sábado, 8 de maio de 2010

Para não me acusarem de comentar a "propriedade" dos outros e para perceberem o que é ser "genérico" nas críticas - atiro factos e cada um que analise

Dívida Pública de Portugal (2009) - 75% do PIB
Dívida Pública da Grécia (2009) - 113% do PIB

Dívida Externa Bruta Portuguesa (Púb.+Priv. - 2009) - 226% do PIB
Dívida Externa Bruta Grega (Púb.+Priv. - 2009) - 167% do PIB

Dívida Externa Líquida Portuguesa (Púb.+Priv. - 2009) - 122% do PIB
Dívida Externa Líquida Grega (Púb.+Priv. - 2009) - 103% do PIB

Quem é que está mal cá, o público ou o privado?
E qual o país que mais precisa de austeridade pública, a Grécia ou Portugal?

Desde há muito tempo que 2/3 da nossa dívida externa é privada.

(retirado daqui)

E agora a pergunta de 10 milhões de Euros (enquanto não vem de novo o Escudo) - qual destas duas coisas faria melhor a Portugal neste momento: forçar a melhoria da Balança Comercial (por exemplo, importando menos luxos) ou dificultar a vida aos desempregados que ganham tostões, coisa que o Luís Araújo considerou muito útil, mas ainda assim não suficiente para acordar do suposto "estado de negação"?

A encruzilhada meridional-europeia é esta, explicada pelo NYTimes:


Eu aceito que o Estado seja reduzido e muito. Afinal de contas, ele não funciona tal como está e pode e deve ser reconstruído e remodelado. Mas de uma vez por todas digam a verdade. Não se limitem a citar e a copiar o pessoal do Blasfémias e do Insurgente só porque é fixe.

É pá, eu também tenho um frigorífico americano. E é bem porreiro, por sinal. Mas não vês que não é isso que interessa? Não é a particularização da propriedade que aqui quero evidenciar, mas tão somente a diversão da atenção para o não-essencial, o inocente levar pelo culpado.

3 comentários:

  1. Luís,

    Considerando que, nos dados de 2009, se viam dívidas externas na ordem dos 220% (Finlândia), 248% (França), 256% (Áustria), 264% (Suécia), 316% (Dinamarca), 376% (Holanda), 382% (Suíça) ou 426% (RU), e comparando a percepção que os mercados parecem ter da situação desses países vs a situação portuguesa, quererá parecer que este factor isolado não tem o peso que porventura lhe atribuis.

    No mês passado, a The Economist publicou um artigo curiosamente intitulado "The importance of not being Greece", onde efectivamente enuncia com realismo o mar que nos separa da situação grega, mas onde também explica as razões pelas quais entende que o país está numa posição tão débil face às expectativas dos mercados:

    "Portugal’s biggest problem is not primarily fiscal. It concerns growth—or the lack of it. Real GDP growth over the decade since Portugal joined the euro has been the slowest in the zone (...) Portugal has lost export-market share to emerging economies (including those of eastern Europe) that churn out similar low-value products. This is largely due to a steady rise in unit labour costs, as wage increases outstripped productivity growth (...) A slow-moving bureaucracy, inefficient courts, poor schools and state-supported pockets of the economy protected from competition combine to hold Portugal back. Businessmen moan about rigid labour laws, which there is little political will to reform. Portugal has one of Europe’s toughest employee-protection regimes (...)

    Em conclusão, e porque nenhum factor é mais do que a parte de um todo complexo, que não deve ser analisado de per si:

    "Portugal is indeed different from Greece. But if the markets decided to put this to the test, chronic low growth, a drastic loss of competitiveness and high public and private indebtedness are all weaknesses which could swiftly undermine the protection that being different is meant to bring".

    Face a isto, o teu frigorífico americano ou o carro italiano do Luís são meros fait divers ;p

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  2. Parece que até existem algumas parecenças com a Grécia, pelo menos, no que respeita à organização administrativa do Estado e que poderá explicar, em parte, a fraca produtividade e grande desigualdade existente nos dois países:

    http://blasfemias.net/2010/05/09/um-tgv-para-dytiki-ellada/

    http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2009/12/regionalizacao.html

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  3. Manuel, esse parágrafo não me parece muito justo.

    Embora a questão em torno do crescimento económico real seja importantíssima, esse aspecto leva-nos um pouco para a quadratura do círculo. Senão, repara: o crescimento económico, enquanto fenómeno, é consequência dos dinamismos complexos que caracterizam a sociedade. Embora muitos o usem como "causa" para certos problemas, eu recuso terminantemente fazê-lo. Não explica nada, é apenas a consequência última das trajectórias das nações. Nunca saímos do mesmo lugar quando tentamos meter o crescimento como factor explicativo de qualquer coisa.

    Para além disso, a contagem do PIB remete para uma análise eminente e exclusivamente contabilística. Embora haja muito por estudar em termos de crescimento, (principalmente nas variáveis institucionais e nos modelos de crescimento endógeno), eu raramente consigo desligar a questão do Real GDP Growth do lado aritmético da coisa.

    Por isso, todas essas questões que a Economist refere como causas do baixo crescimento - rigidez laboral, baixa produtividade, salários desajustados,... - não é propriamente o caldo causador do baixo crescimento. São simplesmente maus atributos de que dispomos, mas que saem majorados com os verdadeiros problemas de fundo que são mais comportamentais (pessoas) do que estruturais (economia).

    Certamente que dois posts não chegaram para explicar o que queria. Quando puder, digo mais alguma coisa sobre o tema, até porque não cheguei a realçar o verdadeiro porquê de a balança de transacções correntes ser tão importante.


    João,
    É outra coisa bem metida. Há muito que se lhe diga em termos da inexistência de um nível intermédio governamental e democraticamente eleito e que certamente justifica parte do atraso da região. É outra temática com muito por falar, sem dúvida.

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