em casa, desanimados, deprimidos, sem a auto-estima adjacente ao facto de serem o sustento da família, entregavam-se aos vícios e violência doméstica. Assim que começaram a ser cidadãos activos que chegavam a casa tarde e cansados do trabalho, mas ao mesmo tempo animados por cumprirem a função devida, deixou de sobrar o tempo e a energia para a desestabilização do lar. O orgulho no trabalho curou-os, e serviram de exemplo e modelo às gerações descendentes.
Esta foi uma das soluções do partido republicano para o problema da pobreza e acredito sinceramente que o incentivo ao trabalho solucionará muitos dos problemas sociais. Acredito, com base na razão e não na fé. Á fé reservo outro espaço que não acção política. A minha razão baseia-se na ciência e não na religião. E julgo que está ao alcance das capacidades interpretativas de todos que isto é uma solução para a pobreza e não a apologia da pobreza.
Todas as interpretações que quiserem retirar daqui e que não se baseiem em nada do que aqui digo não são para mim bem-vindas, assim como todos os ataques pessoais despropositados e descontextualizados aos quais não responderei como até aqui tenho feito. Terei todo o prazer em discutir opiniões, opções e ideologias com a educação e boa-formação desejável para um debate saudável.
Nos EUA, esta questão foi para o centro de discussão a partir do mandato de Nixon. Os republicanos trouxeram a questão do combate á pobreza para o centro da discussão e fizeram o seguinte raciocínio: durante cerca de 40 anos os democratas mostram-nos os remédios para o combate á pobreza. Eles convenceram-nos que a melhor forma de a combater era subsidiando a subsistência dos mais pobres e criando condições de igualdade de oportunidades e depois disso, passando algum tempo, as novas gerações iriam saindo da pobreza. Durante todo este tempo nos fomos juntamente com eles impulsionadores dessas políticas. Mas passados 40 anos encontramos a pobreza estagnada e não vislumbramos quaisquer melhorias nesse sentido. Parece-nos que é altura de experimentar outros caminhos.
Cientes de que o fim imediato destes subsídios levaria também ao descalabro da sociedade americana, propuseram-se a eliminar faseadamente este ciclo de pobreza. O subsídio manteve-se mas os critérios apertaram. O governo lança um programa denominado Work act. A segurança social propunha aos subsidiados os empregos que iam vagando. Se estes recusassem sucessivamente cortava o subsídio.
Este programa teve efeitos positivos em vários sentidos. Como já disse, as famílias que viviam á gerações dependentes de subsídios, tinham diversos problemas sociais. Problemas que derivam da falta de ocupação produtiva. Os pais desempregados passavam demasiado tempo em casa, desanimados, deprimidos, sem a auto-estima adjacente ao facto de serem o sustento da família, entregavam-se aos vícios e violência doméstica. Assim que começaram a ser cidadãos activos que chegavam a casa tarde e cansados do trabalho, mas ao mesmo tempo animados por cumprirem a função devida, deixou de sobrar o tempo e a energia para a desestabilização do lar. O orgulho no trabalho curou-os, e serviram de exemplo e modelo às gerações descendentes.
Esta foi uma das soluções do partido republicano para o problema da pobreza e acredito sinceramente que o incentivo ao trabalho solucionará muitos dos problemas sociais. Acredito, com base na razão e não na fé. Á fé reservo outro espaço que não acção política. A minha razão baseia-se na ciência e não na religião. E julgo que está ao alcance das capacidades interpretativas de todos que isto é uma solução para a pobreza e não a apologia da pobreza.
Todas as interpretações que quiserem retirar daqui e que não se baseiem em nada do que aqui digo não são para mim bem-vindas, assim como todos os ataques pessoais despropositados e descontextualizados aos quais não responderei como até aqui tenho feito. Terei todo o prazer em discutir opiniões, opções e ideologias com a educação e boa-formação desejável para um debate saudável.
Caro JNS,
ResponderEliminarNão sei se continuarás a sequência, mas felicito-te por esta contribuição. Desta vez, não tenho qualquer tipo de oposição ao que dizes: não se pretende um subsídio assistencialista, mas sim um apoio aos pobres. A questão é que o seguimento cego desta ideia leva, inconsciente e incontroladamente, ao ponto extremo de se estar a combater mais o aproveitamento ilícito do subsídio do que propriamente a pobreza. E isso é contestável.
Não há dúvida alguma que há muito abuso nos subsídios para a pobreza; mas não só uma gota não faz o oceano como também não se pode generalizar essa tua ideia como regularidade, sob pena de excluirmos a assistência a famílias e a contextos verdadeiramente pobres e em constante necessidade de ajuda. Não sei que ideia tens da miséria em Portugal, e acredito que seja igual à minha e à de muita gente (a genérica), mas há por aí muita gente a viver muito muito mal e nem sempre tais condições são consequência da sua indisponibilidade para trabalhar. Aliás, a própria indisponibilidade é, em si e por vezes, inevitável.
É por isso que é mais importante que haja uma verdadeira atenção ao combate à pobreza (com critérios, obviamente) do que ao combate ao aproveitamento de subsídios. Afinal de contas, qual dos dois será mais prioritário?
E em relação ao outro post, confesso que talvez me tenha antecipado na crítica, mas a tua demora em fazer a continuação levou-me a concluir que poderia ser desinteresse ou esquecimento, daí ter reagido com um post; e muito do que lá disseste era axiomático, sem dúvida. A associação à religião foi exclusivamente utilitária, e pretendia apenas uma metáfora inofensiva. Não era um "gozo" à religião nem uma afirmação de que dizias as coisas com base na fé, mas apenas uma notação do paralelismo entre os dogmas religiosos e os dogmas da economia.
Caro Luís Oliveira, aí estamos em acordo, haverá muitos casos de pobreza em que não há outra forma de ajuda que não o subsidio. Por exemplo: é inconsebivel exigir a uma pessoa com deficiencia grave que trabalhe para se sustentar e os estado tem de estar bem presente por essas pessoas. E para estar verdadeiramente por essas pessoas e ajudar naquilo que elas precisam é que tem de se poupar a subsidiar o ócio.
ResponderEliminarO grande problema é que por exemplo em cidades pequenas, como é o caso da minha, se foi crinando um estigma que corresponde em grande medida á verdade (infelizmente), de pessoas que usufruem do rendimento de inserção por tempo indeterminado e se habituaram a esse modo de vida sem terem qualquer estímulo para o ultrapassar. E isso é aspecto leva a uma forte injustiça e revolta das pessoas que trabalham e ainda assim auferem rendimentos pouco superiores a esses pensionistas. O CDS lança este tema para a campanha e só o faz por ter esta percepção da realidade.
Agora não te vou dizer que no que toca á economia concordamos. Eu tenho a convicção de que o estado não pode ser simultaneamente participante e regulador. Eu não encontro vantagens em que participe na economia e já tentei perspectivá-lo em vários sectores. E acho moralmento correcto que o estado se subsidie apenas por constribuições de impostos e taxas e não receitas de empresas de que seja detentor. E tenho sensação de que ai nunca estaremos de acordo e que devemos sempre continuar a discordar com respeito pela diversidade e pluralismo. (estou até a pensar num post á cerca dos moldes em que deve ocorrer o intervencionismo mas isso ficará adiante)