Ora aqui está um tema acerca do qual há algum tempo me apetecia escrever.
Nos últimos tempos tem-se verificado na sociedade portuguesa um certo anti-partidarismo que eu considero perigoso. Considerando-o perigoso, cabe-me tentar demonstrar porque os partidos são essenciais à vida política em democracia e, mais, porque é que os partidos têm de ser fortes.
Na minha opinião, a ideia da necessidade dos partidos advém da óbvia necessidade de termos mais do que uma pessoa para governar um país. Se precisássemos apenas de uma pessoa para governar o país, então era só escolhê-la, com base nas suas qualidades pessoais. Mas todos sabemos que, quer em democracia, quer nos outros regimes políticos, isto é impossível.
Portanto, precisamos de grupos de pessoas; só grupos de pessoas podem governar um país.
Outro ponto essencial a notar é a natural diferença de opiniões e competências entre as várias pessoas que compõem a população de um país. Se todos tivéssemos a mesma opinião sobre tudo e as mesmas competências, então um qualquer grupo de pessoas, mesmo escolhidas aleatoriamente, serviria para governar um país.
Decorre que outra evidência com que todos concordaremos é que, para governar um país, não basta a existência de um grupo de pessoas. É preciso que esse grupo, mais do que um aglomerado de pessoas, seja uma equipa. Por outras palavras, uma organização de pessoas orientada à prossecução de um fim comum. Parece-me que não se obtém uma verdadeira equipa se esse grupo não for constituído por pessoas que partilhem, pelo menos num nível mínimo, uma mesma visão da realidade e do caminho para o futuro.
Posto isto, concluiremos que para governar um país precisamos de um grupo de pessoas que partilhem um mínimo de ideias e que se organizem com vista a um fim comum.
E que grupo será este? Como se decidirá a composição desse grupo? Certamente não será através de uma escolha aleatória dos seus elementos, pois que nisto não há qualquer democracia e assim não se obterá a homogeneidade mínima de ideias. Também não poderá ser o resultado de uma representação proporcional de todas as ideologias seguidas pelo povo, pois que assim também não se obterá a referida homogeneidade. Parece-me que o grupo não se pode formar em consequência da escolha individual dos seus elementos, mas sim através da apresentação prévia de quem é esse grupo. Isto é, creio que está na base da necessidade dos partidos a correspondente necessidade de se escolher, não simplesmente pessoas, mas sim grupos de pessoas ou, melhor dizendo, equipas de pessoas.
E agora dir-me-ão os leitores partidários do anti-partidarismo: "Tudo bem, concordo com todas essas verdades lapalicianas, mas quem disse que essas equipas de pessoas têm de se apresentar na forma de partidos? Os movimentos de cidadãos já não permitem preencher as condições referidas?". Como o texto já vai longo, a resposta fica para o próximo post.
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