No passado dia 27, o PSD sofreu uma derrota em toda a linha! Não conseguiu crescer face a um descredibilizado PSD de Santana Lopes, - nem mesmo valendo-se das armas da credibilidade da verdade e da seriedade que, supostamente, deveriam infligir danos gravosos na imagem, já de si fragilizada, do primeiro-ministro – não conseguiu crescer dentro do eleitorado do PS, logo não foi por sua causa que o PS perdeu a maioria absoluta (note-se que os próprios socialistas nem sequer definiam isso como meta), perdeu muitos votos face a um surpreendente CDS/PP, que nunca definiu o PSD como alvo a abater, e ficou-se por uns humilhantes 29% que ficam para a história como um dos piores resultados de sempre.
Estes foram os factos, mas o que mais me preocupa sendo eu militante do PSD, é as circunstâncias em que estes ocorreram face a um status quo claramente favorável à obtenção de um resultado, pelo menos, bem diferente dos tempos difíceis e agitados da liderança de Pedro Santana Lopes. Podemos desde logo, sem grandes dificuldades, enumerar algumas das circunstâncias que tornavam mais facilitada a batalha do PSD: a crise económica; o défice; o desemprego; o ataque contínuo do governo à classe dos professores, dos polícias, militares e juízes; os escândalos que envolviam o nome de José Sócrates; as gafes e truculências dos ministros; enfim, um conjunto de factos que deveriam tornar o PSD melhor “armado”para lograr atingir o seu principal objectivo, o de ser o partido mais votado.
O que falhou então? É a pergunta última que nos invade e à qual facilmente se consegue responder… O PSD de Manuela Ferreira Leite decidiu, e isto deve ser quase inédito, fugir à racionalidade política desafiando os seus pressupostos lógicos, a sua finalidade estratégica. A Metodologia foi absolutamente errada; a lógica foi desafiada – Manuela Ferreira Leite quis ser uma presidente de partido apolítica, num cargo que é eminentemente político – e o método foi errado, pois não conseguiu convencer eficazmente os eleitores e, portanto, somos forçados a concluir que a mensagem política falhou. E isto é o pior que pode acontecer na política, nomeadamente se considerarmos que vivemos num tempo em que é fundamental a comunicação e a linguagem, como de resto nos vem dizendo Habermas. José António Saraiva na sua crónica no “SOL” citou, e bem, uma máxima popular: “Não se apanham moscas com Vinagre!” e, de facto, o povo tem razão…
Pensei primeiro em fazer apenas num post o comentário ao futuro do PSD. Contudo, o post já estava a tornar-se longo e também demorado, pois Coimbra não se cansa de me solicitar... Assim sendo, impunha-se que postasse esta primeira parte antes que o tema ficasse demasiado caduco!
ResponderEliminarTenho de contestar 2 ideias.
ResponderEliminarA 1ª é a de que o PS não estabeleceu como objectivo a maioria absoluta. Pode o seu líder não ter utilizado expressamente estas duas palavras, confesso que já não me lembro se o fez. Mas não dá para a esquecer o apelo feito nos últimos dias a uma solução com governabilidade, que nós bem sabemos o que significa dadas as circunstâncias que se verificavam.
A 2ª ideia é a de que o PSD partia de uma posição favorável. Não é verdade. Desde logo, em Abril ninguém dizia isso. Foi a vitória das europeias que subiu a fasquia, mostrando o sucesso da estratégia então adoptada pelo PSD. Foi apenas isso que fez mudar a percepção quanto à posição relativa entre PS/PSD. As circunstâncias materiais não se alteraram.
E falando então das circunstâncias materiais, discordo que "a crise económica; o défice; [e] o desemprego" fossem um trunfo para o PSD. Pelo contrário, deixam as pessoas renitentes quanto a votar num partido que, em comparação com o PS, defende uma diminuição do peso do Estado. Como escreveu ontem Vasco Pulido Valente, "sucede que, num país pobre e, sobre isso, em crise, a tendência geral é exactamente a contrária [à defesa da diminuição do Estado]: a esmagadora maioria dos portugueses, como de costume, pede ao Estado que a salve. Empresas, funcionários, trabalhadores, desempregados, reformados, doentes, pais - milhões que não suportam o presente e não vêem um futuro suportável contam com o Estado e só com o Estado. É o que o PS lhes promete e o PSD (que não por acaso se chama social-democrata) não lhes pode tirar".
Aliás, lembre-se que o PS percebeu isto muito bem e usou com sucesso a estratégia de acusar o PSD de querer acabar com o Estado Social, estratégia sobre a qual já tive oportunidade de me pronunciar.
Note-se ainda que, a partir de Dezembro de 2008, a crise que o país vivia já não era, na percepção dos eleitores, uma crise nossa, não era uma crise que tivesse como causa o actual governo. Era, sim, uma crise que veio de fora, dos países onde o Estado tem menos peso, e à qual o Governo, de forma heróica, fazia frente, segurando empregos aqui e ali..
Por fim, a cobertura televisiva que hoje se faz das campanhas eleitorais foi muito desfavorável para o PSD. Bem se pode dizer que foi desfavorável porque MFL não se soube adaptar. Mas a adaptação era muito difícil, reconheça-se, principalmente quando o PS tinha uma máquina profissional e tão bem oleada no controlo da agenda mediática.
Também li o artigo do Vasco Pulido Valente e não posso concordar que seja inevitável o decréscimo da direita em tempos de crise pelo facto de defender a diminuição do peso do estado. O CDS conseguiu crescer com esse discurso conquistando votos ao centro roubados ao PSD mas também e sobretudo ao PS. É uma questão de "saber vender o peixe", para além de que muita opinião formada, reconhece que no nosso país, o estado é um empecilho ao desenvolvimento económico, sobretudo pequenos e médios empresários credores do estado.
ResponderEliminarA direita não deixa de ter discurso social por isso e pode defendê-lo com mais justiça. Novamente o CDS, defendeu que se disciplinasse o rendimento social de inserção para que se pudessem aumentar pensões.
Quanto ao PSD tudo se resume á questão da liderança. Liderança para defenir ideologicamente o partido. Liderança forte para calar a oposição interna. Liderança hábil para fazer boa política e não uma imagem anti-política levada ao exagero. Na minha opinião e indo conta o João, Passos Coelho pode ser o contrário de tudo em Ferreira Leite mas não é solução
"Na minha opinião e indo conta o João, Passos Coelho pode ser o contrário de tudo em Ferreira Leite mas não é solução"
ResponderEliminarCastro Almeida está lá batido. :P
Mais cedo ou mais tarde... cheira-me.