quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dia difícil para José Sócrates...


Previa-se um debate difícil para José Sócrates e acabou mesmo por sê-lo.

Começou por narrar uma série de “triunfos” do governo, o que é apesar de tudo normal, mas sem nunca mencionar as três grandes falhas, -os três D’s que mencionou Rangel no debate - o desemprego, o défice e a divida externa do Estado. Fazer uma análise governativa passando à margem destes factores só pode corresponder à visão de um parnasiano, desligado da mundana e triste realidade do país. Quando questionado por isto ou aquilo recorre às já conhecidas válvulas de escape: a crise, o ataque e a relutância/incapacidade de a oposição apresentar propostas válidas em sentido estrito, ou seja, que impliquem um fazer e não um desfazer ou “rasgar”, como uns preferem…

Paulo Rangel tem neste momento a vantagem de estar na crista da onda, mal lhe é concedida a palavra toda a bancada socialista parece revolver-se nas suas poltronas fazendo tudo por tudo para tentar abafar a sua intervenção, sabem que Rangel está com mais vigor que nunca é um excelente orador e parece criar sempre frisson em tudo o que diz; em grande parte devido à grande vitória recentemente obtida e que tem sabido habilmente capitalizar. Apontou o dedo às grandes falhas do governo, questionou acerca da adjudicação do Magalhães sem concurso público e repôs a verdade em relação à “auto-estrada rosa”.

Foi um debate interessante de se ver, todos os partidos estavam empenhados em atacar José Sócrates no seu último debate antes das legislativas e este empenhado em tentar fazer esquecer o seu recente desaire. Contudo aconteceu algo que ninguém estava à espera, algo de realmente extraordinário e que veio influenciar de sobremaneira o desenlace do debate… O ministro Manuel Pinho num acto de momentânea loucura resolve fazer um gesto que, ao que parece, indicava que Bernardino Soares seria um “boi”. Inevitavelmente a oposição socorreu-se prontamente de um autêntico arsenal argumentativo, oferecido pelo ministro Pinho, e que não deixou alternativa a José Sócrates senão aceitar prontamente o pedido de demissão do seu ministro…

Ficaremos à espera das consequências deste lamentável episódio que certamente não veio facilitar em nada, a espectável vitória de José Sócrates nas próximas legislativas.

2 comentários:

  1. Só para dizer que já fiz um twitter... Está aí ao lado na barra dos links. Vamos ver se isto me entusiasma.

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  2. Caro amigo. Boa análise dos trabalhos desta tarde na A.R., que afinal se saldou com uma saída imprevisível de um ministro do governo. Foi pena que o incidente sirva de escape para um PM que não consegue entender a realidade de um País que esperava mais da sua actuação. Enquanto reinar a incapacidade de alguns não é possível trilhar o caminho necessário à recuperação deste País. Saudações amigas.

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