De um ponto de vista estritamente macroeconómico, 2010 tem todos os ingredientes para ser um ano mau. Não me refiro só a Portugal nem à Europa ou ao disparate que continua a ser a Zona Euro, tampouco me refiro a um certo "estado das coisas" mundial circunscrito numa lógica puramente contabilística do crescimento económico.
Concordamos que tivemos coisas más nos últimos meses, independentemente da ideologia que tenhamos. Com a crise financeira e subsequentemente económica, vi gente a unir-se como ainda não tinha visto. Por muito que sejamos diferentes em ideologias, nenhum de nós terá prazer no colapso que se deu no centro financeiro de Wall Street, na medida em que o desleixo (para não dizer mais) dos seus actores levou a emergências sociais em todo o Mundo. Devia ser esse o princípio que nos deveria unir e repensar algo que está mal, mas cuja discussão está emperrada pela luta partidária.
1. Há um ano, Wall Street beneficiou do TARP (financiamento norte-americano estatal de recuperação) no sentido de recapitalizar os seus rácios e balanços, de modo a conter o efeito-dominó da crise. Na Europa, houve movimentos idênticos.
2. Seria de esperar que fossem devolvendo esse dinheiro aos poucos, mas nunca antes de 2 ou 3 anos, o tempo previsto mínimo de recuperação dos centros financeiros. No entanto, a política de baixo juro não foi acautelada (nem nos EUA nem na Europa) e temos três consequências até agora:
a) passou um ano das ajudas financeiras e os bancos já andam a devolver o dinheiro emprestado, graças às enormes mais-valias conseguidas com a especulação bolsista dos últimos 10 meses;
b) a recuperação económica ainda está lenta e corre sério risco de recaída se levar um choquezinho pequeno (é uma criança a recuperar de uma gripe);
c) bancos conseguem financiamento dos bancos centrais a 0% e vendem o crédito a 3, 4, 5 e 6%, nos casos em que de facto emprestam.
3. Com a especulação bolsista que fez retornar os níveis das acções aos valores pré-crise, temos neste momento um desfasamento enorme entre o valor dos títulos de investimento e o valor real das empresas.
4. A acrescer a esse facto, o crescimento económico dos últimos meses é algo enganador, uma vez que se deve principalmente à reposição dos stocks das empresas, fenómeno que abrandará no próximo trimestre.
5. Estão lá os ingredientes para que tudo dê para o torto outra vez. Sistema financeiro à revelia e com trela larga, bancos ajudados mas pessoas ignoradas. É o resultado da entrega dos destinos do Mundo à finança, à alavancagem excessiva dos centros financeiros e ao poder do grande capital.
Digam o que me disserem, seja qual for a vossa ideologia, não me digam que isto "está bem", que "vai ao sítio" ou que "é uma questão de tempo até ficar resolvido". Manter o status quo será bem pior do que aquilo que já presenciamos. 2010 espera-nos e deverá confirmar estes receios.
Concordamos que tivemos coisas más nos últimos meses, independentemente da ideologia que tenhamos. Com a crise financeira e subsequentemente económica, vi gente a unir-se como ainda não tinha visto. Por muito que sejamos diferentes em ideologias, nenhum de nós terá prazer no colapso que se deu no centro financeiro de Wall Street, na medida em que o desleixo (para não dizer mais) dos seus actores levou a emergências sociais em todo o Mundo. Devia ser esse o princípio que nos deveria unir e repensar algo que está mal, mas cuja discussão está emperrada pela luta partidária.
1. Há um ano, Wall Street beneficiou do TARP (financiamento norte-americano estatal de recuperação) no sentido de recapitalizar os seus rácios e balanços, de modo a conter o efeito-dominó da crise. Na Europa, houve movimentos idênticos.
2. Seria de esperar que fossem devolvendo esse dinheiro aos poucos, mas nunca antes de 2 ou 3 anos, o tempo previsto mínimo de recuperação dos centros financeiros. No entanto, a política de baixo juro não foi acautelada (nem nos EUA nem na Europa) e temos três consequências até agora:
a) passou um ano das ajudas financeiras e os bancos já andam a devolver o dinheiro emprestado, graças às enormes mais-valias conseguidas com a especulação bolsista dos últimos 10 meses;
b) a recuperação económica ainda está lenta e corre sério risco de recaída se levar um choquezinho pequeno (é uma criança a recuperar de uma gripe);
c) bancos conseguem financiamento dos bancos centrais a 0% e vendem o crédito a 3, 4, 5 e 6%, nos casos em que de facto emprestam.
3. Com a especulação bolsista que fez retornar os níveis das acções aos valores pré-crise, temos neste momento um desfasamento enorme entre o valor dos títulos de investimento e o valor real das empresas.
4. A acrescer a esse facto, o crescimento económico dos últimos meses é algo enganador, uma vez que se deve principalmente à reposição dos stocks das empresas, fenómeno que abrandará no próximo trimestre.
5. Estão lá os ingredientes para que tudo dê para o torto outra vez. Sistema financeiro à revelia e com trela larga, bancos ajudados mas pessoas ignoradas. É o resultado da entrega dos destinos do Mundo à finança, à alavancagem excessiva dos centros financeiros e ao poder do grande capital.
Digam o que me disserem, seja qual for a vossa ideologia, não me digam que isto "está bem", que "vai ao sítio" ou que "é uma questão de tempo até ficar resolvido". Manter o status quo será bem pior do que aquilo que já presenciamos. 2010 espera-nos e deverá confirmar estes receios.
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