Num país normal, em condições normais, Sócrates já se teria demitido do cargo de primeiro-ministro, ou o PR o teria demitido, ou a AR teria aprovado moção de censura ao Governo, ou alguma destas hipóteses estaria iminente.
Ironia das ironias, é a situação económica criada pelo próprio Sócrates que o mantém no seu lugar. A oposição, apesar de perceber que isto não é primeiro-ministro que se apresente, tem consciência das graves consequências que uma queda do Governo teria a nível internacional. A estabilidade política, neste momento, é essencial. E por isso o PSD não teve ainda a coragem de pedir a devida cabeça do primeiro-ministro. E também por isso o PS mantém o apoio, apesar do evidente embaraço de quem o compõe e ainda tem alguns escrúpulos.
Mas este equilíbrio é muito instável. Preparem-se, porque isto não vai ficar por aqui.
Oh senhor Presidente do Conselho, e que tal esperar pelos resultados da Comissão de Ética/Inquérito sobre este caso antes de começar a exigir a cabeça do Socretino? ;p
ResponderEliminarFrancamente que atitude populista, não te fica nada bem lol! És um incendiário pah!
Até o Watergate teve direito a um Comité do Senado, um Procurador Especial, um Acórdão do STJ e a investigações da Câmara dos Representantes antes de uma notícia de jornal dar origem à renúncia de um Presidente.
Tem respeitinho pelo Estado de Direito pah! ;p
O meu post não se refere apenas aos recentes desenvolvimentos. O que se sabe sobre este caso é ainda nebuloso e portanto, por si só, não seria, num país normal e em condições normais, escândalo que deitasse abaixo um primeiro-ministro. O problema é que não é o primeiro caso que põe em causa, de forma gravíssima, a honestidade (em sentido amplo, e para ser bonzinho) do primeiro-ministro.
ResponderEliminarConsidero que, desde há uns anos tem havido uma sucessão de casos que vão sendo descobertos e nunca cabalmente esclarecidos, mas que têm sempre um conjunto de factos indesmentíveis. Tem havido um padrão de actuação, que permite já ajuizar do tipo de pessoa que temos à frente do nosso país. Não se trata de um escândalo individual.
Por toda esta sucessão, o primeiro-ministro não tem, hoje, a autoridade moral para exercer o cargo que exerce. Ou, num país normal, não teria...
Quanto ao teu apelo final, reencaminho-o para as principais personagens de todo o enredo que se tem vindo a descobrir.