Aqui no Minho há uma rede complexa de redes urbanas que estão ligadas por imensas vias rodoviárias. Devido à enorme quantidade de vilas, cidades e aglomerados urbanos que potenciaram e foram potenciadas pela grande densidade populacional, mas também devido ao terreno acidentado, irregular e ligeiramente montanhoso, as auto-estradas foram desde sempre um meio de ligação entre as diversas populações.
A verdade é que foram criados filhos e enteados. No percurso Alto Minho-Porto, há duas auto-estradas: a A3 (até Valença, via Braga) e a A28 (até Viana, via litoral). São praticamente iguais em distância e, pasme-se!, têm qualidade e características semelhantes. Aquilo que as distingue é o facto de que a primeira paga portagem desde sempre e a segunda nunca o fez.
Mais abaixo, Porto-Aveiro é ligado pela A1 (pagante), mas também pela A29 (via Albergaria-a-Velha). A primeira paga-se, a segunda não.
Na ligação Este ao Porto, a A4 é paga a partir de Ermesinde e até Vila Real. A A7 também, para Guimarães e Vila Pouca de Aguiar. Mas a A41/A42, geograficamente paralela a essa duas, que liga Pedras Rubras/Maia a Paços de Ferreira e a Lousada, já não paga. Ironicamente, essa auto-estrada que não paga é a que tem melhores condições, vias de rodagem e é a mais nova de todas.
Isto vem provar que as comissões de utentes de todos os municípios atravessados pelas SCUT são uma autêntica macacada. As manifestações para não pagar portagem são a prova do maior egoísmo regional que eu já vi, com gente que se sente filha a afastar-se de gente que considera enteada.
O argumento do não-cumprimento dos critérios de aplicação de portagem não cola. Se a região de Vila do Conde/Póvoa do Varzim não tem rendimento per capita alto, que dizer do enclave do Vale do Ave e do Vale do Tâmega, a poucos quilómetros e em actual recessão económica? E as gentes dos municípios de Basto (Cabeceiras, Mondim, Celorico), dos mais pobres do país e que pagam forte e feio?
Estas comissões argumentam que as EN13, EN1 ou EN105 não são alternativas. É então tempo de fazer a pergunta: e a EN14 e a EN101 são alternativas à A3? A N206 é opção à A7? A N15 pode ser sugestão à A4?
Sofremos todos do mesmo: as EN foram municipalizadas e infiltradas no tecido urbano. Foi a falta de planeamento urbanístico e rodoviário que levaram à introdução de rotundas, semáforos e enormes filas nas EN. Mas isso não poderá nunca ser argumento para oposição às portagens nas AE. Quem usa AE, tem de pagar. Se todos pagarmos portagens das AE que usamos, é mais um passo para que paguemos gradualmente menos impostos.
Caso contrário, e se não estão a sugerir que uns merecem ser isentos e outros não, então a única explicação para o protesto é a de que os empresários e as famílias de Famalicão, Braga, Guimarães, Ponte de Lima, Fafe, Amarante, Valença e Vila Real são ricos, em oposição às de Viana, Esposende, Sta. Maria da Feira, Lousada que são uns coitadinhos que acham que não podem pagar o que os outros pagam por um serviço semelhante e por vezes até melhor.
A única coisa que se deve exigir é que a SCUT do Algarve (A22) também seja paga, para que não haja dualidade de critérios e submissão ao turista. As únicas que devem permanecer isentas são as do interior, por motivos óbvios de coesão (A25, A24, A23).
E o derradeiro argumento do tecido empresarial é o mais ridículo: se uma empresa vai ao fundo só porque tem de passar a pagar portagens nas AE que utiliza, então essa empresa nem sequer deveria estar a funcionar.
Que não se ouse em usar o argumento da guerra Norte-Sul. Desta vez, quem está a criar guerra com o Norte não é o Sul, mas alguns do próprio Norte. Enoja-me este umbiguismo paroquial e intra-regional.
A verdade é que foram criados filhos e enteados. No percurso Alto Minho-Porto, há duas auto-estradas: a A3 (até Valença, via Braga) e a A28 (até Viana, via litoral). São praticamente iguais em distância e, pasme-se!, têm qualidade e características semelhantes. Aquilo que as distingue é o facto de que a primeira paga portagem desde sempre e a segunda nunca o fez.
Mais abaixo, Porto-Aveiro é ligado pela A1 (pagante), mas também pela A29 (via Albergaria-a-Velha). A primeira paga-se, a segunda não.
Na ligação Este ao Porto, a A4 é paga a partir de Ermesinde e até Vila Real. A A7 também, para Guimarães e Vila Pouca de Aguiar. Mas a A41/A42, geograficamente paralela a essa duas, que liga Pedras Rubras/Maia a Paços de Ferreira e a Lousada, já não paga. Ironicamente, essa auto-estrada que não paga é a que tem melhores condições, vias de rodagem e é a mais nova de todas.
Isto vem provar que as comissões de utentes de todos os municípios atravessados pelas SCUT são uma autêntica macacada. As manifestações para não pagar portagem são a prova do maior egoísmo regional que eu já vi, com gente que se sente filha a afastar-se de gente que considera enteada.
O argumento do não-cumprimento dos critérios de aplicação de portagem não cola. Se a região de Vila do Conde/Póvoa do Varzim não tem rendimento per capita alto, que dizer do enclave do Vale do Ave e do Vale do Tâmega, a poucos quilómetros e em actual recessão económica? E as gentes dos municípios de Basto (Cabeceiras, Mondim, Celorico), dos mais pobres do país e que pagam forte e feio?
Estas comissões argumentam que as EN13, EN1 ou EN105 não são alternativas. É então tempo de fazer a pergunta: e a EN14 e a EN101 são alternativas à A3? A N206 é opção à A7? A N15 pode ser sugestão à A4?
Sofremos todos do mesmo: as EN foram municipalizadas e infiltradas no tecido urbano. Foi a falta de planeamento urbanístico e rodoviário que levaram à introdução de rotundas, semáforos e enormes filas nas EN. Mas isso não poderá nunca ser argumento para oposição às portagens nas AE. Quem usa AE, tem de pagar. Se todos pagarmos portagens das AE que usamos, é mais um passo para que paguemos gradualmente menos impostos.
Caso contrário, e se não estão a sugerir que uns merecem ser isentos e outros não, então a única explicação para o protesto é a de que os empresários e as famílias de Famalicão, Braga, Guimarães, Ponte de Lima, Fafe, Amarante, Valença e Vila Real são ricos, em oposição às de Viana, Esposende, Sta. Maria da Feira, Lousada que são uns coitadinhos que acham que não podem pagar o que os outros pagam por um serviço semelhante e por vezes até melhor.
A única coisa que se deve exigir é que a SCUT do Algarve (A22) também seja paga, para que não haja dualidade de critérios e submissão ao turista. As únicas que devem permanecer isentas são as do interior, por motivos óbvios de coesão (A25, A24, A23).
E o derradeiro argumento do tecido empresarial é o mais ridículo: se uma empresa vai ao fundo só porque tem de passar a pagar portagens nas AE que utiliza, então essa empresa nem sequer deveria estar a funcionar.
Que não se ouse em usar o argumento da guerra Norte-Sul. Desta vez, quem está a criar guerra com o Norte não é o Sul, mas alguns do próprio Norte. Enoja-me este umbiguismo paroquial e intra-regional.
:p Join the dark side. We have cookies! BUAH AH AH AH AH!!!!!
ResponderEliminarApoiado!
ResponderEliminarSó quero fazer um reparo:
A A28 não é da mesma qualidade da A3. Nota-se diferença na qualidade do piso e na sobreposição de vias de aceleração com vias de desaceleração, porque as entradas na AE estão poucos metros antes das saídas. Esta sobreposição não acontece na A3, que foi construída de raiz como uma verdadeira auto-estrada, com todos os requisitos de segurança exigíveis. A A28 não era suposto ser uma auto-estrada. Mas é verdade que, após várias melhorias, agora é quase uma auto-estrada. Deve ser paga, apesar de, pelas diferenças que eu referi, dever ter portagens ligeiramente mais baixas.