domingo, 21 de junho de 2009

À direita, o caminho!


Para falar de direita, faz sentido em primeiro lugar acabar com um mito dos nossos dias. Faz sentido dividir o espectro ideológico entre direita e esquerda? Faz, pois claro que faz! Não descurando da existência de várias direitas e várias esquerdas, a forma de explicar o mundo e as soluções para os seus problemas políticos obedecem, ainda hoje, a convicções, sistemas e estratégias que se identificam com determinados grupos políticos. Podem dizer que o conceito está diluído, é certo que sim. O comportamento cíclico da economia leva a readaptações ideológicas. Note-se que a seguir ao colapso do socialismo a própria esquerda passou a ser adepta do mercado livre. Com a recente crise financeira a direita também ousou recorrer á nacionalização. Mas a esquerda e a direita justificaram as mesmas opções por motivos diferentes. A esquerda fez questão de condenar as fraquezas do capitalismo. A direita fez questão de recordar de que não há céu na terra e que nunca o ousaram prometer.


A política sem ideologia é um mito e os primeiros a defendê-la nestes modos são os primeiros a ser vítima dela. Daí que os partidos exclusivamente do centro nunca tenham vingado. Morrem quase antes de nascer porque não têm soluções e preocupações relevantes para discutir. Fecham-se em nichos do mercado eleitoral e esperam que a imagem light vingue no seio do eleitorado volátil.


A diferenciação ideológica é biologicamente intrínseca ao ser humano. A neurologia provou que o cérebro das pessoas de direita é fisicamente distinto do das pessoas de esquerda. As pessoas de direita, naturalmente mais conservadoras, são mais resistentes á adaptação a novos contextos e ambientes e as de esquerda têm nesse aspecto mais facilidade. Não fiquem os meus companheiros de blogue já entusiasmados porque tal pode ser uma virtude mas também um defeito. Os novos contextos podem não ser favoráveis e nesse caso a direita será a voz do inconformismo e da mudança, até porque ser conservador não é ser retrógrada. Ser conservador é gostar do presente, é gostar do que de bom se nos presenteia. È resistir a mudança daquilo o que causa estabilidade e bem-estar. Mas é também ambicionar a prosperidade e a riqueza e dividi-la pelo mérito.

7 comentários:

  1. A ideologia é naturalmente importante porque é ela que traça o rumo político. De facto se dissecarmos a palavra reparamos:

    .idéa (grego)-ideia
    .lógos (grego)-racionalidade

    No fundo seria uma determinada concepção das coisas que nos iriam permitir optar por um determinado tipo de racionalidade em termos argumentativo adequados. Por isso é com razão que dizes que a política deve adoptar uma ideologia e não reduzir-se à mera neutralidade devendo sim iluminar o caminho e definir estratégias para alcançar o objectivo proposto. Contudo acredito que as verdades não são absolutas, não raras vezes é preciso mitigar o modelo para não cair em contradições insanáveis. A ideologia levada ao extremo descurando caminhos alternativos em face das circunstâncias, pode mesmo tornar-se o ópio do povo e reduzir-se a um instrumento eficaz de regimes criminosos…

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  2. Já que gostam tanto de ideologias e de clubes políticos, até se podiam criar duas caixas de links na barra direita: uma para a esquerda, outra para a direita. Já deu para reparar que são adeptos da segregação diferenciada; sendo assim, podiamos começar por aí a pô-la em prática. Neste momento, só vejo blogues fascizóides, à excepção do Arrastão e do Causa Nossa (que, aqui entre nós, não contam assim muito). E, já agora (e especialmente se não souberes fazê-lo, João), eleva-me o estatuto para admin. Gostava de adicionar uns links também.

    P.S.: "Bitaites"?..

    P.S.2: O facto de o texto deste post dizer o que diz e, no seu título, ostentar a expressão "À direita, O caminho", não deixa de se revelar como paradoxal.

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  3. Blogues fascizóides?
    1º Que eu saiba não está nenhum blog dito "fascista".
    2ºO único blog que eu leio é o Abrupto, os links que aí estão fui buscar a outros blogs conhecidos que costumam ter links da esquerda à direita.
    3ºEstão blogs que não falam de política, como os teus (tempo de secura e futilidades insignificantes) e de esquerda desde o “arrastão” ao “causa nossa” passando pelo “bichos-carpinteiros” e o“aspirina B”” não esquecendo o blog do Eduardo que é tudo menos de direita.
    Se há mais blogs de direita nos links? Sinceramente não sei e pouco me importa, acho que não há qualquer interesse em contar espingardas nos links do blog. Mas tens toda a liberdade de adicionares mais blogs de esquerda... p.s.eu já te tinha posto como administrador.

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  4. Isto vai ser giro. Já tinha começado a escrever um post mas ainda não tive tempo de acabar. Logo deve sair, espero.

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  5. Caro colega blogger Luís Oliveira,este post serviu dois objectivos muito concrectos:

    1) abordar a temática da plausibilidade da distinção ideológica pela dualidade de conceitos direita/esquerda
    2) dar a conhecer em favor da tranparência o rumo ideológico que prossigo e assumo.

    Para que não restem dúvidas ou paradoxos volto a frisar que para mim, à direta é o caminho!

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  6. E já começamos bem, logo com a "summa divisio" do nosso blog!

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  7. Ideologias não são mais do que princípios abstractos, estandartes de partidos, incapazes de se ajustarem à realidade social, mutável. A lealdade perante as ideias por parte do político apenas coincidentemente se efectiva no dever de lealdade perante a nação. Ou seja, o que pretendo dizer é que o político não deseja a prosperidade abstracta do país, mas prosperidade enquadrada no sentido concreto que ele dá a esse termo, definido pela sua ideologia. Os políticos fortemente ideológicos estão sempre limitados à própria ideologia que defendem.

    A política sem ideologia não é um mito. É uma necessidade.

    A ideologia interessa aos políticos muito mais do que ao resto dos cidadãos eleitores, ou à grande parte deles. O governante fortemente pragmático, que sabe avaliar situações e entende que toda a ideologia da esquerda à direita tem os seus pontos fortes e fracos, devendo ser aplicadas conforme o caso concreto e não como princípio geral para todas as medidas a serem tomadas no seu mandato, é o preferível e o único verdadeiramente interessado em resolver os interesses da população, já que todo o "político partidário", como eu disse, põe a sua ideologia em primeiro plano e o país só surge depois, enquadrado neste plano ideológico.

    O político pragmático não tem um dever perante uma ideologia ou partido, é aquele que verdadeiramente responde perante a nação.

    Precisamos de representantes. Do próprio aumento da representatividade individual. E da abolição destes fantasmas e fetishes de liderança que permanecem mesmo após a Revolução Americana e Francesa.

    Eh.. :)

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