Hoje há referendo na Catalunha. Pergunta-se aos indivíduos com mais de 16 anos se aceitam que a sua região se desprenda do poder centralista e chauvinista de Madrid e se torne uma nação soberana, independente do laço artificial espanhol que muitos dizem ser uma mentira.
É curioso fazer uma transposição do caso catalão para o caso galego, bem como para o caso nortenho-português. Os catalães e os galegos são duas nações não-reconhecidas oficialmente pelo governo Espanhol, e cujas populações se predispõem, em larga proporção, a perseguir a justa independência sob o princípio da auto-determinação dos povos. Inclusivamente, aqui perto de mim, na Galiza-Norte (em Espanha), há imensos movimentos e partidos políticos regionalistas e separatistas, alguns deles com significativa expressão parlamentar (o Bloco Nacionalista Galego, que é uma agremiação de vários partidos separatistas de todo o espectro político, é o terceiro partido e reune imensos apoiantes e militantes).

Cá em Portugal, o sentimento separatista não anda muito fértil, mas já o foi no passado na Madeira e nos Açores (no pós-1974). Ainda assim, a região com mais proximidade cultural, social e linguística para além das fronteiras artificiais é a região Norte, que possui uma afinidade tremenda com a região Galega espanhola, sendo também a região com mais propensão regionalista e separatista. Na verdade, tudo o que vai do Rio Minho até à latitude do Douro, fechando em Trás-os-Montes é, para todos os efeitos, a Galiza. Apesar das mentiras veiculadas sistematicamente nos manuais escolares e da pseudo-nacionalidade lusa que os meios de comunicação ajudam a usar até à exaustão, o Norte de Portugal fez parte do Reino Galaico já desde as alturas do Império Romano e durante muito mais anos do que aqueles que o Estado de Portugal tem; e a nação galaica ainda hoje permanece, embora sem estatuto de independência e/ou soberania.
Não me assusta a separação do Norte do Estado Português. É no Norte que está o tecido produtivo, a população empregue na produção de bens transaccionáveis, a pujante demografia, o hábito e disciplina de exportação, a melhor cultura do respeito pelas afinidades étnicas e culturais próprias, a responsabilidade orçamental, e a verdadeira identidade que une o seu povo. O Norte é mais do que capaz de se governar sozinho e/ou em conjunto com a parte norte-galega, região com a qual certamente sente muito maior afinidade do que com os multiculturais imperialistas chupadores "bronzeados" da parte Sul de Portugal.
É que, para além da roubalheira mais do que evidente que o território Centro-Sul faz ao Norte a cada dia que passa, ainda fazem questão de proibir partidos políticos de índole ou âmbito regional, prendendo os movimentos no sentido da auto-determinação. É um jogo sujo, desleal e ingrato para com a região que fundou, gerou e influenciou aquilo que hoje se convém chamar Portugal.
Não nos equivoquemos: Espanha e Portugal são Estados-Fantasma que nasceram a partir de nações confinadas em regiões que hoje desprezam e espezinham. Aliás, no caso concreto de Portugal (cujo nome descede de Portus-Calle - Porto-Gaia), continua a ser vendida a falsa história do regresso a um esplendor do passado que nunca existiu. Portugal nunca foi grande, mas a sua pequenez mental enquanto país crê religiosamente num passado glorioso que jamais existiu, mas que serve apenas para nacionalismos lusitanos bacocos e sem qualquer propósito.
Esta é uma questão que convém ser abordada quando for feita a regionalização. A meu ver, podemos bradar pela divisão do país em regiões, mas não será isso que nos trará a independência, soberania e auto-determinação que a separação do lado mouro do pseudo-país em que vivemos algum dia nos trará. Daí que um dos passos fundamentais para a nossa afirmação enquanto região tenha de passar, na minha opinião, pelo separatismo do chauvinismo regional e do holocausto linguísto, cultural e social que afecta a região Norte e que tem assolado e prejudicado as suas gentes há muitos e muitos anos. É preciso ser de cá para o perceber e o sentir.
"multiculturais imperialistas chupadores "bronzeados" da parte Sul de Portugal"
ResponderEliminarSe Adolf Hitler fosse português e acha-se que a raça ariana era a da malta do norte a sua retórica seria mais ou menos semelhante.
Eu sou da região centro, onde é que me incluo? Nos capazes, ou nos "multiculturais imperialistas chupadores bronzeados do sul". Não tenho nada contra os multiculturais até gostava de ser mais bronzeado e imperialista se houvesse império. Agora "chupador"...isso já tem muitas interpretações e nenhuma delas me agrada...
Olha, parece que Lisboa "roubou" mesmo o Red Bull Air Race!
ResponderEliminarMuito bom! Fico contente que o espírito nacionalista galaico continua vivo, e pelos vistos em franca ascenção.
ResponderEliminarViva a Gallaecia, nação milenar!
Que a chama galaica nunca se extingua! Lembrem-se dos escoceses que nos anos 40 juravam a pés juntos serem todos ingleses, e em 2014 irão com certeza conseguir a independência.
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