sexta-feira, 3 de julho de 2009

PSD, falsos sociais-democratas ou falsa direita

È Costume dizer-se que o PSD teve origem na ala liberal da Assembleia Nacional na era marcelista do estado novo, a ala composta pelos deputados eleitos em listas independentes (das listas da União Nacional) entre os quais se encontravam os nomes de Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Mota Pinto que vêm depois a fundar este mesmo partido. Sá Carneiro destaca-se nesta ala liberal pelo seu carisma e posições anti-regime que manifesta corajosamente nesta mesma assembleia. Por isso mesmo, assim que se dá o 25 de Abril, Mário Soares, que era já um preponderante membro do partido Socialista (formado em 1973) convida Sá Carneiro para o integrar. Sá Carneiro recusa o convite e justifica-se dizendo que não se revê num partido com uma doutrina tão marxista. Decide por isso juntamente com Mota Pinto e Pinto Balsemão criar o partido social-democrata, que assume um projecto social-democrata semelhante ao dos partidos sociais-democratas nórdicos europeus. Quando decidem registar o partido, existia já um partido denominado PSDC o que impossibilitou o registo com a designação de PSD por esta ser tão semelhante. Sá Carneiro segue a sugestão de Balsemão e regista o partido como PPD (partido popular democrata).

Por rejeitar o marxismo radical como o adoptado pelos outros partidos da esquerda portuguesa que surgiram no após revolução, o PSD surge frequentemente com posições moderadas que lhe fazem valer o voto útil do centro e da direita. E é pela repetição desse fenómeno que o PSD passa a estar colado á imagem de partido da direita. A formação da AD com outros partidos da área da do centro-direita (o PPM e o CDS) ajuda a essa colagem. Esta associação acaba por ter um efeito catalisador, o eleitorado passa a identificar o PSD com a direita e o próprio PSD vai adoptando uma orientação de centro-direita e tornando-se num dos dois partidos de alternância no governo. (sendo o outro o PS)

È claro que o facto do principal partido da direita portuguesa se assumir formalmente como social-democrata traz alguns graves problemas ao sistema político português. Em primeiro lugar contribui para o paradigma do pensamento esquerdista no país, sendo até irónico que o principal partido da direita portuguesa seja um partido social-democrata, ou seja, com uma designação ideológica do centro-esquerda. Mas acaba também por levar o partido á divisão interna provocada pela sua indefinição ideológica visto que dentro do partido existem sociais-democratas de facto (que constituem uma minoria), conservadores, liberais, todos unidos debaixo de uma capa de um suposto pragmatismo que tenta justificar a falta e ao mesmo tempo a diversidade ideológica. A união e a concertação das posições do partido torna-se impossível nas questões do costume como por exemplo o que aconteceu no referendo da IVG. O PSD será quanto a mim, o principal culpado da deficiência do sistema político português, da posição dominante da esquerda e da falta de equilibrio ideológico.

3 comentários:

  1. Nem mais. Disse precisamente isso ao Luís Araújo no outro dia. Ele não concorda.

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  2. De facto, não concordo.
    Em primeiro lugar, considero a discussão à volta do nome algo irrelevante. O PS é verdadeiramente socialista? O PCP apresenta aos portugueses um programa verdadeiramente comunista? E o PP, o que tem de popular? As idas às feiras? Ou seja, não é pelo nome que se define a natureza de um partido, apesar de, obviamente, ser um indicador.
    Acresce que o nome do PSD, como a tua descrição dos factos o revela, foi criado num contexto histórico bastante particular. Se hoje se fosse a pensar num nome, talvez não fosse esse o adoptado, mas não há que ter vergonha da história, tradição e evolução do partido. Não há razão para mudar.

    Em segundo lugar, não concordo com as críticas constantes ao facto de haver várias correntes de opinião dentro do PSD. Facções, há-as em todos os partidos. Os mais pequenos controlam-nas melhor, mas também não se livram delas. Quem não se lembra daquela época em que o Ribeiro e Castro ganhou no PP? Quem é capaz de dizer que o Manuel Alegre e companhia não são uma facção divergente no actual PS? E os renovadores no PCP? E as recentes polémicas no BE, devidamente silenciadas?
    O PSD, como maior partido da oposição, é hoje alvo mais fácil da crítica da divisão interna. Mas também não o era o PS com Ferro Rodrigues e depois nas eleições internas que se seguiram?
    Já os partidos mais pequenos não são alvos de tal crítica, em primeiro lugar, porque são mais pequenos e obviamente, comportam menos gente para formar facções internas. Em segundo lugar, conseguem silenciá-las mais facilmente.

    E o que dizer quanto à acusação de que o PSD é "o principal culpado da deficiência do sistema político português, da posição dominante da esquerda e da falta de equilibrio ideológico"? Discordo em absoluto. Neste momento, o principal culpado, se isso existe, é o PS, que optou por estender o seu manto a um certo centro-direita, destapando parte da esquerda que antes lhe era fiel.

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  3. Se hoje se pensa-se num nome novo para o partido o mais indicado seria ppd. A grande questão é que no contexto histórico em que se tornou psd o nome mais indicado já seria ppd.

    Acho realmente que a questão é relevante quando um partido tem uma denominação bem diferente da sua real ideologia. De facto considero que o Ps é mais socialista-reformista que o psd é social-democrata. E que o PC é verdadeiramente comunist(infelizmente), e o PP é um partido popular da mesma forma que todos os outros partidos que integram o ppe o são.

    Considero também que consiliar no mesmo partido sociais-democratas com liberais económicos e conservadores com liberais sociais é realmente, quanto a mim muito dificil. E as divisões e quesilias internas de todos os outros partidos que mencionaste não foram verdadeiramente por motivos ideológicos.

    Quanto aos efeitos da deslocação do PS ao centro-direita também considero que possam ser graves. Mas acredito que a ocupação desse espaço foi efémera e restringiu-se apenas aos momentos de contenção e sacrificio orçamental que obviamente foi apoiado pela direita.

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