O Bloco de Esquerda e os movimentos LGBT têm transformado a luta pelo casamento homossexual em duas lutas distintas (ou em duas tentativas de consagração de direitos distintas):
- A primeira é a garantia de equivalência de direitos a todos os casais, seja em termos fiscais, de transmissão e sucessão de propriedade, de comunhão de bens ou de outra coisa qualquer. Aqui a população está (parece-me) maioritariamente favorável. Aliás, nem me parece correcto (eticamente, não moralmente) restringir direitos e regalias a um determinado casal, só porque ambos os indivíduos são do mesmo sexo.
- A segunda é a integração desses direitos no quadro da regulação do casamento. Eu apoio isto: parece-me mais rápido, simples e barato; logo, mais fácil e menos confuso. Mas perante tanta gente contra essa transformação institucional, perante a sensação de que mais de 50% das pessoas está contra e (também) perante a não-urgência da questão, esta segunda luta (a da denominação) parece-me acessória, de luxo ou uma espécie de cereja em cima do bolo.
Nestes casos, o melhor a fazer é optar por uma política de second-best: para não sermos anti-democráticos e porque a mudança tem de exigir aceitação generalizada dos seus afectados, então talvez se devesse optar, nem que fosse temporariamente, por uma alternativa. Por exemplo, a união civil. Os direitos estariam lá, as garantias também e o reconhecimento igualmente; simplesmente, não se entraria em choque por uma treta de nome cujo significado é apenas simbólico e não prático.
E já agora, uma coisa que pode ter a ver e que ao mesmo tempo pode não ter nada a ver com isto: "Vivíamos com leis impostas pelos brancos. Tínhamos de fingir que éramos europeus. Com essa mudança passámos a ter o domínio das nossas vidas". Na África do Sul, a poligamia masculina é aceite porque está imbuída na cultura regional/nacional. Devemos pregar, numa lógica progressista, que passem a ignorar a sua idiossincrasia e que adoptem o nosso novo conceito de casamento? Fica a questão.
- A primeira é a garantia de equivalência de direitos a todos os casais, seja em termos fiscais, de transmissão e sucessão de propriedade, de comunhão de bens ou de outra coisa qualquer. Aqui a população está (parece-me) maioritariamente favorável. Aliás, nem me parece correcto (eticamente, não moralmente) restringir direitos e regalias a um determinado casal, só porque ambos os indivíduos são do mesmo sexo.
- A segunda é a integração desses direitos no quadro da regulação do casamento. Eu apoio isto: parece-me mais rápido, simples e barato; logo, mais fácil e menos confuso. Mas perante tanta gente contra essa transformação institucional, perante a sensação de que mais de 50% das pessoas está contra e (também) perante a não-urgência da questão, esta segunda luta (a da denominação) parece-me acessória, de luxo ou uma espécie de cereja em cima do bolo.
Nestes casos, o melhor a fazer é optar por uma política de second-best: para não sermos anti-democráticos e porque a mudança tem de exigir aceitação generalizada dos seus afectados, então talvez se devesse optar, nem que fosse temporariamente, por uma alternativa. Por exemplo, a união civil. Os direitos estariam lá, as garantias também e o reconhecimento igualmente; simplesmente, não se entraria em choque por uma treta de nome cujo significado é apenas simbólico e não prático.
E já agora, uma coisa que pode ter a ver e que ao mesmo tempo pode não ter nada a ver com isto: "Vivíamos com leis impostas pelos brancos. Tínhamos de fingir que éramos europeus. Com essa mudança passámos a ter o domínio das nossas vidas". Na África do Sul, a poligamia masculina é aceite porque está imbuída na cultura regional/nacional. Devemos pregar, numa lógica progressista, que passem a ignorar a sua idiossincrasia e que adoptem o nosso novo conceito de casamento? Fica a questão.
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