terça-feira, 30 de agosto de 2011

Diga lá outra vez...!!!?

"Quero dizer que a luta continua, e que se a Madeira tem hoje a dívida pública como tem, foi para resistir á esquerda e derrotar sempre a esquerda."(...)"Foi para poder resistir aos roubos que o PS fez á população da madeira".

Alberto João Jardim


Qualquer pessoa que já tenha visitado a ilha da Madeira, ou até mesmo a ilha do Porto Santo, facilmente concordará que o Sr. Jardim (honra lhe seja feita) lá deixou obra. De facto, podemos notar, sobretudo na ilha da Madeira, que não existe por lá localidade por muito remota que seja que não esteja ligada por uma "colossal" via de acesso. Nem que para isso se tenha de atravessar por meio de túnel a mais densa das montanhas, para dar lugar á mais recta via de acesso.
A Madeira, não se pode queixar (e não se queixa) de falta de infra-estruturas públicas. Como o próprio Jardim fez questão de lembrar, (quando Sócrates anunciava aos quatro cantos do mundo o seu keynesiano para acompanhar as tendências de 2008) Keynesiano, ele fôra-o sempre.

Se o "bom político" é aquele que deixa "obra" feita, e se "obra" é só a construção em betão armado, então Jardim, é o melhor político português. Mas é minha convicção de que "obra", no sentido político do termo, tem um significado bem mais lato do que este. E, neste sentido, a "obra" de Jardim faz-se acompanhar de uma herança pesadíssima, onde também se lhe inclui uma factura com números bem grandes e um escusado deficit democrático.

O PSD da republica (como jardim faz questão de distinguir) tem uma certa dificuldade em lidar com o assunto "Jardim". É que se por um lado se faz uma campanha legislativa a crucificar o despesismo socialista no continente, em outra ocasião (nas regionais), não podemos elogiar o despesismo regional da Madeira. Para a Madeira e para o Dr. Jardim, o PSD sempre teve dois pesos e duas medidas a que nunca teve direito o resto do país. Na retórica social-democrata, a imaculada "obra" é justificação para todos os males. Ao pé de tamanha grandeza esses males não passariam de "peanuts".

Carlos Abreu Amorim foi o último, da bancada social democrata, a defender Jardim dizendo que é a "personalidade mais injustiçada na vida política portuguesa". Talvez se tenha esquecido, que aqui, os verdadeiros injustiçados são as gerações de portugueses do continente e regiões que vão ter de acudir á factura da obsessão jardinista pela "obra" feita, cujo valor não considero propriamente irrelevante. Ou talvez para Amorim, também seja insignificante que, por exemplo, a ilha do Porto Santo só tenha começado a sentir o "cunho reformista" do Governo Regional apartir do momento em que a autarquia virou laranja?
Que Jardim diga coisas semelhantes ao supracitado já não me choca, porque, de certa forma, já vamos estando habituados. Mas quando os intelectuais e independentes do PSD publicitam o Jardinismo como modelo, já me faz pensar que, cada vez mais, na política vale tudo...
Relativamente a citação de Jardim, nem sei bem por onde começar, por isso termino aqui.

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