domingo, 8 de novembro de 2009

Partidos, Para Que Vos Quero? - Parte III, Conclusão

Com grande atraso, retomo, para terminar, o tema da necessidade dos partidos que há umas semanas iniciei.
Deixei como última questão em aberto a do controlo da qualidade. Refiro-me, obviamente, a uma qualidade subjectiva. Trata-se de uma qualidade medida nos padrões da ideologia e tradição de cada partido.
Esta qualidade, quanto a mim, só pode ser garantida com uma base de apoio sólida, aquelas pessoas muitas vezes criticadas por se manterem sempre fieis a um partido mesmo que ele esteja com uma estratégia errada.
É esta base sólida que governa o partido, constitui as suas estruturas organizativas e decisórias. Sendo uma base estável e minimamente homogénea, garante que o partido em causa não é usado como mero instrumento para se chegar ao poder. As pessoas escolhidas pelo partido para chegarem aos cargos de poder ganhos pelo partido são as pessoas escolhidas pela tal base de apoio. Portanto, a escolha tem de reflectir necessariamente pelo menos um núcleo essencial da ideologia da base.
Pode dizer-se então que é a base de apoio de um partido que permite fazer dele uma instituição, dando-lhe estabilidade. E essa base, querendo levar à prática a sua ideologia, escolherá os melhores representantes para liderar o partido.

Mas claro que tudo isto é uma mera teoria. Todos sabemos que a realidade se encarrega de nos alterar grande parte deste pensamento com infinitas variáveis. Mas, a meu ver, não são essas variáveis que tornam o meu pensamento completamente errado. Há é que lutar para que as bases de um partido sejam realmente bases de apoio que se movem por uma ideologia e não grupos de pessoas que se movem apenas por interesses pessoais. Na minha opinião, é esta a grande variável que muitas vezes torna irrealista tudo o que eu disse e, consequentemente, ataca a qualidade da democracia.

Tendo em conta tudo o que fica dito, penso que o incremento da qualidade da democracia não se faz com uma atitude anti-partidária, mas sim com a punição dos que olham para os partidos como meros instrumentos da sua carreira pessoal. E voltando à comparação com a única alternativa aos partidos - os movimentos de cidadãos - também a realidade tratou de nos demonstrar que não são garante de qualidade nenhuma.

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