Tenho acompanhado com alguma atenção (mas apenas via Internet) o processo de criação e iniciação do denominado "Movimento Pró Partido do Norte", associação de cidadãos que pretende criar, lá para o fim do ano, um partido assumidamente regional que possa concorrer à AR.
Não gosto nem vou fazer críticas antecipadas; prefiro ver para crer. Mas gostaria de fazer uma ou outra pré-concepção, muito breves. Pela positiva, há a referir a forte capacidade de se fazer ouvir, tal foi o impacto que o movimento teve na comunicação social; da mesma forma, é de louvar a plataforma multi-ideológica daqueles que compõem o movimento (o Norte é mesmo assim: plural). Contudo, parece-me que há duas coisas algo erradas no movimento, não sei se por medo ou se por prudência: (1) a "colagem" a máquinas partidárias atentas à potencialidade do eleitorado, em especial em alguns dos seus membros; (2) a ênfase na questão da regionalização.
Quanto às ideologias, sou céptico que consigamos (mesmo que a prazo) um partido/bloco do género do BNG da Galiza. Não acredito em blocos partidários e receio que os poderes maçónicos deste nosso país açambarquem de imediato o partido regional que tanto promete. Temos de ver o Partido do Norte como um partido ganhador, primeiro e campeão; nunca como uma muleta dos já existentes.
Relativamente à regionalização, eu não gostaria que o movimento se dedicasse a evangelizar as pessoas dessa necessidade que é, sem dúvida, premente. A totalidade de muito boa gente que ainda não se convenceu da necessidade da regionalização há-de chegar a essa conclusão quando o debate estiver no Top das discussões (exceptuando, talvez, quem mais beneficia com o actual status quo).
A meu ver, o que o Movimento deveria fazer (já que tem tantos influentes na sua estrutura) era prosseguir com ideias e propostas que estão à frente da questão da regionalização. A regionalização vai avançar, quer se queira quer não; e se não for amanhã, 2 de Junho de 2010, será para o ano ou daqui a 2 anos, no máximo. Não é preciso encarar a regionalização como prioridade política se se a colocar como instrumento para linhas de acção de desenvolvimento a Norte. Isto é, torna-se algo redundante colocar a regionalização como prioridade 1 quando se deveria aproveitar o tempo para calcar mais alguns passos em frente, optimizando tempo e esforços.
Eis algumas coisas que poderiam estar no Top das preocupações do movimento:
1 - Em primeiro lugar, ganhar a comunicação social e o audiovisual. De forma a acabar com o Holocausto cultural, social e sotaquenhístico (=linguístico) que o Norte tem vindo a sofrer, é urgente agarrar a oportunidade de exigir a possibilidade de se criar um canal terrestre generalista privado que seja assumidamente regional. Há-que ganhar a imagem; há-que desenvolver as indústrias criativas e disseminar a identidade nortenha. Há-que dar voz e atenção a quem não a tem. Há-que ir à procura do país real. Há-que usar e abusar das potencialidades da Internet e coligá-las com os meios de comunicação tradicionais.
2 - Ser intransigente na necessidade de descentralizar e multi-polarizar os centros de decisão, não só entre regiões mas principalmente dentro das regiões. Não esquecer que os transmontanos não querem a regionalização porque lhes é indiferente trocar o centrismo de Lisboa pelo do Porto. Há-que lhes dar voz, há-que lhes entregar poder de decisão e auto-determinação, a eles como a outros quaisquer, e há-que forçar a coesão e uma maior igualdade intra-regional. Não aceitar uma qualquer regionalização. Não queremos uma região Norte à imagem do actual Portugal.
3 - Criar sub-níveis de autonomia administrativa, fiscal e de orientação política entre o nacional e o municipal: isto é, garantir de uma vez por todas, assembleias regionais e executivos regionais que estejam mais perto das suas populações e que libertem o peso de uma governação nacional que é demasiado inoperante para tratar de todos os assuntos para todas as 10 milhões de pessoas.
4 - Reformular o ordenamento do território. Não apenas a rodovia e a ferrovia, não apenas os terrenos urbanos e rurais, não apenas a extinção de municípios de pequena dimensão; mas principalmente, toda uma questão paisagística, arquitectónica e de organização do espaço florestal, edificado e vias de comunicação e transporte em ligação com os objectivos gerais da região, de acordo com a localização específica: zonas específicas para agricultura, pesca, indústria, turismo, cultura, negócios e articulação das mesmas com directivas políticas transversais ao espectro ideológico (para não mudarmos de estratégias de 4 em 4 anos).
5 - Acabar com o choradinho do QREN, do financiamento público, das SCUT's portajadas, do TGV suspenso, da Linha do Tua e do Red Bull Air Race. Já que nos retiram a capacidade de reagir nessa matéria, salte-se para outra questão: acabar com o actual modelo de financiamento fiscal, em que o dinheiro tem de ir para a capital para ser contado e redistribuído pelo país. Já que não temos mão na despesa, teremos voz na receita que geramos. E se somos bons e acreditamos sê-lo, governaremo-nos a nós próprios, com responsabilidade, direcção e auto-determinação. Não precisamos de choradinhos nem de mãos estendidas para nada.
6 - Por fim, acabar com a hegemonia partidária dos PS's, PSD's, CDS's, PCP's e BE's deste nosso país. Aceitar que entrem no Partido apenas pessoas não provenientes ou não militantes de um dos clubes dos grandes. Começar do zero. Assumir que a ideologia no nome do partido cega as pessoas e que é urgente acabar com esta colagem de executivos a orientações ideológicas dos nossos anos 80. O único partido que neste momento serve ao Norte é o Partido do Norte. Entrar em campo para ganhar, para ser o primeiro, para liderar; não para servir coligações e ser macaquinho saltitante. Ser ambicioso, ousar disputar para ganhar. Subir a fasquia até ao limite. Ser determinado em não ceder a presentes de sedução dos partidos nacionais.
Com prioridades destas, a regionalização viria majorada. Se tudo isto conseguisse ser idealizado e programado previamente à consagração da regionalização, seria ouro sobre azul. Uma regionalização com esta base seria uma regionalização que funcionaria e se desenvolveria muito melhor do que o simples "aceitar acrítico" de uma qualquer descentralização administrativa, que não é mais do que um rebuçado para calar certas vozes incómodas que fazem comichão mas que não picam.
O Norte foi prejudicado todos estes anos, e mesmo assim, até nem se saiu nada mal. Tendo em conta o que nos foi impingido, e o que nos foi roubado, conseguimos manter a unidade e seguir o nosso caminho, ainda que de forma atribulada e condicionada. Imagine-se agora o potencial da região com o seu destino nas próprias mãos.
Não gosto nem vou fazer críticas antecipadas; prefiro ver para crer. Mas gostaria de fazer uma ou outra pré-concepção, muito breves. Pela positiva, há a referir a forte capacidade de se fazer ouvir, tal foi o impacto que o movimento teve na comunicação social; da mesma forma, é de louvar a plataforma multi-ideológica daqueles que compõem o movimento (o Norte é mesmo assim: plural). Contudo, parece-me que há duas coisas algo erradas no movimento, não sei se por medo ou se por prudência: (1) a "colagem" a máquinas partidárias atentas à potencialidade do eleitorado, em especial em alguns dos seus membros; (2) a ênfase na questão da regionalização.
Quanto às ideologias, sou céptico que consigamos (mesmo que a prazo) um partido/bloco do género do BNG da Galiza. Não acredito em blocos partidários e receio que os poderes maçónicos deste nosso país açambarquem de imediato o partido regional que tanto promete. Temos de ver o Partido do Norte como um partido ganhador, primeiro e campeão; nunca como uma muleta dos já existentes.
Relativamente à regionalização, eu não gostaria que o movimento se dedicasse a evangelizar as pessoas dessa necessidade que é, sem dúvida, premente. A totalidade de muito boa gente que ainda não se convenceu da necessidade da regionalização há-de chegar a essa conclusão quando o debate estiver no Top das discussões (exceptuando, talvez, quem mais beneficia com o actual status quo).
A meu ver, o que o Movimento deveria fazer (já que tem tantos influentes na sua estrutura) era prosseguir com ideias e propostas que estão à frente da questão da regionalização. A regionalização vai avançar, quer se queira quer não; e se não for amanhã, 2 de Junho de 2010, será para o ano ou daqui a 2 anos, no máximo. Não é preciso encarar a regionalização como prioridade política se se a colocar como instrumento para linhas de acção de desenvolvimento a Norte. Isto é, torna-se algo redundante colocar a regionalização como prioridade 1 quando se deveria aproveitar o tempo para calcar mais alguns passos em frente, optimizando tempo e esforços.
Eis algumas coisas que poderiam estar no Top das preocupações do movimento:
1 - Em primeiro lugar, ganhar a comunicação social e o audiovisual. De forma a acabar com o Holocausto cultural, social e sotaquenhístico (=linguístico) que o Norte tem vindo a sofrer, é urgente agarrar a oportunidade de exigir a possibilidade de se criar um canal terrestre generalista privado que seja assumidamente regional. Há-que ganhar a imagem; há-que desenvolver as indústrias criativas e disseminar a identidade nortenha. Há-que dar voz e atenção a quem não a tem. Há-que ir à procura do país real. Há-que usar e abusar das potencialidades da Internet e coligá-las com os meios de comunicação tradicionais.
2 - Ser intransigente na necessidade de descentralizar e multi-polarizar os centros de decisão, não só entre regiões mas principalmente dentro das regiões. Não esquecer que os transmontanos não querem a regionalização porque lhes é indiferente trocar o centrismo de Lisboa pelo do Porto. Há-que lhes dar voz, há-que lhes entregar poder de decisão e auto-determinação, a eles como a outros quaisquer, e há-que forçar a coesão e uma maior igualdade intra-regional. Não aceitar uma qualquer regionalização. Não queremos uma região Norte à imagem do actual Portugal.
3 - Criar sub-níveis de autonomia administrativa, fiscal e de orientação política entre o nacional e o municipal: isto é, garantir de uma vez por todas, assembleias regionais e executivos regionais que estejam mais perto das suas populações e que libertem o peso de uma governação nacional que é demasiado inoperante para tratar de todos os assuntos para todas as 10 milhões de pessoas.
4 - Reformular o ordenamento do território. Não apenas a rodovia e a ferrovia, não apenas os terrenos urbanos e rurais, não apenas a extinção de municípios de pequena dimensão; mas principalmente, toda uma questão paisagística, arquitectónica e de organização do espaço florestal, edificado e vias de comunicação e transporte em ligação com os objectivos gerais da região, de acordo com a localização específica: zonas específicas para agricultura, pesca, indústria, turismo, cultura, negócios e articulação das mesmas com directivas políticas transversais ao espectro ideológico (para não mudarmos de estratégias de 4 em 4 anos).
5 - Acabar com o choradinho do QREN, do financiamento público, das SCUT's portajadas, do TGV suspenso, da Linha do Tua e do Red Bull Air Race. Já que nos retiram a capacidade de reagir nessa matéria, salte-se para outra questão: acabar com o actual modelo de financiamento fiscal, em que o dinheiro tem de ir para a capital para ser contado e redistribuído pelo país. Já que não temos mão na despesa, teremos voz na receita que geramos. E se somos bons e acreditamos sê-lo, governaremo-nos a nós próprios, com responsabilidade, direcção e auto-determinação. Não precisamos de choradinhos nem de mãos estendidas para nada.
6 - Por fim, acabar com a hegemonia partidária dos PS's, PSD's, CDS's, PCP's e BE's deste nosso país. Aceitar que entrem no Partido apenas pessoas não provenientes ou não militantes de um dos clubes dos grandes. Começar do zero. Assumir que a ideologia no nome do partido cega as pessoas e que é urgente acabar com esta colagem de executivos a orientações ideológicas dos nossos anos 80. O único partido que neste momento serve ao Norte é o Partido do Norte. Entrar em campo para ganhar, para ser o primeiro, para liderar; não para servir coligações e ser macaquinho saltitante. Ser ambicioso, ousar disputar para ganhar. Subir a fasquia até ao limite. Ser determinado em não ceder a presentes de sedução dos partidos nacionais.
Com prioridades destas, a regionalização viria majorada. Se tudo isto conseguisse ser idealizado e programado previamente à consagração da regionalização, seria ouro sobre azul. Uma regionalização com esta base seria uma regionalização que funcionaria e se desenvolveria muito melhor do que o simples "aceitar acrítico" de uma qualquer descentralização administrativa, que não é mais do que um rebuçado para calar certas vozes incómodas que fazem comichão mas que não picam.
O Norte foi prejudicado todos estes anos, e mesmo assim, até nem se saiu nada mal. Tendo em conta o que nos foi impingido, e o que nos foi roubado, conseguimos manter a unidade e seguir o nosso caminho, ainda que de forma atribulada e condicionada. Imagine-se agora o potencial da região com o seu destino nas próprias mãos.
Sem comentários:
Enviar um comentário