Amanhã (2ª feira) conhece-se o Nobel da Economia (que, na verdade, não é Nobel nenhum, mas sim um prémio anexado aos Nobel e que é entregue pelo Riksbank). Tal como disse no post anterior, estas coisas opinam-se, mas não se chora se não é destinado a quem nós queremos ou se é entregue a alguém com ideologia diferente da nossa, mesmo que de forma sistemática ao longo dos anos. Até porque, pessoalmente, nem gosto do critério do Riksbank (por ser Banco Central, tem uma certa tendência para premiar certos economistas em detrimento de outros), mas reconheço-lhe a autoridade para a atribuição do prémio.
Há quem aposte em Eugene Fama, um palerma de Chicago que desenvolveu nos anos 60 a tese dos mercados eficientes baseada em agentes económicos racionais. Os investidores de bolsa adoram-no e acham que ele fez uma grande coisa. Foi derrotado o ano passado por Krugman devido, precisamente, à falha do mercado no advento da crise (a sua teoria estupidamente idealista não funciona? big fucking surprise...). Outro igual a ele é Kenneth French. A premiação de ambos seria não reconhecer a asneira dos falsos pressupostos da teoria económica mainstream que levaram à crise em que estamos, e negar a gravidade da situação em que o mundo se encontra devido a essas mesmas teorias. Não é, por isso, previsível que ganhem. Da mesma forma, Robert Barro, um macroeconomista neoclássico que também tem ajudado a contaminar a ciência económica nas últimas 3 décadas com os seus modelos irrealistas e redutores, de modo que também não deverá ser o seu ano. Contudo, deverá ser premiado um destes anos, pois tem trabalho sólido e sério que o justifica.
Com Amartya Sen, Joseph Stiglitz e Paul Krugman já vencedores em anos anteriores, é difícil mandar um nome para este momento em particular, mas diz-se que será um destes:
- Paul Romer, um economista do crescimento que fez um bom trabalho no âmbito do papel do progresso técnico no crescimento. Agora tem andado entretido com a ideia das "charter cities". Não é um economista cujas visões eu partilhe, mas seria um justo vencedor.
- Ernst Fehr, um economista austríaco com desenvolvimentos na "neuroeconomics", uma vertente da economia que se debruça sobre os impulsos e efeitos da economia nos elementos psicológicos dos indivíduos. Está na lista dos autores cujos papers são mais citados. Seria uma vitória da heterodoxia.
- Fala-se também em John Taylor, autor da famosa "Taylor Rule", que constitui uma regra flexível de política económica que aconselha qual o nível da taxa de juro consoante o output gap e a inflação. Seria também tremendamente justo pela sua utilidade, especialmente nesta altura, apesar de eu nem gostar muito da teoria por me parecer redutora.
- Albert Hirschmann, um economista/sociólogo cuja leitura eu aprecio muito (cheguei a ler um artigo dele que adorei). O homem já tem 94 anos, por isso a ser premiado, que seja agora. Depois de morto, não dá. Mas não deverá sê-lo por o seu trabalho não ir de encontro aos critérios normais de atribuição.
Julgo que o nome vencedor sairá de um destes. A ver vamos. Até segunda, que hoje há eleições!
Há quem aposte em Eugene Fama, um palerma de Chicago que desenvolveu nos anos 60 a tese dos mercados eficientes baseada em agentes económicos racionais. Os investidores de bolsa adoram-no e acham que ele fez uma grande coisa. Foi derrotado o ano passado por Krugman devido, precisamente, à falha do mercado no advento da crise (a sua teoria estupidamente idealista não funciona? big fucking surprise...). Outro igual a ele é Kenneth French. A premiação de ambos seria não reconhecer a asneira dos falsos pressupostos da teoria económica mainstream que levaram à crise em que estamos, e negar a gravidade da situação em que o mundo se encontra devido a essas mesmas teorias. Não é, por isso, previsível que ganhem. Da mesma forma, Robert Barro, um macroeconomista neoclássico que também tem ajudado a contaminar a ciência económica nas últimas 3 décadas com os seus modelos irrealistas e redutores, de modo que também não deverá ser o seu ano. Contudo, deverá ser premiado um destes anos, pois tem trabalho sólido e sério que o justifica.
Com Amartya Sen, Joseph Stiglitz e Paul Krugman já vencedores em anos anteriores, é difícil mandar um nome para este momento em particular, mas diz-se que será um destes:
- Paul Romer, um economista do crescimento que fez um bom trabalho no âmbito do papel do progresso técnico no crescimento. Agora tem andado entretido com a ideia das "charter cities". Não é um economista cujas visões eu partilhe, mas seria um justo vencedor.
- Ernst Fehr, um economista austríaco com desenvolvimentos na "neuroeconomics", uma vertente da economia que se debruça sobre os impulsos e efeitos da economia nos elementos psicológicos dos indivíduos. Está na lista dos autores cujos papers são mais citados. Seria uma vitória da heterodoxia.
- Fala-se também em John Taylor, autor da famosa "Taylor Rule", que constitui uma regra flexível de política económica que aconselha qual o nível da taxa de juro consoante o output gap e a inflação. Seria também tremendamente justo pela sua utilidade, especialmente nesta altura, apesar de eu nem gostar muito da teoria por me parecer redutora.
- Albert Hirschmann, um economista/sociólogo cuja leitura eu aprecio muito (cheguei a ler um artigo dele que adorei). O homem já tem 94 anos, por isso a ser premiado, que seja agora. Depois de morto, não dá. Mas não deverá sê-lo por o seu trabalho não ir de encontro aos critérios normais de atribuição.
Julgo que o nome vencedor sairá de um destes. A ver vamos. Até segunda, que hoje há eleições!
Afinal parece que o jogo não é o teu forte lol;p
ResponderEliminarMas as escolhas não deixaram de ser interessantes, em particular a Elinor Ostrom. No meio de todo este debate entre estatistas e liberais, às vezes esquecemos que há outras alternativas, quiçá mais adequadas para certos recursos ;p
Espero que este Prémio sirva para recolocar a propriedade comum e a gestão sustentável do nosso ecossistema no âmbito do debate da afectação e administração dos "bens essenciais". Fica desde já aqui a sugestão de reflexão aos comuns ;)
Bom, eu reconheço a falha na previsão, mas a Academia tem destas surpresas de vez em quando. Que o digamos nós, lá com o Obama.
ResponderEliminarEu acho que a vitória da Elinor Ostrom e do Oliver Williamson é claramente uma vitória da heterodoxia. Não os conhecia, admito, e costumo ler outros autores da área. Pensei que o Fehr, o Nordhaus ou outro mais conhecido estivesse à frente para ganhar o prémio caso a heterodoxia ganhasse.
Mas fico muito feliz, obviamente. Eu sempre quis que as vitórias fossem das escolas alternativas, e parece que a Academia começa a reconhecê-las, quando há uns anos não o fazia de maneira alguma. Pensei que a escola institucionalista nem sequer entrasse nas contas deles, mas felizmente estava enganado.
Confesso que joguei mais pela razão (ou previsão do mais provável) do que pelo "coração" (leia-se, preferência pessoal). Esta vitória pede é um post sobre os comuns, mais concretamente sobre a Tragédia dos Comuns, nome que aconselhei para este blog e que foi bem acolhido, e que está claramente conectado com o tema destes vencedores.
Bem visto, o blog tem muito que dizer sobre esta temática até por dever de nomenclatura lolol ;)
ResponderEliminarComeça aí: Demsetz/von Mises vs Hardin vs Elinor/Robert Wade!
Panaceias ideológicas ou soluções casuísticas? ;)
:D