Eu preferia que tivesse ganho Aguiar-Branco. Depois de um óptimo discurso de lançamento de candidatura de Rangel, a que eu aqui aderi, a sua candidatura foi caindo de forma assustadora na sua qualidade e consistência. Verificou-se que Rangel não estava preparado, foi empurrado pelos que achavam que Aguiar-Branco não tinha capacidade de ganhar as directas e rodeou-se de apoios que contradizem aquilo mesmo que eu elogiei e que era a essência da sua candidatura.
Passos Coelho, pelo contrário, estava mais do que preparado: tinha um programa já bem estruturado e tinha apoios e tropas. Aguiar-Branco, por seu turno, foi o protagonista de uma candidatura já previamente anunciada nos bastidores, corajosamente mantida depois de lhe ter sido tirado o tapete e levada a cabo sempre com dignidade e, tendo perfeita consciência da derrota, com um espírito de contribuir com ideias válidas para o partido.
Passos Coelho não era a minha escolha precisamente por aquilo que lhe permitiu ganhar as directas: é um político profissional. Sabe o que é preciso fazer em cada momento e fá-lo com a frieza que for preciso. Um exemplo: as suas duas intervenções críticas nas campanhas das europeias e das legislativas. O que ele fez é feio, mas sabia que viria a colher frutos, como muito bem se pôde perceber à época. Mas o que o militante actual do PSD quer é isto. Escolheu o candidato que lhe parece que mais rápida e facilmente vai chegar ao poder. É o fim do amadorismo na política.
Não seria a minha escolha, mas também reconheço méritos ao Passos Coelho. De facto, nota-se que ele é persistente e trabalhador e ganhou as directas com as ideias certas. Soube ainda ganhar as directas com um resultado inequívoco mas nunca espezinhando os adversários. Conseguiu ganhar de forma a ter agora condições para unir o partido, que ele sabe muito bem que é o que precisa de fazer.
Agora a união depende da seriedade dos discursos de ontem à noite. Se todos os candidatos pretenderem agir como falaram e se os apoiantes desses candidatos seguirem o mesmo caminho, podemos estar perante o início de uma nova boa fase do PSD.
Só lamento uma coisa: os resultados mais expressivos foram conseguidos à custa do cacique; um tipo de cacique (porque há vários tipos) que revela aquilo que de pior existe nos grandes partidos portugueses. Mas esta questão fica para um próximo post!
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