Em termos sintéticos, consiste na contribuição de uns fanfarrões que em tudo divergem uns dos outros nas mais variadíssimas matérias. O objectivo seria realizar um consenso e assim talvez aproximarmo-nos da Verdade, mas desde já assumimos com alguma descrença e sem pejo algum, que algum dia se logrará!
Manuela Ferreira Leite tinha duas opções: ou incluia Passos Coelho e Miguel Relvas nas listas e tinha a oposição interna bem posicionada para tomar conta do partido se tudo corre-se mal para ela; ou por outro lado excluia-os deixando-os mal posicionados para tomar de assalto o partido ao seu primeiro erro. Acho que o facto de os incluir não levaria a anestisiar a oposição interna mas deixá-los-ia mas bem posicionados para zelarem pela queda de MFL. Assim corta-se o mal pela raiz. MFL ganhou o partido e com isso o direito de escolher os seus candidatos. Já abriu a sua base de apoio até ao santanismo, agora é tempo de exercer autoridade e de não deixar abrir espaços para vaidosias pessoais. Assim Passos Coelho não chegará a ser uma espécie de Manuel Alegre, porque não tem como ter visibilidade. E poupa-se ao partido o trabalho de negociar com ele o seu voto como deputado, cada vez vez que se estiver perante um questão mais fracturante.
Se fosse só isso, nem dizia nada. Num partido plural e tão abrangente como o PSD [se diz ser], é natural que surjam vozes discordantes prontas a mudar a política de base.
Mas não é só isso. Esta coisa só foi aprovada por cerca de 60% dos votos, não foi nem perto de ser minimamente consensual; seis distritais contestam aberta e assumidamente as escolhas da líder; meteu dois arguidos em listas para deputados; e, mais uma vez, encheu as listas com gente claramente alheadas do distrito pelo qual concorrem (algo que, infelizmente, continua a ocorrer em demasia).
Eu diria que está aflita. Mas é normal.
E, já agora, é bem diferente do caso Manuel Alegre. Para não mencionar o facto de que Manuel Alegre esteve muitas vezes sozinho, ele é que defendeu e defende, na essência, aquilo que o Partido Socialista foi na sua génese e aquilo que ele deveria significar ainda hoje, mas que, infelizmente, não o é mais.
- O PSD sempre foi um partido que tolerou bem o pluralismo interno, faz parte do seu código genético . Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso puseram sempre opositores internos nas listas à AR, por respeito para com os militantes que não simpatizavam com as suas ideias. Já Ferreira Leite? PPC teve mais de 30% dos votos nas últimas internas do Partido. E foi afastado pela líder, que assim desautorizou também a distrital de Vila Real que propôs Passos Coelho como cabeça-de-lista.
- Paralelamente um nome como Miguel Relvas, com a visibilidade e reconhecimento que tem no seu distrito foi afastado em prol de... José Pacheco Pereira! Não é que a figura de JPP em si tenha algo de errado... mas como se justifica a sua inclusão em Santarém, um distrito ao qual nem pertence? É a Marmeleira razão que baste para considerar um portuense de gema como figura de proa ribatejana?
- O mesmo raciocínio se aplica a Bacelar Gouveia. Um Lisboeta cabeça de lista por Faro? O PSD nacional reconhece assim que não vê em ninguém do Algarve competência e credibilidade para liderar os deputados laranja pelo distrito, pelo que tem de chamar algúém da capital para a "província"!
- Alberto João Jardim cabeça de lista pela Madeira? Numa altura em que tanto se criticam os deputados que eleitos não cumprem os mandatos, que se chamam "candidatas fantasma" a Ana Gomes e Elisa Ferreia e o PSD clama por ser o partido da verdade e seriedade, nomeiam para cabeças de lista pessoas que jamais assumirão funções na AR!
- António Preto e Helena Lopes da Costa por Lisboa. Sobre este assunto não há mais nada a dizer.
- Fernando Negrão por Setúbal. O homem abandonou o seu cargo na cidade para se candidatar a Lisboa. Agora volta? Os portuenses disseram nas sondagens a Elisa Ferreira o que pensam daqueles que se propõem a abandonar lugares de vereação na Câmara em troca de "melhor" pousio. Estou certo de que os sadinos saberão o que dizer de quem no passado também os trocou pla capital.
- Deus Pinheiro por Braga. O homem que ficou conhecido por ser um eurodeputado ausente no PE e que trocava de bom grado o trabalho por uma ida ao golf em período laboral! É esta a imagem de marca de um PSD que justifica as actuais listas com base no reconhecimento do trabalho, mérito e presenças dos deputados na AR?
- E paralelamente: juventude? renovação? zero! O instituto Sá Carneiro de Alexandre Relvas tem feito um trabalho notável na criação de um think tank laranja, com propostas, ideias, conteúdos e caras novas. Miguel Morgado, Pedro Picoito... onde estão as faces jovens mas de elelvada qualidade do PSD? Nas listas não estão com certeza! Cadê a imposição de sangue fresco que a "brisa" Paulo Rangel parecia anunciar?
A montanha pariu um rato! O pior do Cavaquismo e o puro "centralismo democrático" imperam nestas escolhas. Ferreiristas até à medula, não souberam capitalizar o epíteto de arrogância de José Sócrates e fazer brilhar o PSD pela diferença. Agora, ao invés de um partido unido em torno da liderança,com uma imagem de verdade e mudança a apresentar ao país, estão em guerra interna, com discordâncias mesmo onde elas não existiam (Morais Sarmento, Marcelo R Sousa...). Cuspiram nos sacrifícios de Marques Mendes em prol da credibilização da política ao admitirem candidatos ACUSADOS, quando antes nem arguidos eram permitidos. Tenho pena, mesmo muita pena...
Manuela Ferreira Leite tinha duas opções: ou incluia Passos Coelho e Miguel Relvas nas listas e tinha a oposição interna bem posicionada para tomar conta do partido se tudo corre-se mal para ela; ou por outro lado excluia-os deixando-os mal posicionados para tomar de assalto o partido ao seu primeiro erro.
ResponderEliminarAcho que o facto de os incluir não levaria a anestisiar a oposição interna mas deixá-los-ia mas bem posicionados para zelarem pela queda de MFL. Assim corta-se o mal pela raiz. MFL ganhou o partido e com isso o direito de escolher os seus candidatos. Já abriu a sua base de apoio até ao santanismo, agora é tempo de exercer autoridade e de não deixar abrir espaços para vaidosias pessoais. Assim Passos Coelho não chegará a ser uma espécie de Manuel Alegre, porque não tem como ter visibilidade. E poupa-se ao partido o trabalho de negociar com ele o seu voto como deputado, cada vez vez que se estiver perante um questão mais fracturante.
Se fosse só isso, nem dizia nada. Num partido plural e tão abrangente como o PSD [se diz ser], é natural que surjam vozes discordantes prontas a mudar a política de base.
ResponderEliminarMas não é só isso. Esta coisa só foi aprovada por cerca de 60% dos votos, não foi nem perto de ser minimamente consensual; seis distritais contestam aberta e assumidamente as escolhas da líder; meteu dois arguidos em listas para deputados; e, mais uma vez, encheu as listas com gente claramente alheadas do distrito pelo qual concorrem (algo que, infelizmente, continua a ocorrer em demasia).
Eu diria que está aflita. Mas é normal.
E, já agora, é bem diferente do caso Manuel Alegre. Para não mencionar o facto de que Manuel Alegre esteve muitas vezes sozinho, ele é que defendeu e defende, na essência, aquilo que o Partido Socialista foi na sua génese e aquilo que ele deveria significar ainda hoje, mas que, infelizmente, não o é mais.
Para quem não percebe o problema, um resumo:
ResponderEliminar- O PSD sempre foi um partido que tolerou bem o pluralismo interno, faz parte do seu código genético . Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso puseram sempre opositores internos nas listas à AR, por respeito para com os militantes que não simpatizavam com as suas ideias. Já Ferreira Leite? PPC teve mais de 30% dos votos nas últimas internas do Partido. E foi afastado pela líder, que assim desautorizou também a distrital de Vila Real que propôs Passos Coelho como cabeça-de-lista.
- Paralelamente um nome como Miguel Relvas, com a visibilidade e reconhecimento que tem no seu distrito foi afastado em prol de... José Pacheco Pereira! Não é que a figura de JPP em si tenha algo de errado... mas como se justifica a sua inclusão em Santarém, um distrito ao qual nem pertence? É a Marmeleira razão que baste para considerar um portuense de gema como figura de proa ribatejana?
- O mesmo raciocínio se aplica a Bacelar Gouveia. Um Lisboeta cabeça de lista por Faro? O PSD nacional reconhece assim que não vê em ninguém do Algarve competência e credibilidade para liderar os deputados laranja pelo distrito, pelo que tem de chamar algúém da capital para a "província"!
- Alberto João Jardim cabeça de lista pela Madeira? Numa altura em que tanto se criticam os deputados que eleitos não cumprem os mandatos, que se chamam "candidatas fantasma" a Ana Gomes e Elisa Ferreia e o PSD clama por ser o partido da verdade e seriedade, nomeiam para cabeças de lista pessoas que jamais assumirão funções na AR!
- António Preto e Helena Lopes da Costa por Lisboa. Sobre este assunto não há mais nada a dizer.
- Fernando Negrão por Setúbal. O homem abandonou o seu cargo na cidade para se candidatar a Lisboa. Agora volta? Os portuenses disseram nas sondagens a Elisa Ferreira o que pensam daqueles que se propõem a abandonar lugares de vereação na Câmara em troca de "melhor" pousio. Estou certo de que os sadinos saberão o que dizer de quem no passado também os trocou pla capital.
- Deus Pinheiro por Braga. O homem que ficou conhecido por ser um eurodeputado ausente no PE e que trocava de bom grado o trabalho por uma ida ao golf em período laboral! É esta a imagem de marca de um PSD que justifica as actuais listas com base no reconhecimento do trabalho, mérito e presenças dos deputados na AR?
- E paralelamente: juventude? renovação? zero! O instituto Sá Carneiro de Alexandre Relvas tem feito um trabalho notável na criação de um think tank laranja, com propostas, ideias, conteúdos e caras novas. Miguel Morgado, Pedro Picoito... onde estão as faces jovens mas de elelvada qualidade do PSD? Nas listas não estão com certeza! Cadê a imposição de sangue fresco que a "brisa" Paulo Rangel parecia anunciar?
A montanha pariu um rato! O pior do Cavaquismo e o puro "centralismo democrático" imperam nestas escolhas. Ferreiristas até à medula, não souberam capitalizar o epíteto de arrogância de José Sócrates e fazer brilhar o PSD pela diferença. Agora, ao invés de um partido unido em torno da liderança,com uma imagem de verdade e mudança a apresentar ao país, estão em guerra interna, com discordâncias mesmo onde elas não existiam (Morais Sarmento, Marcelo R Sousa...). Cuspiram nos sacrifícios de Marques Mendes em prol da credibilização da política ao admitirem candidatos ACUSADOS, quando antes nem arguidos eram permitidos. Tenho pena, mesmo muita pena...