1. O PSD desilude. A vitória soube a pouco, por ter perdido uma grande parte da vantagem que tinha sobre o PS. Teve significativas vitórias, como Faro, Felgueiras, Marco de Canaveses e nas grandes cidades de Porto, Gaia e Sintra. Mas também sofreu derrotas indigestas, como em Tavira, Trofa, Barcelos, Castelo de Paiva, Figueira da Foz e Leiria. Acresce que a grande esperança de ganhar Braga não se concretizou. Infelizmente. Teria salvo a noite...
2. O PS surpreende positivamente. Reduz muito a sua desvantagem face ao PSD, ganhou Lisboa e dispenso falar das vitórias particulares, que já referi como derrotas do PSD. Como já seria de esperar, Sócrates congratulou-se com uma maioria na contagem global dos votos a nível nacional. Não creio que isto seja suficiente para se falar de uma vitória, mas é mais que suficiente para se falar num bom resultado.
3. O grande derrotado é o BE. Depois de duas eleições de âmbito nacional, em que se revelou uma clara onda de crescimento, as autárquicas revelam a verdadeira natureza de pequeno partido que é o BE. É um partido composto e suportado por uma pequena elite de Lisboa. Gente muito inteligente, carismática, ideologicamente muito bem alicerçada e, nesse pequeno grupo, consensual. Esta elite, assumindo o protagonismo nas eleições que se realizam a nível nacional, consegue grandes resultados. Mas nas eleições autárquicas, em que o que conta são as pessoas da terra e a proximidade, o partido já não tem nada de especial para apresentar. As pessoas que o constituem por este país fora ficam a milhas do nível intelectual e político das pessoas que o constituem na sua direcção em Lisboa.
4. O Alentejo será um trunfo do PS em futuras eleições. Território tradicional do PCP, esta região do país está agora a caminhar para o centro do espectro político, beneficiando obviamente o PS. É um movimento que me parece inevitável, dada a paragem no tempo das ideias do PCP. Um povo alentejano cada vez mais conhecedor do mundo deixa de ter tanta devoção pelo comunismo. Este movimento beneficia exclusivamente o PS. Os partidos da direita, pelo menos por enquanto, não terão lá hipóteses, depois de décadas de estigmatização desses "partidos do grande capital e do latifúndio, herdeiros do fascismo", como são vistos lá.
5. O PS continua a capitalizar nos Açores a simpatia que lá ganhou com o diferendo com o Presidente.
6. Parece-me que o resultado das legislativas deu um certo ânimo a algumas candidaturas do PS em certos municípios. A influência não terá sido grande, com certeza, mas não consigo deixar de pensar que, se as eleições não tivessem sido 15 dias depois das legislativas, poderíamos ter tido resultados diferentes por exemplo em Braga ou Lisboa.
7. Uma questão interessante: dada a força que Isaltino e Valentim têm nos seus concelhos, deixarão lá descendência? Nas próximas eleições, eles não podem candidatar-se, mas indicarão alguém da linha deles que continue os movimentos independentes?
Eu vejo pelo menos uma coisa boa nas vitórias de Isaltino e Valentim, fechando os olhos a tudo o resto. São vitórias de nomes e não de partidos.
ResponderEliminarContinuo sem perceber toda a conotação partidária.
Pura e simplesmente não percebo como é que partidos políticos podem ganhar eleições autárquicas. Acho ainda mais ridículo perguntas sobre se a Manuela Ferreira Leite terá agora mais condições de continuar à frente do PSD, como se as condições tivessem mudado. Claro que não mudaram. Absolutamente nada.
A própria noção de partidos ganharem eleições legislativas já é um pouco distorcida para mim, mas ainda consigo entender. Agora, quando ligo a SIC e a primeira coisa que ouço do jornalista é "Quem vai ganhar as autárquicas, PS ou PSD?" sinceramente fico com a impressão de que algo muito errado anda na cabeça de muita gente, ou então sou eu que sou teimoso.
Ora aí está um bom tema para um futuro post! Mas adianto desde já que discordo da tua perspectiva.
ResponderEliminar". O grande derrotado é o BE. Depois de duas eleições de âmbito nacional, em que se revelou uma clara onda de crescimento, as autárquicas revelam a verdadeira natureza de pequeno partido que é o BE"
ResponderEliminarHá de dizer-me um partido que tenha começado logo a ganhar! O facto é que o BE, um partido com uns 12 anos (acho eu) está em franco crescimento...