Toda esta coisa do Mundial, do futebol ao som do Hino Nacional e do patriotismo temporário fizeram-me lembrar de uma coisa engraçada que já digo há vários anos (e é giro quando repescamos teorias antigas e elas cada vez fazem mais sentido).
Essa coisa é a da tese do Orgulho Português, do Amor pela Pátria e dos Heróis do Mar que faz parte da mundivisão da Grandeza de Portugal, desse Grande Império outrora maior e hoje mais decadente, mas pronto a ressuscitar novamente. Ora, há aqui 2 coisas que me fazem imensa confusão:
1 - Quer-me parecer que Portugal nunca foi grande em nenhuma parte da História. Os sumérios da Mesopotâmia foram-no; os Egípcios idem; os Persas, sem dúvida; os Maias e os Aztecas também; os Gregos, os Romanos e os Otomanos também foram marcantes. Até o Oriente o foi. Foi a Inglaterra (e não Portugal) quem iniciou o mercantilismo sério e a Holanda tratou de o aperfeiçoar e dele beneficiar. Portugal inventou um barco e faz disso um orgulho nacional histórico que até no Hino temos hoje de comer.
2 - Mesmo na eventualidade de considerarmos que esta propaganda com que nos lavam a cabeça na primária é verídica, ninguém duvida de que Portugal, enquanto país, não é grande coisa porque nunca o soube justificar devidamente. A pouca riqueza que alguma vez criamos dissipou-se num ápice porque não soubemos nunca tomar conta dela por mais do que poucos anos seguidos (confrontar Descobrimentos, industrialização tardia, Revolução Republicana, 2ª Guerra Mundial, Adesão à CEE, ...).
A única vitória que alguma vez tivemos foi uma Vitória de Pirro, quando circunstâncias especiais nos permitiram roubar o Condado Portucalense à Espanha e ficar com uma parte da Ibéria, mas ficar isolados de tudo para sempre. De resto, Portugal foi um erro - foi uma falha de Espanha que ainda hoje agita o sangue e o ego de nuestros hermanos que deixaram fugir algo que era seu.
A minha teoria é que a geografia de Portugal enquadrada nos actuais limites e no patriotismo cego faz com que se ignore esta tendência lusa em ter a mania da grandeza, um mau hábito que nos leva a achar que somos de facto melhores do que os outros quando, na realidade, não o somos (somos uma espécie de Mourinho, mas com a nuance de não sermos bons). Vivemos nesta constante mentira do esplendor e orgulho de Portugal e sabemos que padecemos disso quando, p.e., exigimos que a Selecção Nacional atinja as meias-finais de um Campeonato do Mundo em que não tem tradição quase nenhuma, tendo lá estado apenas 5 vezes, 3 das quais nos últimos 8 anos. Fazemos festa e circo porque temos o Ró-naldo, mas esquecemo-nos das outras equipas com maior preparação e tradição de vitória.
A pequenez do povo não está, por isso, no chamado bairrismo nem na regionalização - essas pessoas, sem se resignarem à dimensão, compreendem-na e trabalham nela, assimilam-na e não inventam grandiosidades. No pólo oposto, os ilusionistas - os do Sul - continuam a impôr-nos a treta do Império e do orgulho Lusitano. A nossa pequenez Lusa não é a do nosso tamanho, mas antes a da nossa insistência em querermos ser maiores do que aquilo que realmente somos - mais concretamente, na tentativa de agarrar a nossa diversidade geograficamente visível para justificar uma grandeza nacional inexistente.
Eu sei que corro novamente o risco de ficar "mal visto" (neste país, quem não gostar da Pátria, é um "merdas" anti-patriota que merece ser expulso), mas não quero saber. São coisas que nem todos conseguem perceber, teria de explicar tudo devagarinho e não tenho paciência nem tempo neste momento:
Essa coisa é a da tese do Orgulho Português, do Amor pela Pátria e dos Heróis do Mar que faz parte da mundivisão da Grandeza de Portugal, desse Grande Império outrora maior e hoje mais decadente, mas pronto a ressuscitar novamente. Ora, há aqui 2 coisas que me fazem imensa confusão:
1 - Quer-me parecer que Portugal nunca foi grande em nenhuma parte da História. Os sumérios da Mesopotâmia foram-no; os Egípcios idem; os Persas, sem dúvida; os Maias e os Aztecas também; os Gregos, os Romanos e os Otomanos também foram marcantes. Até o Oriente o foi. Foi a Inglaterra (e não Portugal) quem iniciou o mercantilismo sério e a Holanda tratou de o aperfeiçoar e dele beneficiar. Portugal inventou um barco e faz disso um orgulho nacional histórico que até no Hino temos hoje de comer.
2 - Mesmo na eventualidade de considerarmos que esta propaganda com que nos lavam a cabeça na primária é verídica, ninguém duvida de que Portugal, enquanto país, não é grande coisa porque nunca o soube justificar devidamente. A pouca riqueza que alguma vez criamos dissipou-se num ápice porque não soubemos nunca tomar conta dela por mais do que poucos anos seguidos (confrontar Descobrimentos, industrialização tardia, Revolução Republicana, 2ª Guerra Mundial, Adesão à CEE, ...).
A única vitória que alguma vez tivemos foi uma Vitória de Pirro, quando circunstâncias especiais nos permitiram roubar o Condado Portucalense à Espanha e ficar com uma parte da Ibéria, mas ficar isolados de tudo para sempre. De resto, Portugal foi um erro - foi uma falha de Espanha que ainda hoje agita o sangue e o ego de nuestros hermanos que deixaram fugir algo que era seu.
A minha teoria é que a geografia de Portugal enquadrada nos actuais limites e no patriotismo cego faz com que se ignore esta tendência lusa em ter a mania da grandeza, um mau hábito que nos leva a achar que somos de facto melhores do que os outros quando, na realidade, não o somos (somos uma espécie de Mourinho, mas com a nuance de não sermos bons). Vivemos nesta constante mentira do esplendor e orgulho de Portugal e sabemos que padecemos disso quando, p.e., exigimos que a Selecção Nacional atinja as meias-finais de um Campeonato do Mundo em que não tem tradição quase nenhuma, tendo lá estado apenas 5 vezes, 3 das quais nos últimos 8 anos. Fazemos festa e circo porque temos o Ró-naldo, mas esquecemo-nos das outras equipas com maior preparação e tradição de vitória.
A pequenez do povo não está, por isso, no chamado bairrismo nem na regionalização - essas pessoas, sem se resignarem à dimensão, compreendem-na e trabalham nela, assimilam-na e não inventam grandiosidades. No pólo oposto, os ilusionistas - os do Sul - continuam a impôr-nos a treta do Império e do orgulho Lusitano. A nossa pequenez Lusa não é a do nosso tamanho, mas antes a da nossa insistência em querermos ser maiores do que aquilo que realmente somos - mais concretamente, na tentativa de agarrar a nossa diversidade geograficamente visível para justificar uma grandeza nacional inexistente.
Eu sei que corro novamente o risco de ficar "mal visto" (neste país, quem não gostar da Pátria, é um "merdas" anti-patriota que merece ser expulso), mas não quero saber. São coisas que nem todos conseguem perceber, teria de explicar tudo devagarinho e não tenho paciência nem tempo neste momento:
Espanha presa por um fio - (ou será Ibéria?) (DN, via Destakes.com, ontem)"Na comunidade da Andaluzia encontramos as raízes do flamenco, detectamos a presença árabe em cidades como Granada, tomamos consciência de quão próximos estamos de África. (...) Na Galiza tudo é verde, parecendo uma continuação da zona Norte de Portugal. Muitos conhecem-na por causa das peregrinações a Santiago de Compostela. O País Basco também tem paisagens montanhosas impressionantes."
Independentistas galegos apoiam Portugal e invadem Valença só para não apoiar Espanha (DN, ontem)
"El Tribunal Constitucional cercena una parte esencial del Estatut" (Publico.es, ontem)
Caro Luís,
ResponderEliminarCada vez mais me convenço que errei.
Ainda estás muito novo para tanto azedume, pah!
ResponderEliminarAfinal de contas é só o país com as fronteiras continentais mais antigas da europa e com 867 anos de existência.... Apesar de todas as conquistas e derrotas.....
ResponderEliminarO projecto separatista por detrás da regionalização é o travão do processo de regionalização.
ResponderEliminarPS: O Condado portucalense não se autonomizou do Reino de Espanha mas de outra coisa chamada Reino de castela. Por detrás dos motivos políticos dessa autonomia estavam também os motivos culturais. Um povo com uma identidade própria que vinha desde os tempos de Viriato. De facto os galegos deviam ter ficado do lado de cá das fronteiras e não nós do lado de lá.
ResponderEliminarApartir daí o que a história conta é a cruzada para sul desse povo. Esse povo ocupou até sul e não ficou estanque no norte. Ao contrário do que tu achas o sul deste país não é só feito de gente bronzeada e preguiçosa mas faz-se compor por uma miscigenação de culturas desde os que vieram do norte aos que já estavam no sul. (entre outros)