quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Abutres

Deixa ver se eu percebi.

1. O Banco Icesave, da Islândia, faliu o ano passado e deixou pendurados os investidores britânicos e holandeses que lá tinham depositado poupanças.

2. O Governo Islandês assegura bail-out para não provocar efeito-dominó. Agora, tiveram uma nova ideia: endividar o país em 3,8 mil milhões de Euros, de modo a reembolsar esses depósitos em 14 anos e a uma taxa de juro de 5,5%. Único problema: quem paga são os contribuintes.

3. Os contribuintes, obviamente, não gostaram muito da ideia, e lançaram uma petição contra a medida, que reuniu 23% da população do país em poucos dias. Digamos que a ideia de cada um dos 300.000 islandeses ter de pagar 13.000 euros a investidores estrangeiros, sem qualquer contrapartida, e com a noção de que isso vale 40% a 60% da riqueza nacional, não é muito convidativo. O Presidente ouviu-os e vetou a lei. Agora a questão vai a referendo.

4. As agências de rating, as mesmas que estiveram na origem da crise internacional com as suas notações "excellent", "AAA", "AA+" e géneros afins que sobreavaliaram e diagnosticaram erradamente certos activos e fundos, já começaram a baixar os ratings das finanças do país com o receio de incumprimento, onerando as dívidas e levando a instabilidade e desinformação.

Para além da ironia que tem sempre o seu lado cómico, ninguém mais para além de mim acha isto tudo tremendamente porco e descarado? É que eu acho. Paremos brevemente para pensar. É daquelas pequenas coisas que justifica tão bem a minha repulsa por aquilo a que muitos chamam auto-regulação da finança internacional (sob a áurea de todos aqueles eufemismos).

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