
As próximas directas do PSD serão determinantes para o futuro da direita.
Em primeiro lugar porque o PSD, ainda que hipocritamente, é o partido que agrega a maioria do eleitorado do centro-direita. Não se lá encontra um único social-democrata. O partido que começou por ser uma alternativa de reacção ao socialismo é hoje um partido materialmente de direita ainda que não o seja do ponto de vista formal. Passos Coelho teve a honestidade de o reconhecer quando disse que apesar de ser este o nome do partido, escolhera um outro caminho ideológico para ele.
Em segundo lugar porque estas são as directas da clarificação. Pela primeira vez desde de que Sócrates subiu ao poder, o PSD tem aqui a sua derradeira oportunidade de escolher o próximo 1º ministro. A era Sócrates acabou para o país e para o PS. E o PS vai andar á deriva até encontrar sucessor para ele, da mesma forma que o PSD andou. Desta vez, no PSD, os “partidos” dentro do partido assumiram-se e vão às directas. Quem ganhar será o próximo candidato a PM. As eleições estão o distantes o suficiente para o futuro líder preparar o partido e próximas o suficiente para que não haja boicote ao líder.
A partir do momento em que o líder ganhe as legislativas vai haver poder para distribuir e o partido ficará anestesiado até ao fim desse ciclo.
Pedro passos Coelho deverá ganhar as eleições internas com alguma facilidade. Ainda não cometeu um único erro. È o candidato da mudança num partido que tem de mudar. Tem uma boa imagem mediática o que comprovam as suas taxas de aprovação. Para além dos seus exércitos partidários tem a simpatia do militante comum. Para além das duas qualidades tem a seu favor os defeitos de Rangel. Paulo Rangel tem os apoios divididos com Aguiar Branco. Não ficou bem visto no processo de pré-candidatira e conseguiu hostilizar Aguiar Branco. Cometeu demasiados erros num curto espaço de tempo: desde a intervenção de pré-campanha no Parlamento Europeu, a antecipação pouco ética em relação a Aguiar Branco, tudo isto provocou mossa na sua imagem pública. Ganhou umas eleições, pois ganhou. Teve o mérito de ser persistente e batalhador na campanha das europeias e mas teve a ajuda de Vital Moreira que as soube perder.
Também é verdade que o congresso será o grande palco destas directas mas Passos Coelho parte em clara vantagem e só tem de a saber manter. Se Passos Coelho sair bem no congresso tem a eleição assegurada.
Na era Passista o PSD será um partido liberal. Liberal económico e liberal social. Aqui reside a grande questão. Que tipo de eleitorado terá um partido destes em Portugal? Na maioria dos países ocidentais estes partidos ocupam o centro-esquerda e são relegados para terceiro lugar como os liberais democratas no Reino Unido. O truque no PSD é a indefinição agregadora no que toca aos costumes. Se o PSD de Passos Coelho não tocar no assunto dos Costumes e aludir a economia liderará a direita. Se insistir neste liberalismo social será empurrado pelo CDS para o centro. Paulo Portas poderá consolidar a direita liberal económica e conservadora. Tudo depende de Passos Coelho.
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