quinta-feira, 30 de julho de 2009

O caro comum Luís Oliveira já criticou esta proposta socialista no que diz respeito ao fundo da questão, sobre se se deve ou não incentivar a natalidade.
Mas eu vou criticar uma incoerência clara entre o conteúdo da medida proposta e o fim a que se propõe.
Ora, em que consiste ela? Na "criação de um subsídio de 200 euros para cada criança nascida em Portugal, que seriam depositados numa conta a prazo e que só poderiam ser mexidos quando a criança completasse os 18 anos."
Para quê? Incentivar a natalidade.
Como se incentiva alguma coisa? Eliminando ou atenuando os obstáculos a essa coisa.
Posto isto, que obstáculos à natalidade é que esta proposta elimina ou atenua? Nenhum! Não resolve nenhuma das principais razões pelas quais alguns portugueses decidem não ter filhos, ou ter apenas um. Não dá tempo livre aos pais para cuidarem dos filhos. Não diminui os custos da educação, que os pais têm de suportar. Não protege a mãe que fica grávida de ser despedida (no papel, nunca o é por esta razão, claro). Nem sequer é uma ajuda aos pais, porque estes provavelmente não vão poder usar os 200€ quando deles mais precisarem para criar o filho.
Resumindo, esta medida não convence nem ajuda a convencer ninguém a ter um filho. Quem é que muda de ideias para ter um filho com base num incentivo segundo o qual são dados ao filho 200€, que ele só poderá usar perfeitos 18 anos do seu nascimento?
Só me ocorre uma explicação. A doçura de qualquer proposta (promessa) de se dar dinheiro. Poderia propor-se muitas outras medidas para incentivar a natalidade, mas nenhuma teria o efeito que tem uma medida de "dar dinheiro". Não é um incentivo fiscal, não é uma protecção social, não é um abono mensal... São 2oo€ dados por cada nascimento! E por uma causa muito nobre: incentivar a natalidade. Pena é que conteúdo e intenção não batam certo.

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