segunda-feira, 29 de junho de 2009

Que Conveniente

Acabei de ler no site do Público uma notícia com o seguinte título: Teixeira dos Santos: "A crise aproxima-se do fim".
Alguém acredita num ministro que diz isto? Numa crise como a que vivemos hoje, no momento em que nos encontramos agora, esta afirmação do Ministro da Finanças soa-me a afirmação política, mais do que económica ou financeira.
Sim, é verdade que aparecem alguns sinais positivos e que um dos papeis do Governo durante esta crise deve ser o de animar a economia. Mas uma afirmação destas é manifesto exagero e vai ser muito mal vista por quem ainda sente na sua vida os fortes efeitos da crise.
Não é uma afirmação realista, tem fins claramente políticos e, consequentemente, perde toda a sua credibilidade. Ninguém que viva na economia real vai levar esta afirmação a sério e, como tal, não anima economia nenhuma.
Pelo contrário, causa o receio de estarmos a ser governados por pessoas sem qualquer conhecimento da realidade e sem sensatez.
O que o ministro quer fazer, como bem se vê, é preparar o caminho para decretar o fim da crise ali por altura das eleições. A meu ver, está a fazer muito mal e pode virar-se contra ele e Sócrates.
Não estou a exigir um rigor técnico académico, mas tem que ser uma afirmação a que os portugueses dêem crédito.
"Há sinais positivos e é de prever que a retoma da economia deverá iniciar-se no prazo de um ano. Sabemos que a retoma não vai ser fácil nem surtir efeitos imediatos, mas podemos estar optimistas." Era isto, mais palavra menos palavra, que o ministro devia dizer e repetir. Não garanto o rigor técnico desta minha afirmação, até porque não estudo nem estudei economia, mas parece-me o mais correcto a dizer agora. Isto, sim, é uma afirmação que os portugueses podem ver como real, e não como uma espécie de promessa política fantasiosa.

3 comentários:

  1. A crise é o momento do choque negativo na economia. Pode ser momentâneo ou prolongado; pode durar um dia ou 3 meses. A partir do momento em que o choque passa, entra-se na fase recessiva (depressão) que apresenta, normalmente, crescimento negativo por dois trimestres consecutivos. A seguir, dá-se a retoma.

    Este é o significado técnico. Contudo, estou parcialmente do teu lado, uma vez que não acredito que tenha sido esse o sentido do Ministro, até porque a palavra crise está associada a todo o processo de não-crescimento. Tem o seu quê de demagogia.

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  2. Só parcialmente? Que forreta! Eu sei que concordas com o que eu disse. Não disse muito mais do que aquilo com que dizes concordar. Vá lá, admite.

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  3. Ao dizer "parcialmente", estou a dar a entender menos do que queria. Concordo na maioria do que disseste. Não posso concordar integralmente porque o rigor científico assim me obriga. Para todos os efeitos, em termos económicos, o que ele disse não está errado. É certo que o espírito do que disse aparenta-me ser outro; contudo, isso é a minha impressão.

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