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Assim, se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".
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Assim, se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".
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Não me parece correcto, nem tão pouco intelectualmente honesto, esse tipo de raciocínio. Uma das técnicas da retórica é exactamente pintar uma realidade, comestível, e apresentá-la ao auditório a que o discurso se dirige com o intuito de o "dominar". É exactamente o que esse senhor faz ao pegar numa série de dados, desprovidos de qualquer contexto, para construir uma realidade aparentemente objectiva que só ele teve o dom de captar. Não lhe interessava fazer uma crónica pois, como é óbvio, seria terrivelmente subjectivo e isso nada interessava...
ResponderEliminarPreferiu antes vestir a pele de um viajante e relatar uma série de factos objectivos e realidades empiricamente verificáveis como se de um diário se tratasse e, deste modo, abandonar definitivamente a qualidade de comum mortal para se tornar num “untouchable” (na terminologia da máfia ítalo-americana).
Como é óbvio, fundamentalmente na crise que atravessamos, os remédios financeiros não podem ser estáticos e verdades universais. A situação de ontem não é a mesma de hoje e por isso não podemos atribuir incoerências a MFL por tratar diferentemente situações diferentes.
Acresce ainda que, muitas das políticas que outrora foram tomadas, qualificadas como obsessões pelo “monstro do défice”, tinham a sua razão de ser nas ameaças da União Europeia que pairavam sobre o país para que chegássemos ao limite máximo de 3% – note-se que o objectivo seria a médio prazo todos os membros da EU chegarem aos 0%, objectivo esse que foi abandonado pois a economia alemã (o motor da Europa) estava perigosamente a abrandar –, o que adivinhava-se uma tarefa hercúlea especialmente depois da administração Guterres.
Oh João, é absurdo pensar que o objectivo de um país é ter défice de 0%. Com as mãos atadas como estão em matéria de política económica (não temos política comercial externa, cambial ou monetária), rapidamente nos apercebemos que o único meio que temos para instrumentalizar sobre a economia é a política orçamental, e mesmo assim, querem-nos meter com limites ridículos que ninguém verdadeiramente cumpre.
ResponderEliminarE não, João: o argumento de que a sociedade é dinâmica não desculpa o facto de ela defender coisas ... às quais há 5 ou 6 anos se opunha fervorosamente. Não é uma geração, nem sequer chega a uma década! e o país não mudou assim tanto.
Acho curioso dizeres que a situação de "crise" obriga a medidas diferentes daquelas da altura em que ela estava nas Finanças. Pois. Numa situação destas, é quase necessário ser despesista, é obrigatório! Mas ela diz o contrário. Essa é que é essa. Duplamente incoerente.
Na verdade, não foi o senhor Pina (o autor do texto) que me elucidou acerca do que disse. Da hipocrisia e frivolidade das opiniões da MFL já eu sabia, é fácil de ver até para quem não quer; gostei foi da forma como ele escreveu. Parece que ficou ainda mais óbvio.
O objectivo do país não era ter défice 0, era sim evitar as gravosas sanções da união.
ResponderEliminarLuís, obviamente que a realidade de hoje é diferente, estamos a atravessar uma crise profunda da qual estamos agora a recuperar e esses recuos explicam-se no âmbito desse contexto muito próprio. Da mesma forma que uma gripe não se trata da mesma forma que uma pneumonia, também o objectivo de recuperar a economia implicará certamente soluções diferentes das que visariam tão só combater um défice elevado. Isto parece-me bastante lógico.
Se a solução para uma crise é aumentar a despesa, essa é a tua opinião. Os economistas liberais têm uma opinião os mais socialistas outra, não existe um consenso. São diferentes as perspectivas consoante a ideologia e não raras vezes erram na análise, pois o mercado tende a transcender a nossa compreensão, especialmente nos dias que correm. É algo que cada vez mais se torna complicado fazer, exemplo disso são as centenas de teorias económicas que existem, formalmente belas e lógicas mas que tendem, quase sempre, a ser superadas pela crua realidade. Por isso partilho da mesma desconfiança que António José Saraiva manifestou na sua crónica do "Sol" relativamente à fiabilidade dos economistas. Fazem constantes previsões que rapidamente e repetidamente vêm corrigir porque, afinal, a realidade é bem mais complexa do que se julga. Deste modo recuso-me a acreditar na verdade a que te arrogas, pois na análise económica há que ter especial prudência e a humildade necessária para vaticinar comportamentos e deslindar soluções, coisa que duvido que seja o teu caso, pois ainda não és uma autoridade no assunto...
Não posso concordar de todo, com a opinião de que são opiniões frívolas. As propostas que fazem parte do programa do PSD são produto de uma ampla discussão interna e externa; com a contribuição de professores universitários, economistas, juristas e indivíduos de reconhecido mérito no partido... Teve ainda o contributo fundamental do Instituto Sá Carneiro que não deve, nem pode, ser menosprezado. Frivolidades são as propostas do BE, de um partido que tem a facilidade de realizar um programa eleitoral sabendo que não irá ser Governo. Um programa eleitoralista, desfasado da realidade e que usa a demagogia em doses substanciais para infligir o maior dano possível no Partido Socialista.
Oh João, só mesmo para rematar.
ResponderEliminarEm primeiro lugar, as sanções da UE já existem bem antes de não cumprirmos défices e chamam-se "falta de soberania política". Ao termos perdido tanta autoridade e soberania, já fomos sancionados que chegue. Para além do mais, as sanções pelo incumprimento dos valores do PEC (não o da MFL, o outro) eram ridículos, tanto mais que ninguém acabou por ser castigado e, pasme-se!, em 2005 foi feita uma revisão do mesmo no sentido de permitir muito maior margem de manobra para os países membros. Passou a ser possível manter défices elevados desde que justificados numa cláusula abstracta ("todos os factores pertinentes"), passou a poder-se incorrer em défices elevados em anos de recessão, passou a poder justificar-se défices elevados com reformas na SS, etc. Para mim, foi uma evolução positiva, mas não chegou: o prazo para correcção de défices "excessivos" (o que quer que isso signifique) é de apenas 3 anos.
E não, João: não sou só eu nem os socialistas que diz que agora é tempo de gastar. Não, João. É consensual que se tem de gastar; a única dúvida é, na verdade, saber em quê e onde gastar. Não há dúvida que é necessária uma política orçamental expansionista. Quem diz que não, quem afirma que é necessário conter o défice e a dívida está a mentir, sabendo que mente, ou a ser ignorante, mas em ambos os casos a motivação é estritamente política. O PSD tem de manter o seu espaço e tem de ser fiel à ideologia, embora sabendo que neste momento não pode defender expansão da despesa, senão aí o programa ... seria igualzinho ao do PS!
E depois falas do António José Saraiva e da sua opinião sobre os economistas. João, pensei que me conhecesses melhor para saber perfeitamente que aquilo que dizes que ele disse é precisamente o que eu ando a dizer há muito tempo. Que a Economia (enquanto ciência) anda mal e desajustada à realidade, já eu havia notado. Generalizar a todos os economistas é renunciar que existe a chamada "heterodoxia" (da qual eu sou fervoroso adepto e seguidor) e defender que todos os economistas são ignorantes. Para mim, isso é um insulto.
E só para fechar, só mais uma coisa. Provavelmente vais achar arrogante, mas não há outra forma de o dizer. Apesar de eu ser licenciado em Economia há pouco tempo, sei bastante mais da coisa do que muitos ditos economistas de meia tijela que por aí andam a dizer coisas que nunca saíram originalmente da boca deles e que baseiam as suas teorias naquilo que disseste que o Saraiva contestou. Eu sei, preferias que fosse alguém a elogiar-me do que ser eu próprio a fazê-lo. Mas vais ter de confiar no que eu digo.