domingo, 22 de novembro de 2009

A fantochada

Eu acho piada à fantochada, mesmo quando me penaliza. Na política, a fantochada é bastante comum - basta olhar para as promessas e as boas intenções de quem governa acompanhadas das frequentes palmadinhas nas costas.

Começou em 1995. A primeira COP (Conference of the Parties) levada a cabo pela UNFCCC teve lugar em Berlim, em 1995, e pretendia ser um dos primeiros encontros sérios acerca da luta contra o aquecimento global e as alterações climáticas. Começou com poucos signatários, depois foi-se alargando. Na COP3, em Kyoto, saiu o famoso Protocolo que os EUA não quiseram ratificar por entrar em conflito com a sua indústria e padrão de consumo altamente poluidores. Desde então, pouco se tem avançado. Já passaram 15 anos e a única coisa que conseguimos foi "confederar" grande parte dos países do Mundo neste esforço que tem de ser urgente. Mas decisões significativas, nem vê-las.

O primeiro passo mais importante foi, no ano passado em Poznan, ter-se acordado os dois mecanismos de ajuda dos países desenvolvidos aos países sub-desenvolvidos - refiro-me ao Clean Development Mechanism e ao Joint Implementation. Finalmente, e pela primeira vez, admitiu-se que o principal papel na redução das emissões cabe ao mundo desenvolvido e não aos países Africanos, Sul-Americanos ou Sul-Asiáticos. Demorou, mas chegou-se lá.

Este ano, entre 7 e 18 de Dezembro, decorre a COP15, em Copenhaga. Ainda não começou, mas já dá para ver que vai sair a tal fantochada que referi. Os ministros do Ambiente da UE só agora se reuniram a sério e ainda não têm estratégia definida. Ainda ninguém teve os tomates para admitir que a solução mais eficaz e sensata não é reduzir x% de emissões ao nível de 1990, mas sim apostar claramente nas emissões-zero o mais cedo possível, o que a este ritmo, não será antes de 2050.

Tenho pena, tenho muita pena, que as emissões estejam a enveredar por um caminho péssimo que é o cap-and-trade - aquela coisa que os comunistas apelidam de capitalista e que os liberais e conservadores denominam socialista - e que está a ser aplicado como hipotética solução de um problema extremamente delicado e complexo. Nas altas esferas governamentais, ainda se acha que a resolução da redução das emissões de gases com efeito de estufa reside num direito a poluir, ainda para mais com base num mecanismo especulativo. É este o estado a que o Mundo chegou.

Resultados? Vou acompanhar com extrema atenção, obviamente. Mas já se pode afirmar que não vai dar em nada. Mais uma vez.

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