A desigualdade de rendimentos é, sem dúvida alguma, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e ao progresso civilizacional. O seu nível e a sua tendência geram inúmeras consequências e mecanismos que mais do que influenciam (determinam) o percurso dos Estados. Já Hirschman havia dito, metaforicamente, que “se vários indivíduos forem a conduzir numa fila de trânsito com várias faixas de rodagem, é natural que uns se queixem e se revoltem se a fila do lado começar a andar mais rápido do que a deles de forma inexplicável e sem razão aparente” (a citação não é rigorosa, vem da memória). Não nos equivoquemos: a desigualdade, mais do que um fenómeno social, é um fenómeno com raízes psicológicas que age directamente no quotidiano social.
Analisar a desigualdade é, apesar de tudo, mais complicado do que parece. Começa logo com o ponto de vista que tomamos. Identifico 3 possíveis. Em primeiro lugar, a desigualdade pode ser vista de um prisma “observador” (algo próximo do senso comum), ou seja, da percepção que temos acerca da distribuição de rendimentos (“os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”) – esta alternativa, apesar de passível de credibilidade, não é científica. A segunda alternativa é a Curva de Lorenz para a distribuição de rendimentos, mas esta não permite observações a olho nu para economias com distribuição próxima (devido a cruzamento de curvas). Daí que a forma mais usada para analisar a desigualdade seja quantitativa e através dos índices de dispersão, em particular o índice de Gini.
O índice de Gini varia entre 0 e 1, sendo que um valor de 0 equivaleria a uma economia com perfeita distribuição de rendimento (todos iguais) e um valor de 0,99 corresponderia virtualmente à situação de, numa certo economia, um indivíduo deter praticamente toda a riqueza, sendo que todos os outros indivíduos teriam o pouco restante. Mas mesmo aqui o índice apresenta variadas dificuldades metodológicas (imensas, imensas!) que não vou explanar por ser algo demasiado abrangente. (Para os interessados no assunto, recomendo Branko Milanovic – “Global Income Inequality: What it is and why it matters” (2006)).
Serve este post para introdução aos próximos, em que vou fazer um pequeno e breve apanhado do estado da desigualdade de rendimentos não só em Portugal, mas também em outros casos ad hoc, bem como a nível mundial, e retirar algumas conclusões.
Analisar a desigualdade é, apesar de tudo, mais complicado do que parece. Começa logo com o ponto de vista que tomamos. Identifico 3 possíveis. Em primeiro lugar, a desigualdade pode ser vista de um prisma “observador” (algo próximo do senso comum), ou seja, da percepção que temos acerca da distribuição de rendimentos (“os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”) – esta alternativa, apesar de passível de credibilidade, não é científica. A segunda alternativa é a Curva de Lorenz para a distribuição de rendimentos, mas esta não permite observações a olho nu para economias com distribuição próxima (devido a cruzamento de curvas). Daí que a forma mais usada para analisar a desigualdade seja quantitativa e através dos índices de dispersão, em particular o índice de Gini.
O índice de Gini varia entre 0 e 1, sendo que um valor de 0 equivaleria a uma economia com perfeita distribuição de rendimento (todos iguais) e um valor de 0,99 corresponderia virtualmente à situação de, numa certo economia, um indivíduo deter praticamente toda a riqueza, sendo que todos os outros indivíduos teriam o pouco restante. Mas mesmo aqui o índice apresenta variadas dificuldades metodológicas (imensas, imensas!) que não vou explanar por ser algo demasiado abrangente. (Para os interessados no assunto, recomendo Branko Milanovic – “Global Income Inequality: What it is and why it matters” (2006)).
Serve este post para introdução aos próximos, em que vou fazer um pequeno e breve apanhado do estado da desigualdade de rendimentos não só em Portugal, mas também em outros casos ad hoc, bem como a nível mundial, e retirar algumas conclusões.
Gini?
ResponderEliminarO Gini que põe a Suécia, Noruega e Finlândia a par da Ucrânia, Bielorrússia e Hungria? Que dá mais à Bulgária que ao Canadá? Que salienta o bom exemplo da Etiópia, Iémen, Indonésia, Vietname, India e Mongólia como estando melhor que os EUA? Esse Gini? LOL esta gente nunca deixa de me surpreender :)
Talvez não tenhas percebido bem o propósito do post. Dou-te esse desconto e dou-te também uma interpretação especial.
ResponderEliminarO índice de Gini nunca teve a pretensão de ser um indicador de medição do nível de desenvolvimento nem do estádio civilizacional de um país. É um indicador baseado numa fórmula matemática de dispersão, o que significa que o valor de uma dada economia sai majorado com diferenças maiores de rendimento. Não está em causa a afirmação de que ser-se pobre em Portugal é melhor do que se ser rico na Etiópia, mas apenas a ideia de que a distribuição de rendimentos importa e que essa dispersão diz muito dos efeitos que tal traz para o desenvolvimento.
Dos exemplos que deste, lamento desiludir-te: a Ucrânia, a Bielorússia e a Hungria estão mais perto do 0,3 do que do 0,25; e se tal é assim tão assustador, basta recordar a harmonização de rendimento dos países do bloco soviético até 1990. E se os EUA têm um índice bastante acima daquilo que lhes seria a priori atribuído se dentro da média do Ocidente, tal deve-se a características específicas do país em concreto. É apenas isso que o indicador mostra e é apenas isso que se quer salientar. Levar a discussão mais longe do que isso não saiu da minha boca.
Uma coisa é fazer comparações directas ad hoc e retirar daí uma conclusão estúpida em forma de pergunta. Coisa diferente disso é estudar os diferentes níveis de desigualdade, traçar teoria em torno disso e analisar os efeitos que a desigualdade pode trazer a partir daquilo que o índice nos dá.
A tua resposta foi uma verdadeira "não resposta" :) que o indice de Gini não serve para isso sei eu bem. A critíca não era ao indice em si mas ao uso que lhe queres dar: logo na 1:ª frase tratas de dizer como a igualdade na distribuição de rendimentos é factor de progresso e desenvolvimento civilizacional. O seu nível pelos vistos até influencia e determina o percurso dos Estados xD Realmente, por isso é que se calhar o bloco sovietico com toda a harmonização que referiste teve o brilhante percurso a que assitimos. Igualdade leva a desenvolvimento in deed :p Engraçado que na definição wikipediana que deste, chegas miraculosamente à conclusão de que "a distribuição de rendimentos importa". Isto sem que nada tenhas indicado até essa frase que permita chegar logicamente a tão brilhante dedução. Acho que o termo correcto para uma falácia desse tipo é "non sequitur". Gostei da parte das 5 décimas de diferença pra tentar com esse pormenor escapar ao aburdo da situação. A Austria com 0,29 então está a par da Bulgária? Os 0,35 da Austrália ou os 0,33 da Suíça indicam que são países temíveis imagino lol. Até o Iemen e o Bangladesh têm valores dessa magnitude! Honestamente Luís, que conclusões brilhantes esperas tirar, partindo da análise de um indice que põe Suíça e Bangladesh ao mesmo nível? Para mim um critério que ponha a Etiópia e o Paquistão à frente do Canada, Reino Unido, Belgica ou Portugal em QUALQUER variante que não a taxa de natalidade é um indice que só permite conclusões viciadas. Enfermadas a priori, se o tema da análise é descobrir "obstaculos ao desenvolvimento". Pra isso há indices dos quais poderias partir bem mais adequados e capazes de te fazer chegar a melhores conclusões. Mas talvez a questão essencial seja mesmo essa: o que pretendes é partir de premissas para chegar a conclusões ou descobrir as premissas que te permitam atingir as conclusões pretendidas? ;)
ResponderEliminarerrata: cinco centésimas :)
ResponderEliminarÉ que nem citar o que eu escrevo consegues fazer direito.. valha-me nossa senhora. Já nem peço o "interpretar", chegava-me o "copiar" ou o "citar", mas nem isso. Queres um post de interpretação personalizada só para ti?
ResponderEliminarFaz parte de qualquer sequência de posts a lógica estrutural entre eles. Este post é introdutório, não serve para conclusão nenhuma. A ideia no primeiro parágrafo não sou eu que a digo, é um fenómeno social mais do que inegável. Podes procurar onde quiseres que vais sempre encontrar a regularidade de que países mais desiguais enfrentam barreiras acrescidas ao progresso.
Em relação aos dados dos exemplos que deste, torno a dizer que não retirei nenhuma conclusão com este post. Limitei-me a fazer uma introdução ao tema. Nunca associei a desigualdade ao nível de desenvolvimento, limitei-me a dizer que desigualdade elevada é um obstáculo ao progresso. Se quiseres colocar a questão noutros termos, és livre para o fazer; não te ponhas é a colar isso nas ideias dos outros. Mas não percebes isso, pois não?
Outra coisa que não percebeste e que não te fazia mal nenhum perceber é uma das bases fundamentais para perceber a lógica da causalidade entre fenómenos. É diferente dizer que a igualdade gera crescimento ou desenvolvimento da ideia de que a desigualdade é um obstáculo ao crescimento. Também é diferente dizer esta última e dizer, alternativamente, que o nível de desenvolvimento está associado temporalmente a uma certa tendência de desigualdade. Para ti é apenas uma mera troca, uma singela inversão; mas na verdade, significa trocar a variável independente pela dependente. Muda a lógica toda. Se eu quisesse pegar no tema da desigualdade como algo associado ao nível de desenvolvimento, teria pegado no trabalho de Kuznets e escusava de estar aqui em rodeios de merda, bastava-me ser epicurista como tu e limitar-me à análise óbvia.
É que não há paciência para isto. Se nem a introdução percebes, não esperes que te venha dar explicações detalhadas do que vier a seguir. Vens para cá dar aulas de análise e nem textos simples sabes interpretar.
Julgo que és o mesmo anónimo que tem comentado por cá a torto e a direito. Creio que sofres do mal de ejaculação precoce na internet. Talvez tivesse sido boa estratégia esperares para ver o que eu ia escrever: falavas depois e, talvez assim, já não passasses tão má figura como passaste aqui e em comentários teus anteriores neste blog.
Gostei dos insultos e do calão, é sempre um bom sinal de que o oponente está a ganhar a discussão :)
ResponderEliminarNão tiraste conclusões? que giro, habitualmente quando se usa de modo abundante expressões como: "sem dúvida alguma", "determinam", "não nos equivoquemos", "essa dispersão diz muito dos efeitos que tal traz para o desenvolvimento", "um fenómeno social mais do que inegável"... tende-se a pensar que o orador não parte de um construtivo estado de dúvida cartesiana mas antes de ideias preconcebidas. Se não era essa a tua intenção até te peço desculpa por ter aí visto malícia, mas aproveito para te alertar para o perigo de tanta certeza num "post introdutório".
Achas que cito mal? Vou então usar o copy/paste só para ti:
"Nunca associei a desigualdade ao nível de desenvolvimento". Como combinas de modo racional essa frase com "A desigualdade de rendimentos é, sem dúvida alguma, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e ao progresso civilizacional"? Se certa variante é tida um dos principais obstáculos a outra, o verbo "associar" tem aqui plena aplicação. Como aliás tu próprio voltas a admitir quando dizes "o nível de desenvolvimento está ASSOCIADO temporalmente a uma certa tendência de desigualdade". Portanto sim, fizeste na tua "introdução" uma conclusão: a de que essa associação desigualdade/falta de progresso/falta de desenvolvimento existe. Deste como premissa aquela que deveria ser quando muito uma conclusão a demonstrar. Aristóteles tinha um nome também para essa falácia em que o que se pretende provar é assumido explícita ou implicitamente nas premissas: "Petitio Principii, Circulus in Probando"!
"A ideia no primeiro parágrafo não sou eu que a digo, é um fenómeno social mais do que inegável. Podes procurar onde quiseres que vais sempre encontrar a regularidade de que países mais desiguais enfrentam barreiras acrescidas ao progresso". Argumento de autoridade? Dicto secundum quid ad dictum simpliciter? argumentum ad populum? post hoc ergo propter hoc? Tou a ver que te licenciaste na escola sofista e fizeste a pós graduação no curso de escolástica :p
Já agora e pela minha suposta "má figura" fico a aguardar refutação das minhas anteriores afirmações. Tanto quanto vi dei-me ao trabalho de enunciar factos e deles retirar ilações sem jamais ter sido corrigido. E se achas que isso foi "comentar a torto e a direito" recomendo-te que passes um pouco mais de tempo na blogosfera, talvez percebas que em qualquer espaço de discussão que se queira aberto, livre e edificador, o que tu chamas de "ejaculação precoce" geralmente tem o nome de "debate de ideias".
Voltando ao assunto, repara que me limitei aqui a criticar a falácia basilar da tua introdução. Em engenharia não é preciso esperar pela feitura do telhado pra ver que há erros nos alicerces. Espero que este reparo sirva ao menos para que reflictas e corrijas a linha de pensamento e que o que venhas a escrever esteja melhor estruturado do ponto de vista argumentativo. Se o fizeres não terei qualquer problema em reconhecer a rectidão do teu pensamneto. Cheers!
Era o que mais faltava! Agora tenho de me explicar a ti? O facto de não perceberes uma coisa tão basilar "obriga-me" a elucidar-te com aulas privativas?
ResponderEliminarJá te disse e volto a dizer que uma introdução parte de premissas. É óbvio que são ideias pré-concebidas pois essa é a natureza das premissas. Podes sempre argumentar que nada no mundo é certo, mas se não partires de premissas relativamente estáveis, nunca sairás satisfeito com os argumentos que te aparecem. É claro que eu podia evidenciar, com base na teoria e no empirismo, a afirmação de que a desigualdade é um empecilho ao desenvolvimento, mas isso deixar-me-ia aqui eternamente para fazer uma introdução ao tema que quero fazer. Achas que é minha intenção escrever aqui um livro? Se não começo a simplificar, nem dou espaço para os meus colegas escreverem nem para eu concluir seja o que for, pois és bem capaz de ser a única pessoa com pachorra para ler testamentos que nunca mais acabam.
E repito: para que raio andaria eu aqui a tentar associar temporalmente o nível de desenvolvimento ao índice de Gini com tanta paneleirice e com uma introdução de partida se, para tal, me bastaria enunciar a curva de U invertido de Kuznets? Para quê? Punha isso e fugia. Mas eu não quero isso. Surpresa das surpresas, não? Já te disse mais do que uma vez que não é isso que pretendo. Isso é associar o nível de desenvolvimento ao nível de desigualdade. O que eu pretendo é partilhar o que eu li e descobri sobre os efeitos da desigualdade na dinâmica de crescimento e de desenvolvimento. Foda-se, é bem diferente! Percebeste agora?
E continuas a citar-me mal. Meteste no teu comentário citações minhas ao contrário: coisas que eu disse que não queria fazer assumiste como as coisas que eu quero dizer, como a cena de eu pretensamente admitir que "o nível de desenvolvimento está ASSOCIADO temporalmente a uma certa tendência de desigualdade". Portanto sim, fizeste na tua "introdução"". Não consegues distinguir o que eu quero dizer daquilo que eu não quero dizer? E depois queres que te dê credibilidade?
Ganhar a discussão? Lamento, não ando a medir pilinhas. Se queres a bicicleta, leva-a. Impressionaste-me com a diarreia de latim que aqui despejaste na classificação dos argumentos, mesmo que esses elementos nunca tivessem sido para aqui chamados.
"Debate de ideias", dizes tu? A tua ejaculação precoce caracteriza-se por falar sem saber e, mais concretamente, por falar sem saber esperar pela conclusão. O debate de ideias acontece quando as ideias são postas em cima da mesa, não quando tu interrompes a meio e começas a debitar críticas. Mas se nem isso te deixa descansado, então não faz mal: eu digo-te, desde já, que isto nunca foi nem nunca será, pelo menos no que a mim diz respeito, o teu oásis de liberdade de expressão. Se me apetecer neste momento apagar os teus comentários ou nem os permitir a partir deste momento, isso é algo que eu posso fazer sem necessidade de te dar seja que explicação for. Se o teu problema é a democracia, não invoques direitos teus onde eles não existem. Como é que se diz isso em latim?
Lol, um pouco mais de decoro anónimo e Luís. Não há necessidade de se exaltarem…
ResponderEliminarP.S. Anónimo, seria de bom-tom levantares o “véu”. Não me parece um procedimento correcto para uma saudável discussão, escudares-te do anonimato para realizares as críticas que tens feito. Se vens aqui para de alguma forma levares de vencida alguém deste blog, numa saudável discussão entenda-se, por mim tudo bem, mas joguemos então com igualdade de armas! ;)
Visto não gostares do “volgare”, despeço-me com erudição…
“Vale!”
Pas du tout! Obviamente não me deves aulas privativas, era o que faltava lol. Mas sendo a blogosfera um espaço de índole pública, deves aos leitores em geral, aos outros "comuns" em particular e até a ti mesmo o dever de em cada post seguires as mais avisadas, claras e sensatas regras da reflexão, para, como é o vosso confesso objectivo, lograres a descoberta da VERDADE :) Eu próprio o faço e por isso me vês aqui com a pachorra que referes, não só para ler, mas para escrever longos textos lol Perdoem-me por isso, mas tenho fortes reservas quanto à utilidade do pequeno bitaite e falta-me o talento para, qual poeta, traduzir um Mundo em 12 linhas.
ResponderEliminarPremissas ideias pré-concebidas? Onde foste buscar essa ideia? As premissas obviamente não devem assentar em presunções não demonstradas do género "a desigualdade é um empecilho ao desenvolvimento". Compreendo que busques a concisão pois, como dizes, isto não é um livro mas um blog. Contudo, tens de ter cuidado para não sacrificar a espinha dorsal do raciocínio tentando ser sucinto. E sim esse ponto é o busílis de toda a exposição e é absolutamente determinante para as conclusões a que chegarás. Não o podes dar de bandeja como se de um pormenorzito ou de uma evidência se tratasse.
Kuznets lol? Mas Kuznets aqui não poderia ser aplicado, porque as conclusões que se retiram da sua curva são até no sentido inverso ao teu "a desigualdade é empecilho ao desenvolvimento", um obstáculo ao mesmo. Isto porque a curva o que demostra, isso sim é que o DESENVOLVIMENTO traz tendencionalmente maior igualdade. A curva é habitualmente interpretada no sentido de que, à medida que um país se desenvolve, tem necessidade de transferir recursos e investimentos em "hardware" para "software" digamos assim, ou seja, para dinamizar o seu capital humano. E isso sim corrige desigualdades. Ora dizer isto é bem diferente de fazer o raciocínio inverso, até porque traduzindo isso para um plano de solução de problemas os dois posicionamentos são MUITO diferentes: este que acabo de referir levar-nos-ia a dizer "temos de promover o crescimento para termos mais igualdade". O teu diz-nos "temos de promover a igualdade para termos desenvolvimento".
Reconheço e peço desculpa pela má interpretação da parte do "temporalmente". Fico-me portanto pela correlação existente entre dizer "é um obstáculo a" e "está inversamente associado a".
Sobre o debate de ideias, 2 observações, uma positiva, outra negativa:
- li o teu 2.º post e vou com agrado elogiá-lo :) afastou-se dos defeitos preconceituosos do 1.º, não lança ao desbarato opiniões encapotadas de factos firmados, tem razoabilidade, aponta indicadores, afirma sustentadamente a existência de um padrão, refere as suas excepções e dá verosímeis razões para as mesmas. É aquilo que uma "premissa" deve ser.
- negativamente: confundes liberdade com democracia e ameaças com censura sem qualquer razão objectiva para tal. Em muitos blogs há controlo prévio dos comentários, moderadores activos, regras de conduta, proibição de comentários anónimos até. Mas essas regras existem para casos e por motivos bem claros: evitar a degradação qualitativa do espaço de discussão, impedir que indivíduos de má fé insultem levianamente os participantes e as ideias ou encham as caixas de comentários com tiradas brejeiras nada edificadoras. Ora onde encontras esse tipo de verborreia nas minhas palavras?
João, tentarei ser de futuro até mais moderado, por consideração aos presentes. Quanto ao véu, asseguro-te que o uso puramente para ver quão bons são os poderes dedutivos de um dos vossos comuns ;p o véu sairá logo que um "eureka" se fizer ouvir :) Até lá não te preocupes, pois a igualdade de armas não sairá afectada. Nada comentarei que não resulte do mero conteúdo do que aqui for postado e nada me dirão que não resulte também do mesmo. As ideias valerão por si! Cheers!
As minhas qualidades dedutivas dizem-me que és o Manel da Católica...
ResponderEliminar;)
Oh Manel, não sabia que estavas à espera que eu viesse aqui denunciar-te para acabares por dizer quem és... lol
ResponderEliminarPronto, já sabemos quem és. Manuel Martins.
Quanto ao post em causa, parece-me que estás a ser demasiado precipitado, Manel. Essa parte do post que tu criticas, a meu ver, não se propõe servir de premissa. Aliás, penso ser óbvio pela sua leitura. É normal que, quando se pretende fazer a análise a um tema, se prefira desde o início revelar a posição que se defende. Se o que se seguir na análise não for constantemente enviesado, não vejo mal nenhum nisso. Eu também o faço muitas vezes.
E, note-se, abona em favor da transparência. Quem ler a análise em causa já sabe a posição adoptada pelo autor.
Olá Luís então essas férias foram boas? :)
ResponderEliminarConcordo a 100% com o que dizes, mas isso até vem no sentido das minhas observações: o Luís aqui ou estava a partir de uma premissa neutral para fazer uma análise construtiva ou estava a partir para a justificação de um ponto de vista pé-existente com base em pressupostos que já por si conduzem às conclusões pretendidas. Pareceu-me que estava a seguir esta segunda via. Contudo, e nisto já discordo de ti, ele não o fez de modo "óbvio", nem preferiu revelar uma posição defendida ab initio. Ao propôr-se a "estudar os diferentes níveis de desigualdade, traçar teoria em torno disso e analisar os efeitos que a desigualdade pode trazer a partir daquilo que o índice nos dá", a INTENÇÃO que ele enuncia é de teor académico, de investigação, de horizontes abertos e sem uma qualquer "agenda" subjacente. Ora esse enunciado propósito não obteve consagração no enquadramento inicial, já que ele começou a partir logo, como bem dizes de algo que não serve de premissa, mas de posição defendida. Não factos, mas opiniões. Ora isto, sendo apresentado não como opinião de autor, mas como evidências, factos inegáveis, indiscutíveis é em si uma base falaciosa do raciocínio argumentativo. Fechando o círculo que comecei regresso ao 1.º latim usado: "Petitio Principii, Circulus in Probando" ;)