quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Não é que goste de falar sobre partidos que não me dizem absolutamente nada, mas...



Se nem sequer sabe gerir um partido, como é que se pode pensar que é uma séria candidata a gerir um Governo de um país?

3 comentários:

  1. Manuela Ferreira Leite tinha duas opções: ou incluia Passos Coelho e Miguel Relvas nas listas e tinha a oposição interna bem posicionada para tomar conta do partido se tudo corre-se mal para ela; ou por outro lado excluia-os deixando-os mal posicionados para tomar de assalto o partido ao seu primeiro erro.
    Acho que o facto de os incluir não levaria a anestisiar a oposição interna mas deixá-los-ia mas bem posicionados para zelarem pela queda de MFL. Assim corta-se o mal pela raiz. MFL ganhou o partido e com isso o direito de escolher os seus candidatos. Já abriu a sua base de apoio até ao santanismo, agora é tempo de exercer autoridade e de não deixar abrir espaços para vaidosias pessoais. Assim Passos Coelho não chegará a ser uma espécie de Manuel Alegre, porque não tem como ter visibilidade. E poupa-se ao partido o trabalho de negociar com ele o seu voto como deputado, cada vez vez que se estiver perante um questão mais fracturante.

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  2. Se fosse só isso, nem dizia nada. Num partido plural e tão abrangente como o PSD [se diz ser], é natural que surjam vozes discordantes prontas a mudar a política de base.

    Mas não é só isso. Esta coisa só foi aprovada por cerca de 60% dos votos, não foi nem perto de ser minimamente consensual; seis distritais contestam aberta e assumidamente as escolhas da líder; meteu dois arguidos em listas para deputados; e, mais uma vez, encheu as listas com gente claramente alheadas do distrito pelo qual concorrem (algo que, infelizmente, continua a ocorrer em demasia).

    Eu diria que está aflita. Mas é normal.



    E, já agora, é bem diferente do caso Manuel Alegre. Para não mencionar o facto de que Manuel Alegre esteve muitas vezes sozinho, ele é que defendeu e defende, na essência, aquilo que o Partido Socialista foi na sua génese e aquilo que ele deveria significar ainda hoje, mas que, infelizmente, não o é mais.

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  3. Para quem não percebe o problema, um resumo:

    - O PSD sempre foi um partido que tolerou bem o pluralismo interno, faz parte do seu código genético . Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso puseram sempre opositores internos nas listas à AR, por respeito para com os militantes que não simpatizavam com as suas ideias. Já Ferreira Leite? PPC teve mais de 30% dos votos nas últimas internas do Partido. E foi afastado pela líder, que assim desautorizou também a distrital de Vila Real que propôs Passos Coelho como cabeça-de-lista.

    - Paralelamente um nome como Miguel Relvas, com a visibilidade e reconhecimento que tem no seu distrito foi afastado em prol de... José Pacheco Pereira! Não é que a figura de JPP em si tenha algo de errado... mas como se justifica a sua inclusão em Santarém, um distrito ao qual nem pertence? É a Marmeleira razão que baste para considerar um portuense de gema como figura de proa ribatejana?

    - O mesmo raciocínio se aplica a Bacelar Gouveia. Um Lisboeta cabeça de lista por Faro? O PSD nacional reconhece assim que não vê em ninguém do Algarve competência e credibilidade para liderar os deputados laranja pelo distrito, pelo que tem de chamar algúém da capital para a "província"!

    - Alberto João Jardim cabeça de lista pela Madeira? Numa altura em que tanto se criticam os deputados que eleitos não cumprem os mandatos, que se chamam "candidatas fantasma" a Ana Gomes e Elisa Ferreia e o PSD clama por ser o partido da verdade e seriedade, nomeiam para cabeças de lista pessoas que jamais assumirão funções na AR!

    - António Preto e Helena Lopes da Costa por Lisboa. Sobre este assunto não há mais nada a dizer.

    - Fernando Negrão por Setúbal. O homem abandonou o seu cargo na cidade para se candidatar a Lisboa. Agora volta? Os portuenses disseram nas sondagens a Elisa Ferreira o que pensam daqueles que se propõem a abandonar lugares de vereação na Câmara em troca de "melhor" pousio. Estou certo de que os sadinos saberão o que dizer de quem no passado também os trocou pla capital.

    - Deus Pinheiro por Braga. O homem que ficou conhecido por ser um eurodeputado ausente no PE e que trocava de bom grado o trabalho por uma ida ao golf em período laboral! É esta a imagem de marca de um PSD que justifica as actuais listas com base no reconhecimento do trabalho, mérito e presenças dos deputados na AR?

    - E paralelamente: juventude? renovação? zero! O instituto Sá Carneiro de Alexandre Relvas tem feito um trabalho notável na criação de um think tank laranja, com propostas, ideias, conteúdos e caras novas. Miguel Morgado, Pedro Picoito... onde estão as faces jovens mas de elelvada qualidade do PSD? Nas listas não estão com certeza! Cadê a imposição de sangue fresco que a "brisa" Paulo Rangel parecia anunciar?

    A montanha pariu um rato! O pior do Cavaquismo e o puro "centralismo democrático" imperam nestas escolhas. Ferreiristas até à medula, não souberam capitalizar o epíteto de arrogância de José Sócrates e fazer brilhar o PSD pela diferença. Agora, ao invés de um partido unido em torno da liderança,com uma imagem de verdade e mudança a apresentar ao país, estão em guerra interna, com discordâncias mesmo onde elas não existiam (Morais Sarmento, Marcelo R Sousa...). Cuspiram nos sacrifícios de Marques Mendes em prol da credibilização da política ao admitirem candidatos ACUSADOS, quando antes nem arguidos eram permitidos. Tenho pena, mesmo muita pena...

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