"(...)Esta vitória foi um duro golpe numa concepção transviada de elitismo que tinha tomado conta do PSD. As sociedades e os partidos políticos precisam de élites, e produzem-nas - melhores ou piores - em qualquer circunstância. Mas em democracia, não é élite quem quer, quem herda ou quem se auto-proclama como tal. Numa democracia a élite é composta por aqueles que a cada momento têm a capacidade de assumir o papel e a função que uma élite deve ter na sociedade. Ontem, saíram derrotados os que confiaram na lógica de casta, e venceram os que apostaram no trabalho, na vontade e no mérito. E isso tem um imenso significado naquilo que vai ser a reconfiguração das élites políticas no PSD.
(...)Já era tempo de o PSD perceber que a autenticidade não desculpa o amadorismo, e que se a mensagem é o mais importante a primeira obrigação do político é saber transmiti-la com eficácia. Mas renovada também pela aposta na abertura das ideias e pela desfulanização do discurso.O PSD deixou-se intoxicar ao longo dos anos pelo carácter pessoal das suas lutas intestinas, o que veio até a repercutir-se na forma excessivamente centrada na pessoa do primeiro-ministro de fazer oposição ao PS. Pedro Passos Coelho, que se manteve durante estes anos afastado dessas más práticas, demonstrou já que pretende um PSD mais respirável, mais acolhedor para o debate de ideias, mais capaz portanto de construir uma alternativa confiável.(...)
O estrato superior do significado desta vitória é o posicional-ideológico. Esta eleição teve o mérito de permitir ao PSD optar com clareza entre dois caminhos distintos, um de pendor liberal-conservador e outro de pendor liberal-democrata. Era para mim evidente, já há meses, que era este último o caminho que melhor reproduzia a fórmula que permitiu ao PSD ter sucesso no passado: promover profundas mudanças na economia, procurando encontrar um equilíbrio nos valores sociais.(...)"
Vasco Campilho, in Aparelho de Estado. Ver aqui.
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