quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Preâmbulos de um país à beira mar plantado.

A semana ficou marcada pela confusão financeira da Madeira. Ao que parece, o Governo de João Jardim escondeu a real dimensão da dívida, que se foi acumulando nos últimos 30 anos. Novidade? Não. As últimas três décadas ficaram marcadas por uma política autocrata do próprio Alberto João Jardim. Tal e qual um principado, a ilha da Madeira conquistou o título de Pérola do Atlântico. Mas esta pérola é afinal uma bijutaria, com uma casquinha de oiro.
Para além da responsabilidade de reporte que existia, e existe, das autoridades insulares, existia também o dever por parte das autoridades competentes, como o Banco de Portugal, o Tribunal de Contas, a Autoridade da Concorrência e outras entidades de supervisão, de inspeccionar as finanças regionais. Mas tudo isso falhou. E tal e qual o caso BPN, também aqui a cegueira se tornou pandémica. Perante isto, a responsabilidade tem que ser imputada a todos os intervenientes desta pândega económica.
O assunto não caiu bem no seio do PSD nacional, nem poderia ser de outra maneira. A bomba foi colocada nos pés do próprio Primeiro-Ministro e prontinha a rebentar. O ditado já é antigo: com amigos assim, não é necessário ter inimigos. E Pedro Passos Coelho já percebeu que João Jardim é uma pedra no sapato, no seu próprio sapato.
A entrevista do Primeiro-Ministro à RTP, que aconteceu na última terça-feira, foi cristalina. E perante este e outros assuntos, Pedro Passos Coelho demonstrou uma clareza e serenidade de ideias e convicções. Chegou ao ponto de parecer estranho ver um Primeiro-Ministro falar a realidade ao país, com verdade e sinceridade. Já não estávamos habituados a tal cenário. Mas Passos Coelho clarificou as mentes mais incautas ao demonstrar que conhece a realidade do país e sabe para onde deve levar o país. Isso é maravilhoso nos tempos de correm. Anarquia jamais.
Por último, não posso deixar de enunciar as palavras do Professor Medina Carreira, um dos poucos homens sábios que existem em Portugal, numa tertúlia que decorreu esta semana no Casino da Figueira da Foz. E assim sendo diz o Professor: “Estamos com as baterias contra o dr. João Jardim (...), mas temos muita gente que à frente dele devia sentar-se no banco dos réus. As pessoas que puseram este País no estado em que está deveriam ser julgadas”. E acrescenta:"Era seleccioná-los, porque houve uma data de mentirosos a governar". Veritas est.

(esta é crónica que escrevo semanalmente para o Jornal Povo de Fafe)

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