Comecemos por falar do papel da oposição em democracia.
Ao contrario do que se diz o PSD de hoje, esforça-se por se distinguir do PS. Assumiu claramente um caminho "programático" que se ajusta perfeitamente ás necessidades do país. Ainda que correndo o risco de ser rotulado de neoliberal, o diagnóstico que este PSD fez ao país é acertado. O nosso Estado é grande demais onde não deve e ineficaz onde deveria ser implacável.
A questão do orçamento veio a revelar, mais uma vez, aquilo que Passos Coelho pensa do país. Passos Coelho mostrou que pensa diferente do governo Socialista. Que o crescimento do Estado enquanto consumidor de recursos deve ser travado. Que o equilíbrio das contas públicas se faz redimensionando o tamanho do Estado ás necessidades imediatas do país e não exigindo, em termos incomportáveis, um esforço que com grande certeza será devastador para a economia portuguesa. 23% de IVA só poderá resultar em mais falências, mais economia paralela e consequente quebra de receita. Não se resolve nenhum problema, apenas se agrava o que existe.
Este é um mau orçamento e isso é consensual entre os analistas, economistas e mesmo por toda oposição. Que este é um mau orçamento é consensual até dentro do próprio PSD. Então porque diabo não deixam Passos Coelho fazer o seu trabalho e chumbar o orçamento? Por uma questão de Interesse nacional. E este orçamento é do interesse nacional?
A segunda questão prende-se com o papel do governo. O que fez até hoje um governo minoritário sempre que quis aprovar um orçamento? Humildemente procurou na oposição possibilidades de negociação do orçamento. O que fez este governo? Sabiamente passou a bola ao PSD e disse: se não houver orçamento e o FMI entrar por aqui a dentro a culpa é do PSD!
Ou seja para o governo socialista e alguns comentadores, analistas, economista e até sociais-democratas, o PSD deveria assinar qualquer orçamento do governo por mais idiota que fosse, porque isso sim seria do interesse nacional.
O que fez Passos Coelho? Sem descaracterizar e desrespeitar o documento idiota do governo propôs algumas medidas para cortar despesa, aliviar o esforço dos contribuintes e proteger o baixo IVA nos produtos alimentares de 1a necessidade. De que é que o governo o acusou quando PPC estabeleceu estas condições para a negociação? Na voz de Silva Pereira ironicamente disse que o ping-pong da iniciativa para a negociação tinha de parar. Mas afinal de contas quem é que o começou e quem é que tem o ónus da negociação?
PS: O meu não-sectarismo permite-me achar certo o que está certo. Com isto pretendo prevenir as criticas relativas ao facto de elogiar o Presidente de um Partido com o qual não simpatizo.(PSD)
Sem comentários:
Enviar um comentário