Em 1968, o Clube de Roma lançou um livro chamado "Os Limites do Crescimento". Eu já o li. Era uma obra com 2 objectivos claros: o primeiro era realçar e chamar à atenção do facto de que o crescimento económico poderia não ser ilimitado (tal como geralmente se pensa) e o segundo era o de que esses limites, que existem, não permitiriam mais crescimento demográfico nem a subsequente e crescente procura por recursos naturais. O livro caiu um pouco na sombra ao longo de todos estes anos, mas acabou por deixar uma marca.
Porquê, perguntais? É que me lembrei que se fizeram agora 41 anos da publicação do livro e pouco se pensou/fez/problematizou acerca dele desde então. Em 1968, poder-se-ia ter agido e havia informação no sentido de criar uma nova ordem mundial com preocupações verdes. Falou-se e discutiu-se; reuniram-se muitos especialistas; fizeram-se muitos colóquios e conferências. O dinheiro acabou por falar mais alto e a prioridade revelou-se ser outra.
Hoje, em 2009, fazem-se previsões para daqui a outros 41 anos. Querem reduzir x% de emissões até 2050. O valor numérico é arbitrário - o que importa é meter um número que simbolize um qualquer esforço que deveria antes ser natural e espontâneo. Tal como em 1968, também agora há evidências claras e taxativas sobre os problemas ambientais; mas tal como em 1968, prefere-se pensar que ainda falta muito para lá chegar e que a coisa se vai resolvendo.
A geração de 1968-2009 viu a extinção de imensas espécies animais e florestais. Viu o aumento gradual do nível das águas dos mares. Viu degelo das calotas polares. Viu instabilidade e transformações climáticas severas e, com elas, uma nova grande causa de refugiados. Esta nova geração, a de 2009-2050, aquela da qual eu faço parte, vai ver muito pior do que tudo isso graças à inacção.
Nestas duas semanas, não houve compromisso nas emissões-zero, não houve compromisso de ajuda aos países pobres, não houve responsabilização dos países ocidentais pelos 2 séculos de poluição, não houve standards ambientais de foro tecnológico, não houve entendimento protocolar, nem sequer houve uma porcaria de um documento oficial com alguma esperança para os milhões de pessoas de todo o Mundo que se uniram a esta causa. É de lamentar, mas é este o resultado final.
Um mini-acordo silencioso, interesseiro, com segredos e elitista. Caberá isto num encontro de 193 países que se unem durante 11 dias no sentido de alcançar uma plataforma de entendimento e um protocolo de acção urgente para um problema global, sério, evidente e gravíssimo? Sim, cabe. Basta que haja fé na estupidez do cap-and-trade e que o dinheiro, as oportunidades económicas e os interesses geo-políticos nos indiquem o caminho a seguir quando a causa que nos move deveria ser vista como algo tremendamente superior a tudo isso.

Cartoon de Riber Hansson, «Svenska Dagbladet»
(via aqui)
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Há gente que não entende o conceito de irreversibilidade.
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